| Play the Blues... (2004 Reprise 936248730-2) Segundo a crítica especializada, depois de alguns anos sem lançar um disco somente de "blues", Eric Clapton [1945- ] o faz em grande estilo (o último all-blues foi o "From The Craddle", em 1994). Eu estava meio reticente em gastar meu suado dinheirinho com mais um CD do mestre do blues, pois não havia achado um bom negócio o "Reptile" [2001]. Pensei cá comigo: puxa, lá vem mais uma daquelas "homenagens", das quais o artista lança mão quando está numa entressafra criativa e não encontra muita inspiração para dizer algo próprio. Normalmente os resultados são duvidosos. No entanto, várias coisas contribuíram para sair a compra, primeiro foi a crítica favorável do Daniel Olsson, em seu "Blog" (http://omniblog.blogspot.com/). Ele conhece de música, tem bom gosto e é exigente para gastar seu dinheiro, são qualidades que eu considero e respeito. Depois, a crítica favorável do "All Music Guide" (http://www.allmusic.com). E, por último, eu estaria ajudando o colega Scotta na compra de seu "box" dos Simpsons (DVD), elevando o valor final da compra acima de R$ 100,00 e aproveitando assim o cupom de desconto da Gol. Pois é, eu nem estava muito a fim, mas os "astros" assim o quiseram (não que eu precise de muito incentivo para comprar um CD...he! he! he!) Sendo um tributo a Roberto Johnson [1911-38], eu esperava um álbum cheio de lamentos, meio sombrio, pois afinal, falamos do homem que vendeu a alma ao Diabo para se tornar uma lenda e um mito do blues (falo de Johnson, não Eric). Eu já comentei em outra oportunidade ("The Cream of Clapton" - Diário do AME de 30/01/2004) que acho o Sr. Clapton muito sério, muito "sisudo" no palco e, pensei: vai ser um horror com estas músicas do R. Johnson. No entanto, o álbum é uma grata surpresa. Em vez daquela marcação lenta e sincopada do velho blues do Mississipi, Eric dá um tom mais rápido, vivo e festivo ao interpretar as músicas do compositor maldito. Ele está mais calmo, mais "solto" e com isso, larga a voz e por momentos esquecemos que ele é branco. Em todas as músicas percebemos a técnica impecável do guitarrista que era chamado de "Deus" pelos seus fãs britânicos (Eric is God). A sua voz não é impressionante, mas logo esquecemos as pequenas falhas quando ele faz os seus solos de guitarra. Acompanhado por um conjunto competente de músicos, faz de cada faixa uma experiência musical interessante, seja pela sua interpretação ou simplesmente pela boa música acompanhada pela guitarra, harmônica, órgão e piano. Alguns destaques: Em "Little Queen of Spades" o destaque vai para o órgão de Billy Preston [1946- ]. Em "Traveling Riverside Blues" e na sombria "Me and the Devil Blues" temos a bela harmônica de Jerry Portnoy [1943- ]. Em "They're Red Hot" ou mesmo naquelas com títulos meio sinistros, como "If I Had Possession Over Judgement Day" Eric Clapton nunca esteve tão alegre e solto. Acompanha o álbum um livreto de 7 páginas, com liner notes do próprio Eric Clapton, onde ele rende a sua homenagem a Robert Johnson e fala da primeira vez que teve contato com a sua música ("... inicialmente ela me assustou pela sua intensidade, e eu só podia tê-la em pequenas doses...."). A musicalidade contagiante, a disposição e energia nunca vistas que emanam do álbum, fazem com que, ao final da audição, tenha-se a sensação de que finalmente Eric Clapton tenha conseguido o que almejava com "Reptile" e tenha feito com "Me and Mr. Johnson" um dos melhores álbuns de sua carreira. J.T. Cevallos, 11/07/2004. = JTC/jtc = |
17 de ago. de 2004
10 de ago. de 2004
Desplugados de novo...
Desplugados de novo...
Um dos acústicos mais aclamados da MTV, ainda nos primórdios do formato "Unplugged" da rede americana, foi o da promissora banda de Seattle e um dos ícones do movimento grunge, Pearl Jam. Entretanto a apresentação nunca ganhou uma edição em CD, talvez por causa do repertório, baseado unicamente no seu disco de estréia, Ten. Na minha opinião, nem foi um acústico que merecesse tanto destaque assim, pois as músicas não receberam um arranjo acústico propriamente dito. A banda simplesmente trocou as guitarras por violões, sem se preocupar com os ajustes que a nova roupagem exigia. Porém, os fãs não perderam tempo em obter a versão "alternativa" do show a todo custo.
Só que em Live At Benaroya Hall October 22, 2003, a história é bem diferente: arranjos bem trabalhados, clima intimista (para uma audiência de apenas 2500 pessoas na cidade natal da banda) e um set list selecionado para aproveitar melhor o estilo desplugado. A maioria das músicas são baladas, hits ou não, que normalmente ficavam de fora dos shows, mas que aqui chamam a atenção pelos detalhes nos solos ou acompanhamentos, agora mais destacados. O repertório de 26 músicas e duas horas conta ainda com a música mais recente do quinteto, Man Of The Hour, que esteve presente na trilha sonora do filme "Peixe Grande" (Big Fish), de Tim Burton, além de versões para "Masters Of War", de Bob Dylan, "I Believe In Miracles", dos Ramones, e "25 Minutes To Go", de Johnny Cash.
Com produção do TenClub, fã-clube oficial do Pearl Jam, e parte dos lucros destinados para o YouthCare, entidade de Seattle que cuida dos jovens sem teto ou em outras situações de risco, Live At Benaroya Hall é um trabalho muito interessante, que mostra bem a versatilidade dos integrantes do Pearl Jam. Boa música por uma boa causa.
Só que em Live At Benaroya Hall October 22, 2003, a história é bem diferente: arranjos bem trabalhados, clima intimista (para uma audiência de apenas 2500 pessoas na cidade natal da banda) e um set list selecionado para aproveitar melhor o estilo desplugado. A maioria das músicas são baladas, hits ou não, que normalmente ficavam de fora dos shows, mas que aqui chamam a atenção pelos detalhes nos solos ou acompanhamentos, agora mais destacados. O repertório de 26 músicas e duas horas conta ainda com a música mais recente do quinteto, Man Of The Hour, que esteve presente na trilha sonora do filme "Peixe Grande" (Big Fish), de Tim Burton, além de versões para "Masters Of War", de Bob Dylan, "I Believe In Miracles", dos Ramones, e "25 Minutes To Go", de Johnny Cash.
Com produção do TenClub, fã-clube oficial do Pearl Jam, e parte dos lucros destinados para o YouthCare, entidade de Seattle que cuida dos jovens sem teto ou em outras situações de risco, Live At Benaroya Hall é um trabalho muito interessante, que mostra bem a versatilidade dos integrantes do Pearl Jam. Boa música por uma boa causa.
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