Quem já assistiu a um show do a-ha, sabe que eles não são exatamente uma banda com desenvoltura no palco - em especial Morten Harket, o vocalista, que dá sempre a nítida impressão de não estar muito à vontade diante da platéia. Mas quanto ao som tocado ao vivo, eles inegavelmente tem domínio completo sobre o que estão fazendo. A prova disso é o mais recente lançamento deles: How Can I Sleep With Your Voice In My Head - uma compilação de algumas apresentações do trio norueguês durante a turnê mundial do álbum Lifelines, a maioria delas na Wembley Arena, em Londres.
O título provém daquela que considero uma das melhores composições deles: The Swing Of Things, ainda da fase inicial e incluida neste álbum, assim como os grandes sucessos do grupo, num bom resumo da carreira. Segundo eles, o CD não possui overdubs, ou seja, você ouve exatamente o que foi tocado durante o show, sem instrumentos ou produção adicionais. Isto serve para reforçar sua capacidade em tornar algumas canções medianas de estúdio em poderosas (e, às vezes, mais "pesadas") canções ao vivo. Para tanto, algumas delas tiveram arranjos reinventados, como a chatinha Stay On These Roads, que ficou restringida à violão e teclado.
O a-ha, que após um longo período de ostracismo retornou em grande forma com os álbuns Minor Earth Major Sky (2001) e Lifelines (2002), tem mostrado um pop mais trabalhado, não totalmente direcionado às paradas. Mesmo assim, são sumariamente ignorados pelo mercado norte-americano. Se você gostava dos caras, não se intimide com isso, pois How Can I Sleep With Your Voice In My Head está realmente muito bom!
Confira os detalhes do CD aqui.
Gostaria de falar aqui a respeito dos mais recentes trabalhos de duas bandas com vocais femininos que além de muito interessantes guardam outras semelhanças. Prá começar, possivelmente estejam entre os melhores trabalhos de suas carreiras - na minha opinião - e, ao mesmo tempo, ajudam a livrá-las de um possível estigma de pop banal que uma música de grande sucesso no caminho possa ter associado a elas.
Minhas preferidas são: a doce Breathe Your Name, a lírica I've Been Waiting, a épica Eyes Wide Open e a delicada Tension Is a Passing Note.
Dizem as más línguas que nenhum dos shows mais recentes do Pink Floyd (Delicate Sound Of The Thunder e Pulse) foram lançados em DVD por causa do eterno desentendimento entre Roger Waters e o resto do grupo que, liderados por David Gilmour, assumiram o nome da banda após alguns contratempos judiciais. Mesmo que este não seja um dos motivos para que o guitarrista, a exemplo do próprio baixista, tenha lançado este David Gilmour in Concert, os fãs só têm a agradecer.
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