20 de jun. de 2003

Blessed Blues!
 

Contrariando as lendas dos bluesmen - que se encontram naquela encruzilhada empoeirada com o diabo a fim de fazerem um "pacto" que os tornará famosos e talentosos -, Darrell Mansfield (harmônica e vocal) fez o seu pacto com Deus nos longínquos anos 70 e desde então tem sido abençoado com a façanha de unir o blues e o gospel (que, aliás, são velhos parentes da música de raiz norte-americana) com inegável talento (sucesso comercial já são "outros quinhentos").

Sua extensa discografia, infelizmente, não teve o privilégio de chegar à nossa terrinha (imagine! fora do círculo de Christian Music o cara é desconhecido até por lá). O único no qual consegui pôr as mãos (e os ouvidos) foi Mansfield & Co., de 1995, trabalho recheado de clássicos como Crossroads, Boom Boom e Spoonful, que já dão uma idéia da intimidade dele e da banda que o acompanha com o estilo.

Quer saber mais (e ouvir alguns samples)? http://www.darrellmansfield.com/

 

16 de jun. de 2003

O melhor de duas guitarras distintas:

Lançamentos quentíssimos saindo forno agora mesmo!



Mambo Sinuendo (Ry Cooder & Manuel Galbán)

A slide-guitar de Cooder continua explorando as sonoridades afro-latinas nessa inspirada colaboração com o violonista cubano Manuel Galbán. O álbum parece ter sido gravado e produzido na Cuba dos anos 50, permencendo "congelado" até os dias de hoje. Participam ainda o seu filho e percursionista, Joachim Cooder e o baixista do Buena Vista Social Club, Orlando “Cachaíto” López.

Mais informações: Nonesuch Records


One Quiet Night (Pat Metheny)

Mais cool impossível. Unanimidade da guitarra no jazz, Pat Metheny nos presenteia novamente com seu feeling único para a veio acústico, com esse trabalho que contém, entre composições próprias, uma cover para o sucesso de Norah Jones, Don't Know Why, tudo num clima de muita tranqüilidade como só ele consegue transmitir.

Mais informações: Pat Metheny Group Listener Network

9 de jun. de 2003


Mosaico sonoro

"O disco novo é um 'OK Computer 2'. O que a gente vai fazer a partir de agora não vai ter nada a ver com o que fizemos antes. Não vamos voltar atrás, como todo mundo espera." Thom Yorke

Comparar o Hail to the Thief, o sexto disco de estúdio do Radiohead, com o extraordinário OK Computer (o maior sucesso da banda e um dos três melhores discos dos anos 90), pode ter sido um descuido de Yorke que nos leva à uma interpretação equivocada. O novo CD da banda pouco se parece com o trabalho de 1997 e dificilmente se tornará um marco como aquele. É na verdade, uma bela tentativa de retornar a um som mais acessível do que os dois trabalhos anteriores (Kid A e Amnesiac) resultado de um rebuscado mosaico sonoro, como a própria capa sugere.

As guitarras estão de volta - logo na faixa de abertura, 2+2=5, o ouvinte descobre que este é um disco de rock, embora o experimentalismo eletrônico ainda não tenha sido totalmente abandonado. Thom Yorke continua balbuciando suas letras enquanto os arranjos exploram novas possibilidades ou aquelas abandonadas ao longo da carreira: alguns momentos acústicos muito bem-vindos e baladas ao melhor estilo Radiohead (ouça Go To Sleep) relembram Pablo Honey e The Bends, seus primeiros trabalhos; melodias não-convencionais e sonoridades pouco usuais remetem a OK Computer (There There é um exemplo); por fim, sequenciadores e mantras vindos diretamente das sessões de Kid A/Amnesiac completam esse mosaico (como em The Gloaming).

Comparado ao conjunto da obra, Hail to the Thief não traz nada de realmente novo, apenas revisita as idéias da banda. Comparado ao rock que se faz no resto do mundo, o Radiohead ainda está à frente do seu tempo. E nessa missão de visualizar o que a música nos guarda para o futuro, eles novamente acertaram, cometendo um dos melhores discos do ano.


2 de jun. de 2003

A respeito do descaso das distribuidoras nacionais em relação ao jazz clássico norte-americano das décadas de 50 e 60 - o período mais fértil do gênero dentro de sua pátria-mãe - chego à única conclusão plausível para isso: simplesmente não há mercado para o jazz no Brasil. Onde estão, por exemplo, os trabalhos iniciais dos quintetos de Miles Davis na Columbia ou os registros da fase de John Coltrane e o seu quarteto clássico na Impulse, só para ficar em dois dos artistas mais representativos do período?

(Nota: quanto ao Miles Davis, a Sony/Columbia chegou a lançar alguns CDs do final dos anos 50, entre eles o seminal Kind Of Blue e suas colaborações com Gil Evans, mas os quintetos continuam inéditos!)

Mas pode ser que a coisa esteja para mudar. Pelo menos é o que demonstra a BMG que está lançando parte do catálogo da Fantasy Records (Riverside, Galaxy, Prestige e outras) por aqui em edições caprichadas com embalagens digipack, embora com o preço ainda um tanto "salgado". Sobre essa nobre iniciativa, leia mais aqui.

Acompanhe todos os lançamentos da coleção (e uma pequena resenha sobre cada um deles) no site oficial da BMG Brasil: Fantasy 20-bit Digipack Series.