27/05/2009

Juntando os pontos do passado

Hoje, ouvindo os B-Sides do The Cure, do box Join the Dots lançado em 2004, lembrei de uma das minhas primeiras experiências em uma banda de rock - uma brincadeira de adolescência que atendia pelo nome escabroso de "Rattle Blast".

O trio Rattle Blast (André no baixo e voz, Anderson nas programações de bateria e eu na guitarra) teve muita influência de Mr. Robert Smith & Cia. Na época eu tinha uma fita K7 com a coletânea dos singles do Cure de 1978 à 1986 num lado e alguns dos B-sides do mesmo período no outro, chamada Standing on a Beach.





Essa coletânea em K7 era diferente da mesma lançada em LP, e mais tarde em CD com quatro faixas a mais e outro nome, Staring At The Sea, justamente por causa desses B-sides que vinham de bônus. Anos depois, quando passei adiante aquela fita, ainda não tinha idéia da sua raridade pois ela só foi lançada nesse formato na Europa e, num verdadeiro milagre da indústria fonográfica nacional, aqui no Brasil também.

Como me arrependi de ter passado o K7 adiante...

Parecia uma história com final triste, mas eis que alguns anos atrás o Cure reuniu num box de 4 CDs todos os B-Sides de sua carreira até então, – este Join the Dots – e lá estavam elas... todas aquelas músicas obscuras que surgiam do lado B da minha coletânea ao pressionar o play do toca-fita e que embalaram as tardes de estudante e desempregado no apartamento em que morava no bairro Navegantes, me inspirando a criar algumas das músicas que surgiram naquela época como "Passado" (que depois virou "Cidade Deserto") e a instrumental homônima, "Rattle Blast".

Num destes "milagres" da informática moderna, que eu nem sequer imaginava há vinte anos atrás, pude "refazer" em MP3 a minha saudosa fita K7 e agora ela está ali, entre tantas playlists do iPod, com o mesmo nome, "Standing on a Beach", só para me trazer de volta esses momentos de felicidade involuntária e.... ah, que seja... de saudosismo também!

04/04/2009

Pearl Jam Ten - Special Edition

27/03/2009

Years of Refusal - Morrissey

No início deste ano, Steven Patrick Morrissey (que completará 50 anos no próximo dia 22 de maio) afirmou à revista americana "Filter" que estava pensando em se aposentar em breve, pois ficar muito tempo na estrada poderia comprometer sua criatividade. Se isso realmente vir a acontecer, o ex-integrante dos Smiths o terá feito na oportunidade certa, ou seja, em um fértil período criativo retomado a partir do disco You Are the Quarry, de 2004, confirmado em Ringleader of the Tormentors, de 2006, e agora atingindo seu auge com o lançamento deste Years of Refusal (Polydor, 2009).

Na medida certa, Morrissey mais uma vez combina suas letras sobre desafetos e amores intangíveis, ora tristes, ora carregadas de sarcasmo, juntamente com melodias de apelo pop inegável. E os hits em sua carreira se acumulam: "Something Is Squeezing My Skull", "I'm Throwing My Arms Around Paris", "That's How People Grow Up"... Nesta última ele traduz de forma tão mordaz a sua desilusão com a idiossincrasia do ser humano. Já em "You Were Good In Your Time" encontramos a habilidade única de Morrissey em extrair a essência do sentimento de melancolia de uma composição e que eu não ouvia desde "I Know It's Over".

Mesmo os fãs mais radicais de sua seminal banda de Machester terão que dar o braço a torcer para a perfeita parceria que ele tem mantido com o guitarrista Boz Boorer, e que nos faz até esquecer de Johnny Marr quando acompanhamos seu trabalho solo. Embora os estilos sejam diferentes, o entrosamento entre os músicos (e isso se estende ao resto da banda que o acompanha atualmente) é seguramente o mesmo, tornando-se fundamental para que o estilo de Morrissey sobreviva por tanto tempo sem apelar para mudanças dramáticas em sua sonoridade.

Sinceramente, eu espero que Years of Refusal não seja o último álbum de Morrissey, antes de seu anunciado ostracismo. Mas se for, ao menos ele terá deixado o showbizz de forma digna, com um trabalho à altura do que sua carreira representa e da sua influência na música pop. E quando isso ocorrer, então teremos motivos de sobra para nos sentirmos realmente tristes.

13/03/2009

U2: No Line On The Horizon

Após cinco anos desde seu último trabalho inédito (How To Dismantle An Atomic Bomb, 2004) eis que os irlandeses do U2 lançam o seu 12º álbum de estúdio: No Line On The Horizon (Universal, 2009) e a observação mais evidente é que a banda saiu em busca de uma nova sonoridade, desta vez destacando-se pelos arranjos etéreos, camadas e camadas de teclados e guitarras que permeiam a produção e que lembram, num primeiro momento, a trilha sonora do filme The Million Dollar Hotel (2000) ou à "falsa trilha" de Passengers (1995). Não por acaso, em ambas foi evidente a influência de Brian Eno e Daniel Lanois, produtores usuais da banda desde The Unforgettable Fire (1985). Nesta nova busca, contudo, percebe-se aqui e ali traços de distintas fases da banda, o que pode ser explicado também pela mão de Steve Lillywhite, outro colaborador de longa data.


A faixa-título abre o CD exatamente com essas camadas de teclados e guitarras com efeito phaser, e nos apresenta um refrão poderoso que poderia desbancar facilmente a escolha de "Get On Your Boots" como primeiro single. Sua pungência e intensidade crescente são as mesmas que se sente em "Where The Streets Have No Name", que abria o The Joshua Tree (1987), ou em "Zooropa", a primeira faixa do álbum homônimo de 1993. Uma música perfeita para iniciar o novo disco e, quem sabe, os shows da próxima turnê.

A introdução quase techno de "Magnificent" (com direito a um teclado à la Depeche Mode) continua a dar o tom do trabalho. Mas não se enganem pelas aparências iniciais. O que se ouve a seguir é o velho e bom estilo de composição do U2. E no caso de "Magnificent" ele remete muito aos primeiros trabalhos da banda nos anos 80. Tanto na construção métrica da música quanto na letra - que é uma verdadeira doxologia (I was born to sing for you/I didn't have a choice but to lift you up). Não vejo outro sentido para as palavras do Bono nela; ele não escrevia algo assim tão explícito sobre o assunto espiritualidade desde "Gloria", de October (1981). E ele mesmo confirmou isso na entrevista para a revista Rolling Stone: "Há esse tema recorrente de rendição e devoção e todas essas coisas que acho realmente difíceis.Toda música para mim é algum tipo de louvor".

"Moment Of Surrender" surge como o momento épico do disco: uma balada de sete minutos em forma de hino com vocais flertando com o gospel num refrão apoteótico e com um final cujos "oh-oh-oh-ohs" não ficarão devendo nada aos de "Pride (In The Name Of Love)" quando apresentada ao vivo. Percebam que ela soa como uma continuação de "So Cruel", do Achtung Baby (1991). Reparem na mesma cadência e tensão que ambas transmitem - aquele clima envolvente e pesado por causa do tema da letra. Brian Eno explica que nessa música o personagem na voz de Bono, está com o coração quebrantado, sofrendo de uma terrível agonia e extremamente vulnerável. Ainda reforçando a comparação, ambas são construídas sobre um instrumental repetitivo, possuem um crescendo no decorrer da música e compartilham de refrões carregados de melancolia. (Ouçam as duas e comprovem!) A letra lembra também outra música igualmente "angustiante" da banda: "If God Will Send His Angels", do Pop (1997). A principal diferença fica por conta da harmonia de coral do refrão de "Moment..." que parece transmitir certa redenção (como o próprio título diz) e esperança para o tal personagem da canção. E, de quebra, The Edge nos presenteia com um maravilhoso solo feito com um punhado de notas apenas!

Por falar no guitarrista, seus tradicionais acordes econômicos aparecem de volta em "Unknown Caller". Com um início minimalista dos instrumentos, o vocal dá a dica que se trata de um lento amanhecer (Sunshine, sunshine) que finalmente ocorre com a entrada do dedilhado mais alto da guitarra. Na letra, um assunto recorrente para o Bono: o esforço em escutar a voz de Deus. Com essa música, o que poderíamos chamar de "primeiro ato" do disco - aquele em que eles mais exploram novos horizontes sonoros - se encerra de forma contundente.

"I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" é certamente a canção mais pop do disco. Brilhantemente pop! Alguns podem até dizer que é uma canção tola, mas ela está ali prá mostrar que rock também é diversão e que o U2 ainda está em plena forma quando se trata de compor deliciosas melodias de amor. Seu arranjo também é, de todas as músicas novas, o que mais se parece com a retomada ao som básico da banda ocorrida no disco de 2000, All That You Can't Leave Behind.

Nas duas faixas seguintes, os riffs pesados de "Get On Your Boots" e "Stand Up Comedy" apontam para um rock mais cru e moderno, mas com influências bem diferentes. Diante do álbum como um todo é que se entende porque "Get On Your Boots" foi escolhida como primeiro single. Ela está meio deslocada ali... quase fazendo uma ligação com "Vertigo", o primeiro single do disco anterior - em especial o riff "Zeppeliano" marcante, as estrofes quase "faladas" de Bono, as poucas intervenções da guitarra durante elas, e por fim um refrão radiofônico - sem esquecer a "quebrada" genial da parte Let me in the sound, que fará a ligação com "FEZ-Being Born" mais adiante.

Já "Stand Up Comedy" revisita o groove sessentista da guitarra de Jimmi Hendrix com bastante autoridade. A letra revela que Bono não perdeu a inspiração para fazer canções engajadas socialmente, desta vez convocando todos a defenderem seus ideais, mesmo quando se sentirem desmotivados, num sutil trocadilho com o estilo de comédia comum nos EUA onde o artista está sozinho em pé, frente a platéia, quase que acuado pela sua própria tarefa a realizar: Out from under your beds/C’mon ye people/Stand up for your love!

Muito se comentou pela mídia que haveriam influências de sonoridades orientais neste álbum. De fato, o U2 encontra o Marrocos em "FEZ-Being Born", mas de forma muito sutil. A música toda é contornada pelo inconfundível estilo do Edge, notas esparsas carregadas de efeitos chorus e delay, enquanto Adam Clayton e Larry Mullen Jr. conduzem, de forma quase marcial, baixo e bateria. Os poucos versos cantandos (às vezes em côro) versam sobre um tema "estradeiro". E funcionam perfeitamente com o clima de road song que ela transmite.

"White As Snow" e "Cedars Of Lebanon" são os exemplos mais evidentes da semelhança com The Million Dollar Hotel e Passengers, e poderiam ter saído das sessões de gravação destes discos tranquilamente. A melodia do hino cristão "Ó Vem, Emanuel!" (baseado em um antigo canto gregoriano do século XV) serve de base para "White As Snow" e o seu arranjo delicado, mas correto, impõe uma incrível carga emocional para a letra que Bono fez sobre a guerra no Afeganistão. "Cedars..." também compartilha do mesmo tema, mas é uma canção em cujas estrofes não há melodia. Bono apenas conversa com o ouvinte, na pele de um correspondente de guerra. Apesar da letra triste e profunda (Choose your enemies carefully, 'cause they will define you/Make them interesting, 'cause in some ways they will mind you/They're not there in the beginning, but when your story ends/Gonna last with you longer than your friends), musicalmente ela acaba sendo a menos interessante deste trabalho.

"Breath" não é a última música do álbum, mas deixei prá falar dela no final porque essa canção me intriga muito. Há alguma coisa nela que me incomoda - talvez os vocais "cuspidos" por Bono nas estrofes - mas ao mesmo tempo há também uma grandiosidade velada no seu arranjo - do ritmo tribal da bateria no início, passando pelo riff simples mas eficaz da guitarra e especialmente no refrão que desafa I can breathe! Ou então no maravilhoso trecho da letra que diz: We are people borne of sound. Yes, Bono, we are!

Afinal, No Line On The Horizon traz alguma novidade para a discografia do U2? Sim. E embora não represente exatamente uma "revolução" ou "ousadia" na sonoridade da banda, como fizeram em outras épocas suas obras-primas The Joshua Tree e Achtung Baby, ele se mostra mais como uma evolução dos últimos álbuns, pontuada pela experiência adquirida em seus mais de trinta anos de carreira. Um amadurecimento das propostas musicais deles para os anos 2000s. Neste contexto, sim, ele pode ser considerado o melhor disco do U2 na década. E superar a si mesmo já é meio caminho andado para assegurar mais uma vez o posto de melhor banda do planeta.

31/12/2008

O melhor de 2008

Chega o final do ano e, como de praxe, saem diversas listas dos "melhores" discos lançados. Um resumo bem legal do que as revistas e sites especializados elegeram como o melhor do pop/rock/alternativo/indie em 2008 foi feito pelo blog Rock On e eu reproduzo abaixo.


Q
50 albums de 2008

10. Nick Cave & The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
9. The Raconteurs - Consolers Of The Lonely
8. Elbow - The Seldom Seen Kid
7. TV On The Radio - Dear Science
6. Duffy - Rockferry
5. Glasvegas - Glasvegas
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
3. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
1. Kings Of Leon - Only by the Night


Uncut
50 albums de 2008

10. Paul Weller - 22 Dreams
9. Kings Of Leon - Only by the Night
8. Nick Cave & The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
7. Neon Neon - Stainless Style
6. Elbow - The Seldom Seen Kid
5. Vampire Weekend - Vampire Weekend
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
3. TV On The Radio - Dear Science
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
1. Portishead - Third


Paste
50 albums de 2008

10. Deerhunter - Microcastle
9. Lucinda Williams - Little Honey
8. Sun Kil Moon - April (part1 part2)
7. Girl Talk - Feed the Animals
6. Fleet Foxes - Fleet Foxes
5. Okkervil River - The Stand Ins
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
3. Vampire Weekend - Vampire Weekend
2. Sigur Rós - Med sud i eyrum vid spilum endalaust
1. She & Him - Volume One


Rolling Stone
50 albums de 2008

10. Vampire Weekend - Vampire Weekend
9. Metallica - Death Magnetic
8. Beck - Modern Guilt
7. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
6. Santogold - Santogold
5. John Mellencamp - Life, Death, Love & Freedom
4. My Morning Jacket - Evil Urges
3. Lil Wayne - Tha Carter III
2. Bob Dylan - Tell Tale Signs:The Bootleg Series Vol. 8 (part1 part2 part3)
1. TV on the Radio - Dear Science


NME
50 albums de 2008

10. Friendly Fires - Friendly Fires
9. Kings Of Leon - Only By The Night
8. Mystery Jets - Twenty One
7. Santogold - Santogold
6. Metronomy - Nights Out
5. Foals - Antidotes
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
3. Glasvegas - Glasvegas
2. TV On The Radio - Dear Science
1. MGMT - Oracular Spectacular


Mojo
50 albums de 2008

10. Neil Diamond - Home Before Dark
9. The Bug - London Zoo
8. The Week That Was - The Week That Was
7. Glasvegas - Glasvegas
6. The Hold Steady - Stay Positive
5. Nick Cave & The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
3. Paul Weller - 22 Dreams
2. The Last Shadow Puppets - The Age of the Understatement
1. Fleet Foxes - Fleet Foxes


Spin
40 albums de 2008

10. MGMT - Oracular Spectacular
9. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
8. Hot Chip - Made In The Dark
7. Deerhunter - Microcastle
6. Santogold - Santogold
5. Fleet Foxes - Fleet Foxes
4. Fucked Up - The Chemistry Of Common Life
3. Portishead - Third
2. Lil Wayne - Tha Carter III
1. TV On The Radio - Dear Science


Blender
33 albums de 2008

10. Fall Out Boy - Folie A Deux
9. Vampire Weekend - Vampire Weekend
8. Randy Newman - Harps And Angels
7. Of Montreal - Skeletal Lamping
6. Robyn - Robyn
5. Hot Chip - Made In The Dark
4. Metallica - Death Magnetic
3. TV On The Radio - Dear Science
2. Girl Talk - Feed the Animals
1. Lil' Wayne - Tha Carter III


Filter
10 albums de 2008

10. The Dears - Missiles
9. Cut Copy - In Ghost Colors (part1 part2)
8. M83 - Saturdays = Youth
7. She and Him - Volume One
6. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
5. Foals - Antidotes
4. TV On The Radio - Dear Science
3. Dr. Dog - Fate
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
1. MGMT- Oracular Spectacular


Last.fm
10 albums de 2008

10. Med sud i eyrum vid spilum endalaust - Sigur Rós
9. Sleep Through The Static - Jack Johnson
8. Made In The Dark – Hot Chip
7. Narrow Stairs - Death Cab For Cutie
6. Konk – The Kooks
5. We Started Nothing – The Ting Tings
4. Ghosts I-IV (I-II-III-IV) – Nine Inch Nails
3. Third - Portishead
2. Oracular Spectacular - MGMT
1. Viva La Vida Or Death And All His Friends - Coldplay


iTunes
5 albums de 2008

5. Sara Bareilles - Little Voice
4. Lil Wayne - Tha Carter III
3. Juno - Soundtrack
2. Jack Johnson - Sleep Through The Static
1. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends


Particularmente, senti falta de vários discos nestes Top 10, por isso resolvi eleger também os meus 10 melhores lançamentos do ano para corrigir algumas falhas. E também porque muitas das novidades que aparecem acima - Fleet Foxes, TV on the Radio, Bon Iver, Deerhunter... - simplesmente não me despertaram tanto interesse assim e cederam lugar facilmente a outras bandas com mais "tempo de estrada", como o R.E.M. e o seu quase impecável Accelerate. As exceções ficam por conta do interessante Vampire Weekend e do excelente disco do Little Joy, parceria entre o ex-Hermanos Rodrigo Amarante, e do baterista do Strokes, Fabrizio Moretti.

Sendo assim, eis o meu Top 10 (listados em ordem alfabética):

Accelerate (R.E.M.)
Baboon Strength (Charlie Hunter)
Consolers Of The Lonely (The Raconteurs)
Forth (The Verve)
Little Joy (Little Joy)
Lucky (Nada Surf)
Only By The Night (Kings Of Leon)
Vampire Weekend (Vampire Weekend)
Viva La Vida or Death and All His Friends (Coldplay)
Warpaint (The Black Crowes)

Que, como de praxe também, pode ser que esteja diferente daqui a alguns meses... ;-)

FELIZ 2009!

11/12/2008

A Love Supreme (I): Bono & John Coltrane

"So I'm back in my hotel room
With John Coltrane and the Love Supreme."

(U2, Bullet The Blue Sky)


Após uma espera de 6 anos (!) - que pode ser comprovada por este antigo post do blog - a editora Barracuda finalmente editou no Brasil o A Love Supreme: A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane, que eu comecei a ler este mês. O livro foi escrito pelo ótimo jornalista musical Ashley Kahn, que também é autor do Kind of Blue – A História da Obra-prima de Miles Davis - o qual recomendo a leitura igualmente.

Bom, a minha relação com este que é considerado um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, surgiu ao ouvir o Bono, do U2, citá-lo na versão da música "Bullet The Blue Sky" que está no disco Rattle And Hum, de 1988. Desde então, sempre tive curiosidade de escutá-lo, mas numa época em que ainda não haviam mp3s, muito menos com a facilidade de encontrá-los na internet, tive que esperar um bom tempo até conseguir comprar um CD importado de A Love Supreme, isto há cerca de uns doze anos atrás.

Eu era completamente leigo quanto ao jazz, e da importância de Coltrane para a música norte-americana. Porém, após duas ou três audições do CD, fiquei incrivelmente convencido da genialidade, da profundidade, da relevância daquela obra-prima. E principalmente, do motivo porque Bono citava ela em uma música de um disco que tem por background a América: era a espiritualidade que permeava todo o trabalho do saxofonista, com a mesma intensidade que Bono imprime às canções do U2, em especial no The Joshua Tree, a obra-prima do U2 lançada em 1987.

E a prova dessa relação entre Bono e Coltrane, é citada logo na introdução do livro de Kahn, num depoimento enviado ao autor, através de email em 3 de novembro de 2001, exemplificando a influência do disco clássico sobre a música em geral, inclusive o rock:

"Bono, vocalista do U2, conta uma história através da qual consegui uma explicação atual para o apelo universal de Coltrane – e do álbum:

'Eu estava na cobertura do Grand Hotel em Chicago [na turnê de 1987] ouvindo A Love Supreme e aprendendo uma lição para toda a vida. Pouco antes, estava vendo televangelistas recriarem Deus à sua própria imagem: pequenos, mesquinhos e gananciosos. A religião se tornou uma inimiga de Deus, pensei... a religião foi o que veio quando Deus, assim como Elvis, deixou o recinto. Sei bem, desde que me conheço por gente, que o mundo se encaminhava em uma direção longe do amor, e eu também me deixava levar por isso. Existe muita maldade nesse mundo, mas a beleza é o nosso prêmio de consolação... a beleza da voz rouca de John Coltrane, seus sussurros, sua sabedoria, sua sexualidade dissimulada, seu louvor à criação. E assim Coltrane passou a fazer sentido para mim. Deixei o disco no modo de repetição e fiquei acordado ouvindo um homem encarar Deus com o dom de sua música.'" (p. 23)


Para algumas pessoas esse trecho do livro pode ser apenas uma mera curiosidade. Para mim foi muito revelador, pois considero que A Love Supreme está para John Coltrane assim como The Joshua Tree está para o U2. São discos que representam fielmente seus criadores, são a essência deles, se confundem com eles. E ambos estão na minha lista de TOP 5 discos essenciais.

Não canso de repetir: quem tiver acesso a esse disco, ouça! Pode soar "estranho" pela primeira vez a quem não está acostumado ao jazz, especialmente ao estilo de Coltrane, mas com o tempo se consegue perceber a beleza dessa suíte composta em louvor e gratidão a Deus.

Mais detalhes sobre o livro num próximo post!

11/11/2008

R.E.M. - Estádio do São José - 06/11/2008


Por fim eu pude conferir ao vivo uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos, e que apesar dos seus mais de 25 anos de carreira, figura entre os poucos "sobreviventes" do guitar rock dos anos 80 que ainda está em plena atividade - e não apenas da exploração seus antigos sucessos. O R.E.M. subiu no palco montado sobre o gramado do estádio do São José (o Zequinha Stadium, como ficará conhecido a partir de agora), pontualmente às 22h da quinta-feira passada, após a abertura da banda gaúcha Nenhum de Nós.

Sem bajulação, Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e os músicos de apoio apresentaram um dos melhores shows do ano em Porto Alegre. Combinando com o mais recente CD deles, Accelarate, o set list deu preferência para as músicas mais "pegadas" da banda - do disco Monster, por exemplo, entraram três, sendo que "Let Me In" recebeu uma linda versão, num momento "roda de violão" dos músicos no palco. Da fase mais antiga, "Cuyahoga" rendeu outro momento muito bonito. Até mesmo uma improvável "Ignoreland", do Automatic For The People, foi tocada. Mas é claro que os hits mais conhecidos da banda estiveram presentes também: "The One I Love", "It's The End Of The World...", "Losing My Religion", "Everybody Hurts", "Man On The Moon", "Imitation Of Life" e o mais recente, "Supernatural Superserious".

Michael Stipe demonstrou muito carisma no palco, com total controle do espetáculo. Sem falar do entusiasmo demonstado por ele devido a vitória de Barack Obama - foi o primeiro show da banda após a eleição presidencial norte-americana e eles não deixaram a galera esquecer a importância desse fato. O som no "Zequinha Stadium" estava ótimo também, dando prá entender perfeitamente tudo o que ele falou. Peter Buck, apesar da presença mais discreta no palco, executou com precisão os riffs que tão bem caracterizam as músicas do R.E.M. E no final, o baixista e tecladista Mike Mills, último a sair do palco, vestido com a camiseta da seleção brasileira, agitou uma grande bandeira do Brasil em uma melancólica despedida ao show de 2h de duração.

Posso me dar por satisfeito por já ter assistido ao vivo as duas melhores bandas do planeta em atividade (U2, em 2006, e agora, R.E.M.). Mas é certo que uma vez apenas ainda é pouco. Já estou com saudades.

18/08/2008

David Byrne & Brian Eno

Ouça o novo trabalho dos caras aqui!

28/07/2008

O filme do ano?

Nos últimos tempos, poucos filmes fizeram por merecer o hype criado em torno deles antes do seu lançamento. Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) consegue se incluir nesse grupo tranqüilamente. A obra de Christopher Nolan, não apenas mantém o nível do primeiro filme, Batman Begins, como o supera em diversos aspectos (desenvolvimento do roteiro, desempenho do elenco, caracterização dos personagens e seus conflitos).

O grande mérito, muitos dirão com razão, foi devido a introdução do rival mais insano e perigoso do homem-morcego: o Coringa. Não apenas por causa do personagem, mas pela correta escolha do ator. Interpretado com precisão por Heath Ledger (falecido em janeiro deste ano por uma overdose de medicamentos), o Coringa é bem mais psicótico e emblemático que aquele palhaço evasivo criado por Jack Nicholson na versão de Tim Burton. Capaz de causar um desconforto no público cada vez que entra em cena; a cada momento em que ele surge, paira no ar a expectativa de que algo terrivelmente ruim vai acontecer. E mesmo quando se encontra aparentemente subjugado, essa sensação não se desfaz. Despertando, como o próprio Coringa deseja, o nosso pavor ante ao caos que ele está sempre prestes a desencadear.

Já o Bruce Wayne/Batman de Christian Bale, mesmo explorando seu lado mais sombrio e questionador - ao colocar em dúvida seu papel de "justiceiro acima-da-lei" -, não chega a transmitir a mesma impressão, sendo muitas vezes ofuscado pela performance de Ledger e do outro personagem apresentado na trama, o promotor Harvey Dent/Duas-Caras, de Aaron Eckart. Como consolo para o herói, restam as ótimas cenas de ação, em especial aquelas em que ele realiza vôos de tirar o fôlego ou na perseguição muito bem filmada pelas ruas de Gotham City.

A longa duração do filme não chega a compromter o resultado, nem mesmo a pequena queda de ritmo que ocorre na última meia hora, quando surge o Duas-Caras. Este é definitivamente um filme do Coringa, desde a cena em que se apresenta numa reunião de mafiosos até seu embate final contra o Batman. Resenhas e bilheterias até o momento, dão conta de que críticos e público já elegeram O Cavaleiro das Trevas o melhor filme do ano. Eu vou mais além e considero como uma das melhores adaptações de HQs de heróis já realizada. Imperdível.

18/07/2008

Três primeiros remasterizados

Boy (1980), October (1981) e War (1983), os três primeiros álbuns do U2, foram remasterizados e serão lançados em 21 de julho, dando sequência ao lançamento do The Joshua Tree remasterizado, no ano passado.

Todos os três foram remasterizados a partir das fitas de áudio originais. Os álbuns virão em três formatos - um único CD remasterizado, uma edição de luxo incluindo CDs bônus com lados-B, faixas ao vivo e raridades, e uma versão em LP prensada em vinil virgem de 180gm. Um livreto de 16 páginas trará fotos inéditas, letras e notas de Paul Morley. The Edge, guitarrista da banda, também contribuiu com algumas notas sobre o material bônus.


"Speed of Life", "Saturday Night" e "Cartoon World" estão entre as faixas raras e nunca lançadas que estarão disponíveis agora na nova edição do primeiro álbum da banda, Boy.


Gravações ao vivo raras no Hammersmith Palais, em Londres, no Paradise Theatre, em Boston e sessões na rádio BBC com Richard Skinner serão mostradas agora no disco bônus de October.


A inédita "Angels Too Tied To The Ground" e os lados-B raros "Treasure (Whatever Happened to Pete the Chop)" e "Endless Deep" foram incluídos na edição de War.

Fonte: U2.com

09/07/2008

Sentido Inverso

"A Sentido Inverso abre seu caminho com um primeiro disco, no mínimo, verdadeiro (...) nos pega pelo que há de mais simples na música: vai direto ao coração."

Até hoje, eu sempre preservei este blog de comentários a respeito de meu projeto paralelo, a banda Sentido Inverso. Como neste mês finalmente o nosso CD de estréia foi lançado e já está à venda, resolvi abrir uma exceção e comentar sobre ele aqui. Então, reproduzo abaixo a resenha gentilmente feita pelo Daniel Soares, colunista do caderno Arte&Agenda, do Correio do Povo, para a banda e o CD.



AINDA DÁ PRA FALAR DE AMOR NO ROCK?

Na minha atividade como jornalista, certa vez recebi um release de uma banda que dizia algo como “não somos nem queremos ser a salvação do rock”. Na época achei apenas engraçadinho, já que toda a crítica mundial se deleitava com a chegada do The Strokes, então tida como essa “salvação”, mas depois passei a pensar sobre a questão. Será mesmo que o rock um dia precisou ser salvo? Particularmente acho que o rock se perdeu quando passou a falar de amor. Enquanto ele era apenas diversão, estaria não salvo, mas a salvo dos questionamentos interiores de quem o cantava. E o rock virou um verdadeiro inferno de possibilidades, ainda bem, porque ele nasceu pra isso. Vindo do blues como ele veio, tinha que guardar essa pontinha de sofrimento, de angustia, do tom questionador. Isso foi só uma introdução para dizer que falar de amor em rock é muito difícil. É um sofrimento duplo: um pela exposição poética, geralmente autobiográfica; outro, pela visceralidade que a música vai exigindo, até mesmo numa simples balada de três notas.

A banda que lhes apresento, Sentido Inverso, com certeza não veio pra salvar o rock; nem pra ser a queridinha do momento estampando capas de revistas teen, dando receitas de como “ficar” com as meninas de sua galera; não se enfiou em terninhos justos e assumiu uma atitude blasé; não se fez de engraçadinha para ganhar a simpatia dos programas de TV; não lançou moda em cabelos desgrenhados; e não fez qualquer mistura mirabolante em busca de uma impossível formula inédita de se fazer rock. A Sentido Inverso abre seu caminho com um primeiro disco, no mínimo, verdadeiro.


Um pouco de história não faz mal a ninguém

Não há boa banda (e até as ruins), que não tenha nascido numa garagem, no quarto de alguém, no recreio da escola ou faculdade e, claro, que não tenha nascido para tocar, primeiro, músicas dos outros. É o ritual de fogo de todas. A Sentido Inverso nasceu em 1999 como Quadro Vivo, comandada pelos irmãos Giovani e Fernando Quadros, bateria e guitarra e voz, respectivamente. Em 2005 resolveram mudar a proposta e o nome da banda. Chamam Daniel Olsson para a outra guitarra e, um ano depois, Rodrigo Silveira assume o contrabaixo. Nasce então a Sentido Inverso. Sem esconder as influencias de nomes como R.E.M, U2 e Legião Urbana, apostam também no chamado pop rock pós-punk.


O disco

Os preparativos para o primeiro registro da banda tiveram início ainda em 2006 e as gravações aconteceram no estúdio Music Box, com a assinatura de Alexandre Birck (Graforréia Xilarmônica e DeFalla) na gravação e masterização do trabalho, além de Fabiano Penna na mixagem. O álbum abre com Explica, balada rocker onde a poesia de Fernando Quadros, principal compositor, indo direto ao ponto com versos como me explica a sensação / de não mandar no coração, não deixa dúvidas do tom confessional do trabalho. Em “...” (assim mesmo, reticiências), um desabafo de uma relação em que não se consegue medir a intensidade, como aquela música que causa arrepio, que traz lembranças que se quer e não quer ter, como a eterna inquietude do ser humano, ampliada em (Re)Começo, em Em Paz e que encontra eco em Amor por um Triz, com refrão pesado da dobradinha teclado/guitarra. Mudando completamente o sentido (sem trocadilhos), Saída chega mais pop do que qualquer outra, com direito a vocal tirado de um megafone; Em Cada Parte do Céu pode até lembrar Legião (Fernando tem um registro vocal semelhante ao de Renato Russo), mas tem nome e sobrenome e endereço certo: foi feita para os corações inquietos. Fernando assina todas as outras composições do álbum (Me Deixe e Até Mais), com exceção de Naufrágos, Saída e Outra Noite, que levam a marca do guitarrista Daniel Olsson, instrumentista econômico, que sabe usar a parafernália de efeitos e que não faz uso de solos intermináveis, tudo na medida certa, dialogando com a precisão da bateria e do baixo e com as incursões de Fernando no teclado.

O tom confessional da Sentido Inverso nos pega pelo que há de mais simples na música: vai direto ao coração, sem atravessadores, sem clichês do romantismo raso, da rima “amor com flor”; vai direto pelas vias certas, sem querer salvar o rock, sem dar novo sentido ao que não tem outro, provando que falar de amor também é dom de roqueiro.

Daniel Soares
Jornalista

24/06/2008

Accelerate - R.E.M.

Um dos chavões mais utilizados (e irritantes) que conheço ao se falar sobre uma banda que está na estrada há muito tempo é, em determinado momento, dizer que ela "retornou às origens". É irritante porque em geral esse comentário advém de uma percepção errada ou muito superficial sobre o trabalho do artista. As poucas bandas com mais de vinte anos de carreira que conheço só estão esse tempo todo mostrando algo relevante para o seu público ainda justamente porque se reinventam continuamente e jamais voltam a trilhar os mesmos caminhos passados. E nesse caso, incorporar sonoridades do passado também é uma maneira de honrá-lo e sugerir novos caminhos.

Toda essa introdução é só para falar sobre o último CD do R.E.M., Accelerate (Warner, 2008). O modo mais fácil de apresentar esse disco seria dizer apenas: "eles retornaram às origens". Mas eu vejo uma banda com quase trinta anos de carreira reinventar-se, incorporando dois momentos distintos de sua trajetória sem repetir-se na verdade.

Accelerate combina a energia dos early years do quarteto de Athens com a fúria de guitarras de Monster, de 1994. Antes sobrava certa ingenuidade, mas faltava agressividade. Quando a maturidade chegou (após o multi-platinado Out Of Time e a obra-prima Automatic For The People) talvez tenham exagerado na dose de distorção das guitarras. A saída do baterista Bill Berry, em 1997, apenas postergou esse equilíbrio, produzindo três discos no sentido oposto, carregados de melancolia (Up, Reveal e Around The Sun). Pode ser que Berry estivesse fazendo falta mesmo até então.

O velho e o novo R.E.M. se encontram logo nas faixas que abrem o CD: o riff de guitarra e a urgência do vocal de "Living Well Is The Best Revenge" lembram os tempos de "These Days", ou "It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)", mas com o furor de uma "What's The Frequency, Kenneth?". E na seqüência, as ótimas "Man-Sized Wreath", "Supernatural Superserious" e "Hollow Man", seguindo a mesma fórmula, compõem um dos melhores inícios de discos da banda.

Enquanto parecia que Michael Stipe (vocal), Peter Buck (guitarras) e Mike Mills (baixo e teclados) tinham criado um outro R.E.M. nos trabalhos anteriores, cujo estilo ainda comparece na bela "Until The Day Is Done", essa impressão se desfaz ao se ouvir a faixa-título, ou "Mr. Richards", ou "Horse To Water". Infelizmente, quando já se está embalado por esse R.E.M. revitalizado, o CD termina inexplicavelmente aos 34 minutos! Mas nada que um "repeat" no CD player não resolva.

A exemplo do Guardian, que colocou o álbum entre os 10 essenciais do ano, eu reitero: Accelerate tem lugar reservado entre os melhores de 2008.

07/06/2008

Radiohead: The Best Of

05/06/2008

Playlist: The Kinks

Você provavelmente já ouviu diversas versões de canções do Kinks sem saber que eram deles; ou escutou eles próprios em alguma trilha sonora de filme, sem associar a música à banda; mas talvez nunca tenha ouvido um disco inteiro deles. Ao menos comigo foi assim. Dando continuidade a essa minha fase "revisitando os 60s", fui conferir a coletânea You Really Got Me: The Very Best of the Kinks (Edel, 1994).



O Kinks é uma banda da chamada "invasão britânica" que sempre existiu à sombra dos Beatles. Nada mais injusto, pois basta listar alguns dos seus clássicos para concluir que sua influência no rock é legítima. Mas como a sonoridade lembrava muito os seus conterrâneos de Liverpool - assim como 90% das bandas dá época -, acabaram ficando em segundo plano. Quer tirar a prova? Aqui vão alguns exemplos: começando com o seu hit mais famoso, "You Really Got Me" (recentememente eleita pela Rolling Stone, como um das 100 melhores músicas com guitarra e que possui uma versão avassaladora do Van Halen), "Louie, Louie", "Dedicated Follower of Fashion" (que está na trilha sonora do filme In The Name Of The Father); "Everybody's Gonna Be Happy" (no filme High Fidelity), "Lola" e "Days" (que Elvis Costello fez uma bonita versão para o filme Until The End Of The World, do Win Wenders).

Misturando R&B, folk e blues, o típico rock dançante sessentista do Kinks me agradou bastante. Infelizmente essa coletânea dupla com 38 músicas foi lançada apenas na Alemanha, então o jeito é se contentar com a única que encontrei por aqui, que leva o mesmo nome, mas com apenas um CD.

31/05/2008

Revista elege as '100 melhores músicas com guitarra'

A revista americana "Rolling Stone" fez uma lista das "100 melhores músicas com guitarra" de todos os tempos.

As músicas escolhidas têm todos os ingredientes para o bom e velho rock 'n' roll, que segundo a publicação são: "um riff irresistível, um solo que te leva às alturas toda vez que você o ouve e uma melodia que faz você ouvir a música várias e várias vezes".

A "Rolling Stone" afirma ainda que todas as canções escolhidas têm "apetite, fúria, desespero, felicidade, tudo ao mesmo tempo em seus acordes".

No topo da lista está "Johnny B. Goode", de Chuck Berry (1958), seguida por "Purple Haze" de Jimi Hendrix (1967).

Confira abaixo a lista dos 20 primeiros e a lista completa aqui.

1- "Johnny B. Goode" - Chuck Berry (1958)
2- "Purple haze" - The Jimi Hendrix Experience (1967)
3- "Crossroads" - Cream (1968)
4- "You really got me" - The Kinks (1964)
5- "Brown sugar" - The Rolling Stones (1971)
6- "Eruption" - Van Halen (1978)
7- "While my guitar gently weeps" - The Beatles (1968)
8- "Stairway to heaven" - Led Zeppelin (1971)
9- "Statesboro blues" - The Allman Brothers Band (1971)
10- "Smells like teen spirit" - Nirvana (1991)
11- "Whole lotta love" - Led Zeppelin (1969)
12- "Voodoo child (Slight return)" - The Jimi Hendrix Experience (1968)
13- "Layla" - Derek and the Dominos (1970)
14- "Born to run" - Bruce Springsteen (1975)
15- "My generation" - The Who (1965)
16- "Cowgirl in the Sand" - Neil Young with Crazy Horse (1969)
17- "Black Sabbath" - Black Sabbath (1970)
18- "Blitzkrieg Bop" - Ramones (1976)
19- "Purple Rain" - Prince and the Revolution (1984)
20- "People Get Ready" - The Impressions (1965)

Fonte: Redação Yahoo! Notícias