23 de jul. de 2003

ALL THAT JAZZ


Charlie Hunter Quintet - Right Now Move (2003)

Finalmente coloquei as mãos no último trabalho do guitarrista de jazz-fusion Charlie Hunter. Ou melhor... chamá-lo apenas de guitarrista é um pouco injusto, pois Hunter utiliza uma inusitada e personalíssima guitarra de 8 cordas, onde as cinco primeiras correspondem às de uma guitarra normal, enquanto as três restantes são as cordas mais graves de um contra-baixo. Para completar, neste novo CD ele ainda assume o pandeiro em algumas faixas, mostrando que tocar bem esse instrumento não é exclusividade de brasileiros.

Right Now Move representa um marco na carreira de Hunter. É o primeiro CD a ser lançado pelo selo Ropeadope, após anos de parceria com a Blue Note. Representa também a volta do jazz "funkeado" de Hunter à companhia mais marcante de instrumentos de sopro. No caso, ao sax tenor e clarintete de John Ellis (que tocou com ele nos primeiros discos do Charlie Hunter Trio/Quartet, entre os quais o imperdível Bing, Bing, Bing!), ao trombone de Curtis Fowlkes e à bela harmônica de Gregoire Maret - responsável por adicionar uma interessante textura gospel/blues à algumas faixas, como em Wade in the Water. A bateria de Derrek Phillips completa o quinteto.

Mestre Tata abre o CD numa singela homenagem ao brasileiro de 60 anos que Hunter encontrou em uma excursão à São Paulo e com quem teve suas bem-aproveitadas aulas de pandeiro. Oakland é um típico exemplo da perfeita fusão que Hunter consegue fazer entre o jazz e o funk, iniciando a música com uma linha de baixo que imprime o ritmo aos demais intrumentos. O seu groove pode ser conferido também em Whoop-Ass e 20th Congress. Ao longo do CD percebe-se um clima quase de jam session; Ellis, Fowlkes e Maret estão bem à vontade em suas improvisações (destaque para Try e Mali), enquanto os solos de Hunter se fazem presentes com muita personalidade nas faixas Wade In The Water e Le Bateau Ivre.

Para mim, ainda é inexplicável a total ausência de Charlie Hunter no mercado nacional. O seu talento e técnica não tem comparação no jazz e só isso já justificaria o lançamento de seus discos por aqui. Portanto, a solução é continuar importando eles. Apesar da cotação do dólar, eu garanto: Right Now Move será um dos melhores investimentos que você terá feito em CDs de jazz este ano.


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