ALL THAT JAZZ (1994 Blue Note / Capitol CDP-7243-8-27765-2-9) John Scofield nasceu em 26/12/1951, em Dayton/OH (EUA). Junto com Pat Metheny [1954- ] e Bill Frisell [1951- ] é um dos grandes guitarristas de Jazz da atualidade. Eu incluiria nesta lista o meu favorito, George Benson [1943- ], mas este já abandonou a trilha jazzística há mais tempo, para fazer fama e dinheiro no mundo pop. Dono de um estilo meio funk-rock, Scofield é um grande improvisador no jazz, cuja música se situa entre o post-bop, fusion e soul jazz. Scofield iniciou cedo os seus estudos de guitarra, ainda no colegial (high school) e, entre 1970-73, enquanto estudava, tocava pelos arredores de Boston. Ele já tocou com grandes nomes do jazz: Gerry Mulligan e Chet Baker (no Carnegie Hall), a banda de Billy Cobham-George Duke, Charles Mingus, o quarteto de Gary Burton, o quinteto de Dave Liebman e também Miles Davis (entre 1982-85). Seus primeiros trabalhos solo foram meio orientados ao funk. Gravou álbuns com Charlie Haden, Jack DeJohnette, Joe Lovano, e Eddie Harris. Entre funk (tocou com Medeski, Martin & Wood) e jazz tradicional, ultimamente tem-se dedicado ao fusion ("Up All Night", 2003; "Uberjam", 2002), em trabalhos mais "cerebrais" como o álbum "EnRoute" [2004]. Pat Metheny nasceu em 12/08/1954, em Lee's Summit, MO (EUA). É certamente um dos mais consagrados e originais guitarristas de jazz da atualidade, dono de um estilo imediatamente reconhecível. Suas gravações com o Pat Metheny Group são meio difíceis de classificar (folk-jazz? mood music?), mas a sua música soa original e acessível. Metheny fica no limite entre Jazz e Pop, de tal forma que mantém uma grande base de fãs sem ganhar o repúdio da crítica especializada (ao contrário de George Benson que é astigmatizado pela crítica por tocar - e, pior, cantar bem - música pop). Pat Metheny inicou cedo na guiatarra - aos 13 anos - desenvolvendo rapidamente os seus estudos nas Universidades de Miami e Berklee (Scofield também estudou em Berklee). A sua gravação de estréia foi com Paul Bley e Jaco Pastorius, em 1974. Segue-se um período importante, no qual toca com o grupo de Gary Burton. Em 1978 forma o seu próprio grupo, junto com Lyle Mays nos teclados, o baixista Mark Egan, e Dan Gottlieb na bateria. Em seus vários projetos, Metheny contracenou com ilustres nomes do jazz, tais como Dewey Redman e Mike Brecker ("80/81", 1980), Charlie Haden e Billy Higgins (1983), Ornette Coleman ("Song X", 1985), Sonny Rollins, Herbie Hancock (tour em 1990), Dave Holland e Roy Haynes, e Joshua Redman (álbum e tour). Neste álbum, de 1994, é a primeira vez que estes dois gigantes se encontram, e, como não podia deixar de ser, o resultado é excelente. Embora sejam artistas com estilos diferentes (dizem que Scofield teve que comprar um violão [acustic guitar] para este ábum, pois ele não tocava nada acústico) a música e as interpretações são irrepreensíveis. No entanto, parece que em alguns momentos falta a energia de um esperado "duelo" entre as duas feras da guitarra. Embora Scofied esteja num degrau abaixo de Metheny, ele não faz feio, mas não existe dúvida que os melhores solos são de Metheny, e, por ele não se sentir desafiado, entrega algumas músicas com uma competência protocolar. O álbum inicia meio morno, com a faixa título "I Can See Your House from Here", mas logo em seguida a coisa esquenta com "The Red One", uma das melhores faixas do álbum, onde Metheny dá um show à parte (pena que o álbum não mantenha este ritmo sempre). Destaques para "Everybody's Party" onde as guitarras soam em uníssono e parecem um único instrumento e você só percebe que são duas quando, vez por outra, uma delas toca alguma nota diferente. Baixo e bateria completam uma brilhante interpretação. Segue-se a bela e acústica "Message to my Friend" e, "Say the Brother's Name", onde as guiatarras soam como almas gêmeas. O ritmo aumenta mais para o final, com Scofield dando o recado em "One Way to Be" e, logo em seguida, o álbum encerra magnificamente com "You Speak My Language". Além dos dois grandes músicos, o ritmo é sustentado de maneira brilhante por Steve Swallow (baixo elétrico & acústico/ eletric & acoustic bass guitar) e Bill Stewart (bateria/drums). Uma dica fornecida no próprio disco: a guiatarra de Scofield é mais destacada no canal esquerdo enquanto a de Metheny fica mais no canal direito. Acompanha um livreto com 3 páginas de fotos, créditos das músicas e os agradecimentos usuais. Muito pouco para o padrão da dupla. O resultado final é extremamente agradável e o álbum merece repetidas audições para percebermos todas as nuances das interpretações destes dois magníficos artistas. Altamente recomendado! J.T. Cevallos, 25/07/04. = JTC/jtc = |
24 de out. de 2004
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