31 de mar. de 2006

Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall

ALL THAT JAZZ

Thelonious Monk Quartet with John Coltrane / At Carnegie Hall
(2005 – Blue Note)
Em fevereiro do ano passado, enquanto manuseava alguns rolos de fita da coleção Voice Of America aguardando para serem digitalizados, Larry Appelbaum, supervisor do laboratório de gravação da Biblioteca do Congresso, acabou descobrindo o registro da única apresentação do quarteto do pianista Thelonious Monk no Carnegie Hall, em 29 de novembro de 1957, contando então com a presença de um saxofonista em ascenção na época chamado John Coltrane.

A gravação ocorreu semanas depois das memoráveis apresentações no Five Spot, em Nova York, e algum tempo antes de Coltrane deixar o quarteto para seguir em carreira solo e lançar a sua obra-prima Blue Train (antes e durante esse período ele ainda participaria do famoso quinteto de Miles Davis, do qual já falei anteriormente). Infelizmente esse encontro durou pouco menos de um ano, mas o suficiente para torná-lo o mais brilhante de todos os tempos na história do jazz.

Os dois gigantes, acompanhados por Ahmed Abdul-Malik (baixo) e Shadow Wilson (bateria), fazem jus a sua genialidade nesta apresentação memorável, cuja interação parece desafiar ora um, ora outro, em se superarem na execução dos solos. Em Monk's Mood Monk introduz o seu piano com tal sutileza que o tema da música parece nunca ganhar forma. Até que então Coltrane com seus padrões modais assume o controle aos poucos e estabelece o diálogo entre ambos. Seguem-se outras performances magníficas em Nutty, Epistrophy, Bye-Ya e Blue Monk, em que os temas básicos são extrapolados numa aula de improvisação. Mas é na execução das faixas mais lentas, como Crepuscle with Nellie e Sweet & Lovely, que piano e sax elevam o ouvinte e proporcionam momentos de sublimação só encontrados no jazz, em especial quando duas divindades resolvem presentear meros mortais com uma pequena amostra do seu talento indiscutível.

Apesar da fonte da gravação ser análoga e monoaural, a qualidade não fica devendo nada a diversos registros ao vivo mais atuais, sendo inclusive muito superior ao CD já lançado da apresentação no Five Spot. Como apreciador do jazz e fã de Coltrane, não podia deixar de adicioná-la à minha coleção de clássicos do gênero e recomendá-lo como um dos melhores lançamentos dos últimos anos. Uma obra-prima encapsualda há quase cinqüenta anos atrás, mas definitivamente atemporal.