28 de nov. de 2003

Em casa...

A não ser que seja fã do U2, você provavelmente se perguntará por que deveria adquirir o novo DVD da banda, U2 Go Home – Live at Slane Castle, Ireland, se já possui o Elevation 2001 - Live From Boston e o set list de ambos é praticamente o mesmo. Mas resposta é bem simples: Go Home é melhor que o show de Boston!

Foram duas apresentações no conhecido castelo de Slane, próximo a Dublin, onde o U2 foi buscar inspirações para as canções do disco The Unforgettable Fire, quase duas décadas atrás. A que está no DVD é a segunda, de 1º de setembro de 2001, que só ocorreu porque os ingressos ao show anterior (25/08), esgotaram-se em tempo recorde.

O problema era que a banda nunca pretendeu lançá-lo em DVD, apesar de terem contratado a Dreamchaser para filmar o emocionante retorno da banda ao local, tocando para os 80 mil fãs que estiveram presentes. Foi necessário um abaixo-assinado de 211 páginas, organizado pelo site u2tour.de, e entregue à Universal no início de 2003, para que Bono repensasse sua decisão.

Filmado ao ar livre, num palco maior que o usado em Boston e com o belo Slane Castle todo iluminado ao fundo, o U2 está menos burocrático na execução das músicas, o que é natural quando se chega ao fim de uma turnê. Há mais abertura para os discursos do Bono, antes ou durante as canções, como a lembrança do pai, que havia falecido poucos dias antes, em Kite, ou a dedicação de All I Want Is You à sua esposa, Ali.

Tecnicamente, o DVD também supera o anterior. Durante a filmagem, foram utilizadas câmeras de 35mm e 16mm, responsáveis por uma leve granulação na imagem, semelhante ao efeito utilizado no filme Rattle And Hum. A transferência está excelente, em widescreen anamórfico 16:9, com bom nível de contraste. No som, o destaque vai para a trilha em DTS 5.1, bastante envolvente. É também o show do U2 com o melhor volume de graves que já ouvi.

Mesmo para quem já tem o DVD de Boston, "Go Home" vale pela presença ainda de Out Of Control, Pride, One e de Misterious Ways, como bonus track. O documentário das gravações do Unforgettable Fire, feito em 1983, completam os extras do DVD, sendo o único a possuir legendas em português. Por fim, há alguns bônus para quem possui um computador com DVD-ROM, como a apresentação de três músicas do show em 360°.

24 de nov. de 2003

Norah sings the blues

A primeira vez que vi, achei que fosse mais uma armação "marketeira", aproveitando-se do sucesso que Norah Jones alcançou com o seu trabalho de estréia, Come Away With Me. Na verdade, a etiqueta que a Sum Records – a distribuidora nacional – colocou no CD pode dar essa impressão, destacando com letras garrafais, "O PROJETO QUE REVELOU NORAH JONES".

Mas New York City passa longe disso. E o crédito vai para Peter Malick, guitarrista de blues que há três anos atrás procurava uma vocalista e deparou-se com essa pianista nova-iorquina desconhecida, de 21 anos, convidando-a para o projeto. O resultado é blues contemporâneo de ótima qualidade, muito bem conduzido pelo vocal inconfundível de Norah, e a guitarra à la-Clapton de Malick. É um EP apenas, (7 músicas, 30 minutos), sendo quase todas as canções de autoria dele, com exceção de Heart Of Mine, de Bob Dylan, e do standard do blues de Chicago, All Your Love.

Apesar do correto trabalho do Peter Malick Group, é impossível não se impressionar com a inusitada participação de Norah Jones - quase uma blues singer inveterada!

20 de nov. de 2003

Lista definitiva?

Volta e meia a revista Rolling Stone publica uma lista com os x melhores albuns de todos os tempos. Desta vez foram selecionados 500 e, pelo teor da edição, é prá ser a "lista definitiva". Será? Confira a matéria no site da revista e tire suas próprias conclusões.

Os 100 primeiros da lista são:

1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, The Beatles
2. Pet Sounds, The Beach Boys
3. Revolver, The Beatles
4. Highway 61 Revisited, Bob Dylan
5. Rubber Soul, The Beatles
6. What's Going On, Marvin Gaye
7. Exile on Main Street, The Rolling Stones
8. London Calling, The Clash
9. Blonde on Blonde, Bob Dylan
10. The Beatles ("The White Album"), The Beatles
11. The Sun Sessions, Elvis Presley
12. Kind of Blue, Miles Davis
13. Velvet Underground and Nico, The Velvet Underground
14. Abbey Road, The Beatles
15. Are You Experienced?, The Jimi Hendrix Experience
16. Blood on the Tracks, Bob Dylan
17. Nevermind, Nirvana
18. Born to Run, Bruce Springsteen
19. Astral Weeks, Van Morrison
20. Thriller, Michael Jackson
21. The Great Twenty-Eight, Chuck Berry
22. Plastic Ono Band, John Lennon
23. Innervisions, Stevie Wonder
24. Live at the Apollo (1963), James Brown
25. Rumours, Fleetwood Mac
26. The Joshua Tree, U2
27. King of the Delta Blues Singers, Vol. 1, Robert Johnson
28. Who's Next, The Who
29. Led Zeppelin, Led Zeppelin
30. Blue, Joni Mitchell
31. Bringing It All Back Home, Bob Dylan
32. Let It Bleed, The Rolling Stones
33. Ramones, Ramones
34. Music From Big Pink, The Band
35. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, David Bowie
36. Tapestry, Carole King
37. Hotel California, The Eagles
38. The Anthology, 1947 - 1972, Muddy Waters
39. Please Please Me, The Beatles
40. Forever Changes, Love
41. Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols, The Sex Pistols
42. The Doors, The Doors
43. The Dark Side of the Moon, Pink Floyd
44. Horses, Patti Smith
45. The Band, The Band
46. Legend, Bob Marley and the Wailers
47. A Love Supreme, John Coltrane
48. It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back, Public Enemy
49. At Fillmore East, The Allman Brothers Band
50. Here's Little Richard, Little Richard
51. Bridge Over Troubled Waters, Simon and Garfunkel
52. Greatest Hits, Al Green
53. The Birth of Soul: The Complete Atlantic Rhythm and Blues Recordings, 1952 - 1959, Ray Charles
54. Electric Ladyland, The Jimi Hendrix Experience
55. Elvis Presley, Elvis Presley
56. Songs in the Key of Life, Stevie Wonder
57. Beggars Banquet, The Rolling Stones
58. Trout Mask Replica, Captain Beefheart and His Magic Band
59. Meet the Beatles, The Beatles
60. Greatest Hits, Sly and the Family Stone
61. Appetite for Destruction, Guns n' Roses
62. Achtung Baby, U2
63. Sticky Fingers, The Rolling Stones
64. Phil Spector, Back to Mono (1958 - 1969), Various Artists
65. Moondance, Van Morrison
66. Led Zeppelin IV, Led Zeppelin
67. The Stranger, Billy Joel
68. Off the Wall, Michael Jackson
69. Superfly, Curtis Mayfield
70. Physical Graffiti, Led Zeppelin
71. After the Gold Rush, Neil Young
72. Purple Rain, Prince
73. Back in Black, AC/DC
74. Otis Blue, Otis Redding
75. Led Zeppelin II, Led Zeppelin
76. Imagine, John Lennon
77. The Clash, The Clash
78. Harvest, Neil Young
79. Star Time, James Brown
80. Odessey and Oracle, The Zombies
81. Graceland, Paul Simon
82. Axis: Bold as Love, The Jimi Hendrix Experience
83. I Never Loved a Man the Way I Love You, Aretha Franklin
84. Lady Soul, Aretha Franklin
85. Born in the U.S.A., Bruce Springsteen
86. Let It Be, The Beatles
87. The Wall, Pink Floyd
88. At Folsom Prison, Johnny Cash
89. Dusty in Memphis, Dusty Springfield
90. Talking Book, Stevie Wonder
91. Goodbye Yellow Brick Road, Elton John
92. 20 Golden Greats, Buddy Holly
93. Sign 'o' the Times, Prince
94. Bitches Brew, Miles Davis
95. Green River, Creedence Clearwater Revival
96. Tommy, The Who
97. The Freewheelin' Bob Dylan, Bob Dylan
98. This Year's Model, Elvis Costello
99. There's a Riot Goin' On, Sly and the Family Stone
100. In the Wee Small Hours, Frank Sinatra


Enquanto isso, a revista britânica Q, selecionou as 1001 melhores canções de sempre para uma edição especial e a grande vencedora foi One, do U2. A respeito da escolha, o guitarrista da banda, The Edge, disse: "Quando nós demos o nome a ela, eu sempre soube que ela seria a número um de alguma coisa."

As dez primeiras canções desta lista são:

1. One - U2
2. I Say A Little Prayer - Aretha Franklin
3. Smells Like Teen Spirit - Nirvana
4. A Day In The Life - The Beatles
5. In The Ghetto - Elvis Presley
6. My Name Is - Eminem
7. Creep - Radiohead
8. Independent Women Part 1 - Destiny's Child
9. Live Forever - Oasis
10. River Deep Mountain High - Ike and Tina Turner


Fonte: BBC - 6 Music

10 de nov. de 2003

"Tudo que tem um começo, DEVERIA ter um fim"

(ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS! Se você ainda não assistiu o filme, não leia!)


É duro falar mal de um filme que tem milhares de fãs e ficar ao lado da crítica (com a qual geralmente nunca concordo), mas a verdade precisa ser dita: Os Wachowski Bros. me decepcionaram um pouco. Foi ali, a poucos minutos dos créditos finais do filme, no que DEVERIA ser um fim, mas não é, que eles infelizmente não conseguiram escapar desta epidemia que assola Hollywood nos últimos tempos: a de não saber terminar um filme! No caso deles, uma patologia aguda! Se Revolutions fosse o primeiro ou o segundo filme, era até compreensível, mas ao final de uma TRILOGIA, espera-se o mínimo de bom senso, ou seja, que haja um FINAL. Poderiam até deixar alguns fios soltos para que cada um imaginasse "o que aconteceu depois", mas terminar com as mesmas dúvidas que herdamos dos capítulos anteriores, é inadimissível.

Trilogias existem para explorar idéias e acontecimentos em três atos (óbvio), onde os personagens e objetivos são apresentados no primeiro, uma reviravolta em favor dos "malvados" ocorre no segundo, para que o terceiro e último conclua tudo de modo satisfatório. Guerra Nas Estrelas é assim, O Senhor dos Anéis (que veremos no próximo mês) também é. Porém, ao fim de Matrix Revolutions temos a impressão que ainda estamos no primeiro ato de uma trilogia, pois nada nos leva a conclusão alguma!

É um filme que enche os olhos, sem dúvida, com efeitos simplesmente perfeitos, dignos de um video-game – apesar de nenhuma novidade, com exceção da luta de "cabeça para baixo" na parte em que Morpheus, Trinity e Seraph entram na "festinha" do Merovigian. A história até garante bons momentos de tensão (quem não ficou se segurando na cadeira do cinema pelo menos uma vez, hein?). Mas para o epílogo de um dos mais criativos filmes dos últimos anos, é pouco. Faltou o essencial: a SURPRESA. Sem surpresa, qualquer continuação vira apenas um mero "mais do mesmo" e é disso que são feitos os seriados enlatados norte-americanos. A luta final entre Neo e Smith foi o pior exemplo dessa mesmísse... Por mais que tenham se esforçado, Andy e Larry Wachowski não puderam adicionar nada ao duelo, que já não tivesse empolgado nos conforntos anteriores. Isso mesmo... faltou empolgação, embora tenha sobrado a grandiloqüencia típica daquelas HQs em que se põe dois super-heróis para duelarem.

Contudo, o mais frustante é deixar muita coisa sem explicação... Como Smith conseguiu sair da Matrix? Como Neo conseguiu "sentir" as máquinas fora da Matrix? E aquele tom de "trégua" entre máquinas e humanos? Sinceramente, inverossímel. Claro que vão surgir as explicações dos mais aficcionados, mas ao final de uma trilogia, espera-se ao menos o comprometimento dos criadores em sugerirem a sua versão para estas dúvidas... e nem disso eles foram capazes...

Matrix Revolutions é divertimento garantido, sem dúvida. Imperdível e de tirar o fôlego. Mas como história, fica devendo muito ao original.