17 de fev. de 2005

Jazz & blues em sua melhor forma

Rápido comentário sobre dois lançamentos recentes de guitarristas consagrados.

Eric Clapton dá continuidade ao trabalho de imprimir a sua marca pessoal na homenagem a Robert Johnson em Sessions For Robert J (Warner, 2004), lançamento em DVD/CD que reúne novas interpretações para os clássicos de Johnson, ou mesmo reinterpretações para canções já lançadas no anterior Me and Mr. Johnson. Desta vez, as gravações foram realizadas durante os ensaios da turnê, em diferentes lugares – inclusive no estúdio utilizado pelo próprio Robert Johnson em Dallas, em 1937 – e arranjos, indo do elétrico ao acústico. Um destes momentos acústicos, por exemplo, foi gravado em um quarto de hotel na California.

Mais importante que o local, entretanto, é a qualidade incomparável com que Clapton conduz as canções, acompanhado ou não de sua banda. Da "swingada" Sweet Home Chicago à tranqüila (mas emocionada) Ramblin' On My Mind, o que temos é um mestre do blues prestando suas honras a outro mestre, sem decepcionar. Atualizando standards consagrados, sem nunca perder a essência dos mesmos. Atentando para o fato de que o blues é uma música que não existe – não se pode cantar – se o sentimento não for sincero.

Onze das dezenove performances do DVD podem ser conferidas no CD que acompanha a edição.

O outro lançamento que eu gostaria de recomendar é The Way Up (Nonesuch Records, 2005), do Pat Metheny Group. Trata-se de uma suíte de 68 minutos composta por Metheny e seu colega de longa data, o tecladista Lyle Mays, e dividida em 4 partes. Mas o ineditismo do formato do novo trabalho do PMG não impede de se reconhecer sua sonoridade ao mesmo tempo em que eles exploram novos caminhos.

A construção deste verdadeiro "concerto", composto por diversos moods jazzísiticos, é utilizado com total liberdade e criatividade pela banda na improvisação dos solos e, em especial, na criação de tantas harmonias que se ouve ao longo do CD – cada uma delas bebendo nas fontes da própria trajetória do PMG e do jazz tradicional. A obra é algo raro no atual cenário do jazz e particularmente no estilo fusion, cujo resultado é uma deleitosa jornada que em nenhum momento se torna cansativa.

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