24 de jun. de 2008

Accelerate - R.E.M.

Um dos chavões mais utilizados (e irritantes) que conheço ao se falar sobre uma banda que está na estrada há muito tempo é, em determinado momento, dizer que ela "retornou às origens". É irritante porque em geral esse comentário advém de uma percepção errada ou muito superficial sobre o trabalho do artista. As poucas bandas com mais de vinte anos de carreira que conheço só estão esse tempo todo mostrando algo relevante para o seu público ainda justamente porque se reinventam continuamente e jamais voltam a trilhar os mesmos caminhos passados. E nesse caso, incorporar sonoridades do passado também é uma maneira de honrá-lo e sugerir novos caminhos.

Toda essa introdução é só para falar sobre o último CD do R.E.M., Accelerate (Warner, 2008). O modo mais fácil de apresentar esse disco seria dizer apenas: "eles retornaram às origens". Mas eu vejo uma banda com quase trinta anos de carreira reinventar-se, incorporando dois momentos distintos de sua trajetória sem repetir-se na verdade.

Accelerate combina a energia dos early years do quarteto de Athens com a fúria de guitarras de Monster, de 1994. Antes sobrava certa ingenuidade, mas faltava agressividade. Quando a maturidade chegou (após o multi-platinado Out Of Time e a obra-prima Automatic For The People) talvez tenham exagerado na dose de distorção das guitarras. A saída do baterista Bill Berry, em 1997, apenas postergou esse equilíbrio, produzindo três discos no sentido oposto, carregados de melancolia (Up, Reveal e Around The Sun). Pode ser que Berry estivesse fazendo falta mesmo até então.

O velho e o novo R.E.M. se encontram logo nas faixas que abrem o CD: o riff de guitarra e a urgência do vocal de "Living Well Is The Best Revenge" lembram os tempos de "These Days", ou "It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)", mas com o furor de uma "What's The Frequency, Kenneth?". E na seqüência, as ótimas "Man-Sized Wreath", "Supernatural Superserious" e "Hollow Man", seguindo a mesma fórmula, compõem um dos melhores inícios de discos da banda.

Enquanto parecia que Michael Stipe (vocal), Peter Buck (guitarras) e Mike Mills (baixo e teclados) tinham criado um outro R.E.M. nos trabalhos anteriores, cujo estilo ainda comparece na bela "Until The Day Is Done", essa impressão se desfaz ao se ouvir a faixa-título, ou "Mr. Richards", ou "Horse To Water". Infelizmente, quando já se está embalado por esse R.E.M. revitalizado, o CD termina inexplicavelmente aos 34 minutos! Mas nada que um "repeat" no CD player não resolva.

A exemplo do Guardian, que colocou o álbum entre os 10 essenciais do ano, eu reitero: Accelerate tem lugar reservado entre os melhores de 2008.

7 de jun. de 2008

Radiohead: The Best Of

5 de jun. de 2008

Playlist: The Kinks

Você provavelmente já ouviu diversas versões de canções do Kinks sem saber que eram deles; ou escutou eles próprios em alguma trilha sonora de filme, sem associar a música à banda; mas talvez nunca tenha ouvido um disco inteiro deles. Ao menos comigo foi assim. Dando continuidade a essa minha fase "revisitando os 60s", fui conferir a coletânea You Really Got Me: The Very Best of the Kinks (Edel, 1994).



O Kinks é uma banda da chamada "invasão britânica" que sempre existiu à sombra dos Beatles. Nada mais injusto, pois basta listar alguns dos seus clássicos para concluir que sua influência no rock é legítima. Mas como a sonoridade lembrava muito os seus conterrâneos de Liverpool - assim como 90% das bandas dá época -, acabaram ficando em segundo plano. Quer tirar a prova? Aqui vão alguns exemplos: começando com o seu hit mais famoso, "You Really Got Me" (recentememente eleita pela Rolling Stone, como um das 100 melhores músicas com guitarra e que possui uma versão avassaladora do Van Halen), "Louie, Louie", "Dedicated Follower of Fashion" (que está na trilha sonora do filme In The Name Of The Father); "Everybody's Gonna Be Happy" (no filme High Fidelity), "Lola" e "Days" (que Elvis Costello fez uma bonita versão para o filme Until The End Of The World, do Win Wenders).

Misturando R&B, folk e blues, o típico rock dançante sessentista do Kinks me agradou bastante. Infelizmente essa coletânea dupla com 38 músicas foi lançada apenas na Alemanha, então o jeito é se contentar com a única que encontrei por aqui, que leva o mesmo nome, mas com apenas um CD.