17 de mar. de 2003


Gostaria de falar aqui a respeito dos mais recentes trabalhos de duas bandas com vocais femininos que além de muito interessantes guardam outras semelhanças. Prá começar, possivelmente estejam entre os melhores trabalhos de suas carreiras - na minha opinião - e, ao mesmo tempo, ajudam a livrá-las de um possível estigma de pop banal que uma música de grande sucesso no caminho possa ter associado a elas.

Sixpence None The Richer está no seu quarto álbum, Divine Discontent. Essa banda de Austin, Texas, estorou mundialmente com a canção Kiss Me do disco homônimo anterior, ultrapassando as barreiras do nicho da CCM (Contemporary Christian Music). Suas influências nítidas são 10.000 Maniacs, Cranberries e até um pouco de The Corrs. O novo CD, atrasado dois anos devido a problemas com o selo, é, na falta de palavra melhor, maduro. A pretensão cult do disco de 1997 (havia até uma canção para um poema de Pablo Neruda) foi substituida melodias e letras mais "pé-no-chão", explorando o que eles sabem fazer melhor: aquele pop agradável, bem arranjado e distante da banalidade. Leigh Nash continua transmitindo melancolia com a sua voz que beira a fragilidade, mas que de certa forma fica bem emoldurada pela instrumentação da banda. Minhas preferidas são: a doce Breathe Your Name, a lírica I've Been Waiting, a épica Eyes Wide Open e a delicada Tension Is a Passing Note.

Os suecos do Cardigans igualmente trazem na bagagem a bobinha Lovefool, do disco First Band on the Moon. Mas nesse novo Long Gone Before Daylight, eles mostram que podem elevar o pop à categoria de "música de cabeceira"(!). Acima de tudo, é um álbum tranqüilo, recheado de baladas e climas etéreos que extraem o melhor do vocal doce e encantado de Nina Persson. Alguns podem discordar quanto a inspiração das canções (confesso que não conheço toda carreira da banda, e esse já é o seu quinto disco), mas o conjunto me agradou muito, em especial Communication e Couldn't Care Less. Essas duas resumem bem o sentimento melancólico passado pelo o álbum como um todo. Mas os momentos mais alegres, como em For What It's Worth, também se destacam.

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