31 de jul. de 2003

Discoteca Básica

dc Talk - Jesus Freak (1995)

Se você não tem nenhum CD de gospel rock, ou CCM para ser mais correto, e gostaria de entrar em contato com esse estilo – que não possui nada em comum nem proximamente parecido em nossas terras – este pode ser considerado um dos trabalhos essenciais do gênero. O dc Talk é um trio de Washington, DC, responsável por adicionar a batida do hip-hop à música cristã contemporânea. Embora originalmente orientados para o pop, como em outro de seus álbuns, Free At Last, de 1992, foi com o peso do rock de Jesus Freak que eles realmente acertaram na fórmula e alcançaram o topo das paradas.

Jesus Freak é um cross-over de sucesso: além de expandir as possibilidades musicais dos rapazes (com a ajuda da excelente banda que os acompanha), ele conquista facilmente o público secular. Embora os temas cristãos tradicionais estejam todos lá – o conforto divino em What If I Stumble, a devoção em Day by Day, o anti-racismo em Colored People –, a "roupagem" é que realmente faz a diferença nesse disco. Que o digam a versão para In the Light, de Charlie Peacock, e a faixa-título.

Deixe de lado qualquer preconceito com a música gospel e ouça esse CD. A experiência será, no mínimo, surpreendente.


28 de jul. de 2003

Nota rápida a respeito dos indicados para o Music Video Awards 2003 da MTV, a ser realizado no dia 28 de agosto. Rápida porque este ano são poucos os vídeos que realmente merecem algum destaque, já que a maioria é composta por aqueles artistas irrelevantes e que só os americanos conseguem gostar!
  • Coldplay, com The Scientist: Melhor Vídeo de Grupo, Breakthrough Vídeo (algo como "vídeo inovador") e Melhor Direção;

  • The White Stripes, com Seven Nation Army: Melhor Vídeo de Grupo, Melhor Vídeo de Rock, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição;

  • Radiohead, com There, There: Melhores Efeitos Especiais, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Fotografia.

Agora, surpresa mesmo é encontrar o veterano Johnny Cash concorrendo em 6 categorias, incluindo Melhor Vídeo do Ano, com Hurt.

Mais detalhes, confira no site da MTV.


23 de jul. de 2003

ALL THAT JAZZ


Charlie Hunter Quintet - Right Now Move (2003)

Finalmente coloquei as mãos no último trabalho do guitarrista de jazz-fusion Charlie Hunter. Ou melhor... chamá-lo apenas de guitarrista é um pouco injusto, pois Hunter utiliza uma inusitada e personalíssima guitarra de 8 cordas, onde as cinco primeiras correspondem às de uma guitarra normal, enquanto as três restantes são as cordas mais graves de um contra-baixo. Para completar, neste novo CD ele ainda assume o pandeiro em algumas faixas, mostrando que tocar bem esse instrumento não é exclusividade de brasileiros.

Right Now Move representa um marco na carreira de Hunter. É o primeiro CD a ser lançado pelo selo Ropeadope, após anos de parceria com a Blue Note. Representa também a volta do jazz "funkeado" de Hunter à companhia mais marcante de instrumentos de sopro. No caso, ao sax tenor e clarintete de John Ellis (que tocou com ele nos primeiros discos do Charlie Hunter Trio/Quartet, entre os quais o imperdível Bing, Bing, Bing!), ao trombone de Curtis Fowlkes e à bela harmônica de Gregoire Maret - responsável por adicionar uma interessante textura gospel/blues à algumas faixas, como em Wade in the Water. A bateria de Derrek Phillips completa o quinteto.

Mestre Tata abre o CD numa singela homenagem ao brasileiro de 60 anos que Hunter encontrou em uma excursão à São Paulo e com quem teve suas bem-aproveitadas aulas de pandeiro. Oakland é um típico exemplo da perfeita fusão que Hunter consegue fazer entre o jazz e o funk, iniciando a música com uma linha de baixo que imprime o ritmo aos demais intrumentos. O seu groove pode ser conferido também em Whoop-Ass e 20th Congress. Ao longo do CD percebe-se um clima quase de jam session; Ellis, Fowlkes e Maret estão bem à vontade em suas improvisações (destaque para Try e Mali), enquanto os solos de Hunter se fazem presentes com muita personalidade nas faixas Wade In The Water e Le Bateau Ivre.

Para mim, ainda é inexplicável a total ausência de Charlie Hunter no mercado nacional. O seu talento e técnica não tem comparação no jazz e só isso já justificaria o lançamento de seus discos por aqui. Portanto, a solução é continuar importando eles. Apesar da cotação do dólar, eu garanto: Right Now Move será um dos melhores investimentos que você terá feito em CDs de jazz este ano.


16 de jul. de 2003

Um compêndio bem abragente e conciso da história do jazz, a música norte-americana por excelência, é o que pretende, com sucesso, o site oficial da mini-série JAZZ, produzida pela rede PBS e exibida aqui pelo canal de TV a cabo GNT.

Dirigida pelo documentarista Ken Burns e já disponível em DVD nacional (apesar de ser uma edição em que 7 das 19 horas originais foram inexplicavelmente cortadas!), a série esmiuça a história do jazz através de diversos depoimentos de músicos e apresentações da época. O site assume igual seriedade ao tratar do tema, servindo de excelente guia para se entrar nesse mundo espetacular do jazz.

Visite e explore: www.pbs.org/jazz.

11 de jul. de 2003

Falar do talento e da inspiração de Pat Metheny tem se demonstrado uma tarefa tão sem sentido quanto... chover no molhado.... mas vamos lá outra vez:

One Quiet Night é, resumindo, exatamente o que o título sugere: um noite tranqüila. Pat acertou em dar nome ao seu mais recente trabalho e, quando você ouvir, entenderá o que eu quero dizer. O CD causa ao ouvinte o mesmo impacto que tem uma noite calma de contagiar e vencer um espírito inquieto. E o que me deixa mais impressionado é que a maior parte desse trabalho nasceu de uma gravação caseira feita na noite (é claro) de 24 de novembro de 2001, quando Pat redescobriu seu violão barítono (!) e resolver gastar um tempo com ele, explorando o som produzido pela afinação de Nashville, como ele define (uma nota no CD explica como esse violão foi afinado).

No mais, resta destacar a leva à la Johnny Marr em Song For The Boys, a cover para Don't Know Why de Norah Jones (o que vem dar um crédito extra ao trabalho da moça, além de se encaixar no tal Nashville tuning do CD) e a releitura da Last Train Home, de sua autoria mesmo.

Cinco estrelas novamente para ele... Que venha o próximo!

1 de jul. de 2003

Discoteca Básica

R.E.M. - Automatic For The People (1992)

Após passarem a década de 80 como os "queridinhos" das college radios americanas, lançando trabalhos interessantes como Murmur (1983) e Document (1987), gravarem um libelo ecológico (Green - 1988) e definitivamente conquistarem o planeta com um sucesso até excessivo demais (Out Of Time - 1991), talvez o R.E.M. estivesse bem à vontade para tentar algo mais despretencioso.

O grupo misturou então algumas letras introspectivas, melodias sombrias e muita melancolia e quase sem querer cometeu o melhor disco de sua carreira: Automatic For The People. Praticamente gravadas apenas com instrumentos acústicos, estas doze canções são a trilha sonora ideal para qualquer viagem. Profundas e reflexivas mas ao mesmo tempo serenas e lindas.

O disco abre com a inquieta Drive, passeia pelas agruras de um cidadão comum imerso na cultura popular em The Sidewinder Sleeps Tonite, descreve a importância da amizade mesmo quando essa nos causa sofrimento em Everybody Hurts, homenageia o humorista Andy Kaufman com Man On The Moon e encerra com a filosófica Find The River.

Indispensável aos ouvidos e ao espírito, tal qual uma bom livro, sem nem ao menos se desgastar ao longo destes dez anos, Automatic For The People permanece como a obra-prima dos rapazes de Athens.