1 de jun. de 2005

Equação equilibrada


Com o estrondoso sucesso do A Rush Of Blood To The Head, de 2002, era natural que o novo CD do Coldplay viesse carregado de expectativas. A impressão inicial, aquela que se tem logo após a primeira audição de X & Y (Capitol, 2005) é de que o quarteto londrino liderado por Chris Martin não desapontou completamente... mas também não conseguiu superar ou mesmo alcançar a qualidade do seu predecessor.

Existem várias diferenças e semelhanças entre os dois álbuns. As diferenças, nota-se logo, estão nos arranjos: mais elaborados, renunciando ao "apenas piano/guitarra/baixo/bateria/voz" e incorporando teclados, mais camadas de guitarras, backing vocals e batidas eletrônicas. A estrutura das músicas também sofreu um "upgrade" e foge ao padrão bem mais pop encontrado no disco anterior. Musicalmente, o Coldplay evoluiu e isso é um ponto a favor: o fato de não se repetir uma fórmula de sucesso consagrada é sempre uma decisão ousada e difícil, mas que na minha opinião separa as grandes bandas das pequenas. Há cerca de uns quatro meses atrás comentou-se muito sobre a pressão da EMI para o lançamento do CD e o pouco caso do vocalista em relação aos acionistas da gigante da indústria fonográfica.

No entanto, a banda não conseguiu se disassociar completamente do multiplatinado A Rush Of Blood To The Head. As semelhanças ficam justamente por conta da sonoridade de uma ou outra canção em X & Y que nos remetem ao disco de 2002. A primeira música de trabalho do CD (e a melhor de todo ele), Speed Of Sound, é uma prova disso. Ela está ali para mostrar que o Coldplay ainda é a mesma banda que vendeu mais de vinte milhões de cópias de seus álbuns em todo o mundo. E a bela What If segue o exemplo.

No final das contas, como eu disse no início, o saldo dessa equação – cujo título vem bem a calhar - é equilibrada e favorável ao Coldplay, graças a momentos brilhantes como White Shadows, Swallowed In The Sea e a faixa bônus Til Kingdom Come, só para ficar nas que se destacam na primeira audição. Em outras palavras, X & Y é um disco que vai tocar bastante por aí.

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