24 de mar. de 2003

Ao vivo é melhor?

Quem já assistiu a um show do a-ha, sabe que eles não são exatamente uma banda com desenvoltura no palco - em especial Morten Harket, o vocalista, que dá sempre a nítida impressão de não estar muito à vontade diante da platéia. Mas quanto ao som tocado ao vivo, eles inegavelmente tem domínio completo sobre o que estão fazendo. A prova disso é o mais recente lançamento deles: How Can I Sleep With Your Voice In My Head - uma compilação de algumas apresentações do trio norueguês durante a turnê mundial do álbum Lifelines, a maioria delas na Wembley Arena, em Londres.

O título provém daquela que considero uma das melhores composições deles: The Swing Of Things, ainda da fase inicial e incluida neste álbum, assim como os grandes sucessos do grupo, num bom resumo da carreira. Segundo eles, o CD não possui overdubs, ou seja, você ouve exatamente o que foi tocado durante o show, sem instrumentos ou produção adicionais. Isto serve para reforçar sua capacidade em tornar algumas canções medianas de estúdio em poderosas (e, às vezes, mais "pesadas") canções ao vivo. Para tanto, algumas delas tiveram arranjos reinventados, como a chatinha Stay On These Roads, que ficou restringida à violão e teclado.

O a-ha, que após um longo período de ostracismo retornou em grande forma com os álbuns Minor Earth Major Sky (2001) e Lifelines (2002), tem mostrado um pop mais trabalhado, não totalmente direcionado às paradas. Mesmo assim, são sumariamente ignorados pelo mercado norte-americano. Se você gostava dos caras, não se intimide com isso, pois How Can I Sleep With Your Voice In My Head está realmente muito bom!

Confira os detalhes do CD aqui.

17 de mar. de 2003


Gostaria de falar aqui a respeito dos mais recentes trabalhos de duas bandas com vocais femininos que além de muito interessantes guardam outras semelhanças. Prá começar, possivelmente estejam entre os melhores trabalhos de suas carreiras - na minha opinião - e, ao mesmo tempo, ajudam a livrá-las de um possível estigma de pop banal que uma música de grande sucesso no caminho possa ter associado a elas.

Sixpence None The Richer está no seu quarto álbum, Divine Discontent. Essa banda de Austin, Texas, estorou mundialmente com a canção Kiss Me do disco homônimo anterior, ultrapassando as barreiras do nicho da CCM (Contemporary Christian Music). Suas influências nítidas são 10.000 Maniacs, Cranberries e até um pouco de The Corrs. O novo CD, atrasado dois anos devido a problemas com o selo, é, na falta de palavra melhor, maduro. A pretensão cult do disco de 1997 (havia até uma canção para um poema de Pablo Neruda) foi substituida melodias e letras mais "pé-no-chão", explorando o que eles sabem fazer melhor: aquele pop agradável, bem arranjado e distante da banalidade. Leigh Nash continua transmitindo melancolia com a sua voz que beira a fragilidade, mas que de certa forma fica bem emoldurada pela instrumentação da banda. Minhas preferidas são: a doce Breathe Your Name, a lírica I've Been Waiting, a épica Eyes Wide Open e a delicada Tension Is a Passing Note.

Os suecos do Cardigans igualmente trazem na bagagem a bobinha Lovefool, do disco First Band on the Moon. Mas nesse novo Long Gone Before Daylight, eles mostram que podem elevar o pop à categoria de "música de cabeceira"(!). Acima de tudo, é um álbum tranqüilo, recheado de baladas e climas etéreos que extraem o melhor do vocal doce e encantado de Nina Persson. Alguns podem discordar quanto a inspiração das canções (confesso que não conheço toda carreira da banda, e esse já é o seu quinto disco), mas o conjunto me agradou muito, em especial Communication e Couldn't Care Less. Essas duas resumem bem o sentimento melancólico passado pelo o álbum como um todo. Mas os momentos mais alegres, como em For What It's Worth, também se destacam.

10 de mar. de 2003


Ecletismo acústico

Dizem as más línguas que nenhum dos shows mais recentes do Pink Floyd (Delicate Sound Of The Thunder e Pulse) foram lançados em DVD por causa do eterno desentendimento entre Roger Waters e o resto do grupo que, liderados por David Gilmour, assumiram o nome da banda após alguns contratempos judiciais. Mesmo que este não seja um dos motivos para que o guitarrista, a exemplo do próprio baixista, tenha lançado este David Gilmour in Concert, os fãs só têm a agradecer.

A apresentação no Royal Albert Hall Theater de Londres, quase que totalmente acústica, captura momentos íntimos e únicos de Gilmour, completamente despojado da parafernália que acompanhava os shows do Pink. E o repertório não podia ser mais eclético: de clássicos consagrados da banda (como a suíte Shine On You Crazy Diamond, dividida em dois momentos: um acústico e sem acompanhamento algum, a não ser pelo sax de Dick Parry; e outro mais elétrico e completo) a clássicos universais (a bela Je Crois Entendre Encore, de Bizet), passando por releituras de Syd Barret e Richard Thompson. Entre as participações especiais, estão Bob Geldof - o Pink do filme The Wall -, em Comfortably Numb, Richard Wright, cantando e tocando uma música de seu último disco, e Michael Kamen, ao piano. Os destaques da banda vão para a excelente violoncelista Caroline Dale e o coral, cujos arranjos preenchem perfeitamente as canções.

As performances de Gilmour valem cada centavo que você gastar neste DVD. Em especial os solos de Coming Back To Life, Comfortably Numb e Shine On You Crazy Diamond. Em outros momentos ele se destaca muito bem como cantor - Dimming of the Day e Hushabye Mountain.

Para os guitarristas, como eu, há ainda um extra muito interessante: Spare Digits, onde alguns dos solos de Gilmour são filmados em close, para facilitar o estudo de sua técnica.

No site oficial, você pode ter uma pequena amostra deste fantástico DVD.


6 de mar. de 2003

Disco dos Stone Roses é eleito melhor de todos os tempos

Os jornalistas do semanário inglês New Musical Express escolheram os 100 melhores discos de todos os tempos. O resultado é ligeiramente diferente da última vez em que eles compilaram a mesma lista, há dez anos, e deve deixar muita gente frustrada.

O álbum mais importante da história, para a publicação, é The Stone Roses, da banda inglesa de mesmo nome. Seguem-se Doolittle, do Pixies; Pet Sounds, dos Beach Boys (que liderou a lista prévia); Marquee Moon, do Television; e Revolver, dos Beatles.

O Strokes aparece na sexta posição com o disco Is This It?.

Confira a lista:
1. The Stone Roses - The Stone Roses
2. Pixies - Doolittle
3. The Beach Boys - Pet Sounds
4. Television - Marquee Moon
5. The Beatles - Revolver
6. Love - Forever Changes
7. The Strokes - Is This it
8. The Smiths - The Queen Is Dead
9. The Velvet Underground - The Velvet Underground & Nico
10. The Sex Pistols - Never Mind The Bollocks

A lista completa com os 100, sai na próxima edição da NME (5 de março).

Fonte: Terra Música e NME