15 de jun. de 2004

Em nome de uma causa nobre

Como já falei anteriormente, gravar um disco-tributo é uma tarefa muito arriscada. Se a intenção é homenagear um artista ou banda, em geral o resultado se torna frustrante e, na pior das hipóteses, nos leva ao velho chavão "fique com o original". Três motivos me levaram a "experimentar" o In The Name Of Love: Artists United For Africa, lançamento desse ano da Sparrow Records: 1º) ainda não saiu nenhum tributo decente ao U2; 2º) as bandas/artistas chamados para esse projeto são do mercado CCM, o qual sempre me atraiu; e 3º) parte da renda do CD está sendo revertida para uma causa social urgente: a luta contra a AIDS no continente africano.

Talvez por estarem menos preocupados em homenagear o U2, quanto em ajudar a causa defendida pelo vocalista da banda, Bono, o trabalho desses artistas tenha ficado acima da média em relação a outros tributos. Existem momentos de destaque, mas outros sem brilho algum. O Pillar, por exemplo, fez uma versão totalmente descartável para Sunday Bloody Sunday, carregando no peso das guitarras, mas esquecendo-se da emoção presente na letra da canção. Outros tiveram o mesmo resultado medíocre em suas tentativas de reinventarem as músicas do quarteto irlandês: Delirious?, com Pride; GRITS & Jadyn Maria com With Or Without You e ainda a inexplicável Where The Streets Have No Name, de Chris Tomlin, que ficou exatamente igual à versão do álbum The Joshua Tree, mas falha justamente por... não ser a a voz de Bono, claro.

No grupo daqueles que "quase" chegaram lá estão: Santus Real (Beautiful Day), Starfield (40), Michael Tait, do dc Talk (One) e Todd Agnew (When Love Comes To Town). São versões "bacaninhas", que podiam ter sido melhor trabalhadas, com mais personalidade, e não resistem a uma crítica mais severa.

Os louros vão para a versão de Gloria do Audio Adrenaline, de longe a melhor coisa nesse CD, por ter capturado tão bem a energia dessa canção da fase inicial do U2. Grace, com a voz quase sussurada de Nichole Nordeman também é uma grata surpresa, assim como Love Is Blidness, pelo Sixpence None The Richer, e seus arranjos etéros. Finalmente, o Jars Of Clay contribui com uma versão bluesy e inspirada para All I Want Is You, enquanto Toby Mac comparece com uma Mysterious Ways correta, abusando da batida hip-hop. Por essas cinco canções, o álbum já merecia estar na CDteca de qualquer um.

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