ALL THAT JAZZ (1998 RCA/BMG 74321-61432-2) John Pizzarelli nasceu em 06/04/1960, na cidade de Paterson/NJ, EUA. Guitarrista (violão elétrico) de jazz e cantor, tem uma voz suave e faz boa presença no palco (já esteve aqui no Brasil). Apresenta-se normalmente em trios, sem baterista, interpretando standards do jazz e do cancioneiro pop americano, no seu estilo "crooner". Suas grandes influências foram Nat King Cole [1917-65] e seu pai Bucky Pizzarelli [1926- ], um excelente violonista, mestre no violão de 7 cordas. Pizzarelli iniciou a apresentar-se com seu pai quando tinha 20 anos e lançou seu primeiro disco em 1983, com "I'm Hip - Please Don't Tell My Father". Suas grandes influência foram os gênios da guitarra Les Paul [1915- ] e Django Reinhardt [1910-1953]. Pizzarelli já toca há mais de 10 anos com seu trio, lançando em 2003 o álbum comemorativo "Live at Birdland". Dando uma pausa no swing, Pizzarelli lançou em 2004 um álbum de bossa-nova, com foco nas composições de Antonio Carlos Jobim [1927-94], onde o trio toca clássicos como "Garota de Ipanema" e "Águas de Março" (ou "The Girl from Ipanema" e "Waters of March", para os americanos). Eu sou fã dos Beatles [1960-70] desde 1960, e confesso que não sou muito fanático por reinterpretações por outros artistas (diz-se "covers") das músicas do meu quarteto preferido. Eu diria até que, de uma maneira geral, não falando só dos Beatles, também não sou muito chegado a "tributos". Gosto dos originais. Entretanto, este álbum junta duas coisas de meu interesse: Beatles + Jazz. Não deu para resistir (comprei na Multisom/POA, Dezembro/1999). O resultado vai do muito bom ao ... "interessante". Em nenhuma faz feio, mas algumas ficam quase iguais ao original, não despertando muito interesse. É nas músicas mais rápidas, que Pizzarelli surpreende e revela o quanto as melodias dos Beatles são suscetíveis aos arranjos jazzisticos. Acrescentando um "swing", "scat singing" e metais à la big bands nas músicas mais rápidas (o lado John Lennon, da dupla), Pizzarelli consegue excelentes resultados, destacando "Can't Buy Me Love" (para mim a melhor do álbum) e "I've Just Seen A Face". A voz e os arranjos suaves em "Here Comes The Sun" lembram os melhores momentos da bossa-nova (poderia ser confundido com o João Gilberto, cantando um pouco mais alto do que seus sussurros habituais; ou melhor ainda: João Bosco ou Tom Jobim!). Dá até vontade de dançar! Destaque o excelente piano de Ray Kennedy em "I've Just Seen A Face" e "Eleonor Rigby" (nesta, o violão de Pizzarelli tem um excelente destaque). Os momentos mais fracos são as músicas lentas (o lado "baladeiro" de McCartney). "And I Love Her" e "You've Got To Hide Your Love Away" ficam melhor no ritmo original do quarteto de Liverpool. [The] "Long and Widing Road" permanece com o arranjo melódico que, na época de seu lançamento (álbum "Let It Be", de 1970) causou furor na crítica especializada, que dizia que Phil Spector (o produtor) havia arruinado a música com seu arranjo orquestral. Pelo jeito Pizzarelli não liga e fica na mesma linha. Como os Beatles já haviam feito assim mesmo, não surpreende e segue a mesma linha. Perfeitamente descartável. "Oh Darling" tem até uma boa interpretação, mas em certos momentos, é perturbada pelos metais estridentes que ele escolheu para acompanhamento. Esta abordagem jazzística para os Beatles surpreende pela beleza e qualidade de seus arranjos. Não obstante os momentos mais fracos, a voz firme e suave de Pizzarelli, sua guitarra, e o piano de Kennedy, são uma experiência fascinante, ao permitir ver com outros "olhos" musicais os bons e velhos tempos dos Beatles. Em resumo, uma experiência reconfortante em todos os sentidos. Uma boa música que deve agradar tanto os que não são tão fãs de jazz como aqueles que nunca ouviram falar dos Beatles. Com este álbum as novas gerações tem uma excelente oportunidade de ter contato com a música dos rapazes de Liverpool. Para os mais antigos, a certeza de que, já naquele tempo, gostávamos de boa música! J. T. Cevallos, 04/07/2004. = JTC/jtc = |
28 de jul. de 2004
11 de jul. de 2004
| Play the Blues... (1993 Charly / Chess CD-RED-5) Existem vários tipos de Blues. Da cantilena lenta e triste da região do Mississipi, conhecido como o "Delta Blues", passando pelo mais relaxante e swingado "Texas-Blues" e chegando ao outro extremo, do blues rápido e dançante conhecido como "Blues-Rock". O estilo de John Lee Hooker [1917-2001] remete às origens do blues. É o canto triste, sincopado, marcado pelas batidas de pé que o caracterizaram e o tornaram famoso. Seu estilo minimalista, rústico é fiel às origens do blues, originado nas tradicionais "work songs" entoadas pelos escravos negros nas plantações de algodão do passado norte-americano. John Lee Hooker nasceu em Clarksdale, no Mississipi, em 22/08/1917, onde, ainda jovem adolescente, recebeu de seu padrasto, Will Moore [1893-1951], as primeiras lições que marcaram o seu estilo de tocar e cantar. Também cantou música "spiritual", mas foi no blues que firmou a sua formação. O seu padrasto conhecia vários outros cantores de blues, lendas da época, que deixaram também as suas impressões no jovem Hooker: Blind Lemon Jefferson [1893-1929], Charley Patton [1887-1934] e Blind Blake [1895-1937]. São os "pais" do Delta Blues / Country Blues. Em 1943 ele já andava por Detroit, tocando onde podia e ganhando popularidade. Em 1948, num encontro com o produtor Bernie Besman, grava o que seria o mais espetacular sucesso de sua carreira, "Boogie Chillen". Um blues primitivo, na voz murmurante de Hooker, acompanhado somente pelo seu violão elétrico e as batidas de pé, que seriam a sua marca registrada. A gravadora Modern Records lança "Boogie Chillen" (junto com "Sally Mae") e Hooker inicia sua caminhada pelo sucesso do R&B. Hooker tem uma vasta discografia. Gravou muito durante toda a sua vida e, curiosamente, tem muitas gravações feitas sob pseudônimos, o que complica a vida de seus biógrafos. Foi uma referência sagrada para as bandas britânicas, influenciadas pelo blues americano, tais como "The Animals" e "Yardbird". Nos últimos tempos, depois de uma fase de esquecimento, o blues voltou a interessar às gravadoras e estas lançaram álbuns com o velho bluesman rodeado de "amigos". "The Healer" (1989) é o primeiro deles, onde Hooker aparece entre luminares tais como Carlos Santana, Bonnie Raitt e Robert Cray. "Mr. Lucky" (1991) é outro exemplo, onde Hooker participa de uma miscelânea que vai de Albert Collins e John Hammond até Van Morrison e Keith Richards. Hooker passou uma vida tranqüila durante seus últimos anos, passando a maior parte do tempo dividindo-se entre várias casas que tinha na costa da Califórnia. Quando surgia uma oportunidade ele continuava gravando. "Chill Out" (1995) e "Don't Look Back" (1997) são outros casos daqueles álbuns repletos de estrelas. Saudado como uma lenda viva, estes álbuns menores não diminuíram em nada a sua estatura, mantendo-o como um ícone da música Americana, mesmo após a sua morte por causas naturais, em 21/06/2001. O álbum de hoje, "House of the Blues" [Charly Brasil] é a combinação de dois álbuns. O original "House of the Blues" (1960 Chess) [trilhas 1 a 12] e mais o álbum da série "Real Folk Blues" (1966 Chess) [trilhas 13 a 21]. É um blues à moda antiga, rústico, melancólico, por vezes alegre, falando de mulheres, bebidas e trens, temas reincidentes quando se fala de blues. Tudo isto acompanhado pelo som monocórdio da guitarra, tocado num só acorde e acompanhado da batida de pé. Paradoxalmente, algo que poderia ser monótono, soa cheio de inflexões e tons, graças à voz rouca, vibrante, gritos e gemidos de Hooker. Destaques para as duas primeiras músicas, "Louise" e "High Priced Woman" onde Hooker é acompanhado no 2º violão [elétrico] pelo jamaicano (!) Eddie Kirkland [1928- ]. Detalhe curioso: ao ouvir música "Leave My Wife Alone" lembrei-me imediatamente de Alvin Lee [1944- ], guitarrista do "Ten Years After" [1967-74], tocando "I'm Going Home" no festival de Woodstock (1970). A música, lançada no segundo álbum deles "Undead" (1968), tem momentos (riffs) que são uma cópia deslavada de "Leave My Wife Alone". Como dizem, a imitação é a melhor forma de lisonja... Em "Walking The Boogie" a voz de Hooker é duplicada (overdubbed), parecendo estar fazendo um dueto consigo mesmo. Interessante, mas desnecessário. Segue-se "Sugar Mama", no velho estilo, recuperando a razão de Hooker. Na 2ª parte do álbum (o "Real Folk Blues") destaque para a rápida e dançante "Let's Go Out Tonight" e a cadência, um pouco mais lenta, de "Stella Mae". Tem também clássicos como "I'm in the Mood" e "One Bourbon, One Scotch, One Beer" (uma das favoritas de Hooker). Esta última, também vale a pena ouvir na versão muito bacana do George Thorogood & The Destroyers. Acompanha o álbum um livreto de 8 páginas, com bastante informações (liner notes de Leslie Fancourt) sobre o disco e as músicas. Uma discografia mostra os álbuns da Charly Records onde saíram as músicas. Se você deseja conhecer o velho blues, nas suas origens, não pode deixar de ouvir uma das suas vozes mais expressivas. John Lee Hooker, "The Man" (O Homem) já se foi, mas, nesta tarde nublada e chuvosa, pareceu-me ouvir as batidas do seu pé, lá em cima... Farewell, John! J.T. Cevallos, 27/06/2004. = JTC/jtc = |
6 de jul. de 2004
Ecos dos 80s
Após uma pausa de sete anos, um dos maiores poetas do rock inglês retorna em boa forma, sem muitas novidades musicais, mas com um trabalho atestando que o velho Mozz ainda não esqueceu a fórmula para criar pequenas pérolas pop, cheias de melancolia e ironia, apesar do tempo. As três primeiras faixas de You Are The Quarry (Attack, 2004) são as melhores do CD: America Is Not the World, Irish Blood, English Heart e I Have Forgiven Jesus, mas o conjunto de canções é equilibrado, com bons arranjos e a banda de apoio - já de longa data - demonstra coesão com a sonoridade de Morrissey. Para os órfãos dos Smiths é um lançamento imperdível.
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