10 de nov. de 2003

"Tudo que tem um começo, DEVERIA ter um fim"

(ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS! Se você ainda não assistiu o filme, não leia!)


É duro falar mal de um filme que tem milhares de fãs e ficar ao lado da crítica (com a qual geralmente nunca concordo), mas a verdade precisa ser dita: Os Wachowski Bros. me decepcionaram um pouco. Foi ali, a poucos minutos dos créditos finais do filme, no que DEVERIA ser um fim, mas não é, que eles infelizmente não conseguiram escapar desta epidemia que assola Hollywood nos últimos tempos: a de não saber terminar um filme! No caso deles, uma patologia aguda! Se Revolutions fosse o primeiro ou o segundo filme, era até compreensível, mas ao final de uma TRILOGIA, espera-se o mínimo de bom senso, ou seja, que haja um FINAL. Poderiam até deixar alguns fios soltos para que cada um imaginasse "o que aconteceu depois", mas terminar com as mesmas dúvidas que herdamos dos capítulos anteriores, é inadimissível.

Trilogias existem para explorar idéias e acontecimentos em três atos (óbvio), onde os personagens e objetivos são apresentados no primeiro, uma reviravolta em favor dos "malvados" ocorre no segundo, para que o terceiro e último conclua tudo de modo satisfatório. Guerra Nas Estrelas é assim, O Senhor dos Anéis (que veremos no próximo mês) também é. Porém, ao fim de Matrix Revolutions temos a impressão que ainda estamos no primeiro ato de uma trilogia, pois nada nos leva a conclusão alguma!

É um filme que enche os olhos, sem dúvida, com efeitos simplesmente perfeitos, dignos de um video-game – apesar de nenhuma novidade, com exceção da luta de "cabeça para baixo" na parte em que Morpheus, Trinity e Seraph entram na "festinha" do Merovigian. A história até garante bons momentos de tensão (quem não ficou se segurando na cadeira do cinema pelo menos uma vez, hein?). Mas para o epílogo de um dos mais criativos filmes dos últimos anos, é pouco. Faltou o essencial: a SURPRESA. Sem surpresa, qualquer continuação vira apenas um mero "mais do mesmo" e é disso que são feitos os seriados enlatados norte-americanos. A luta final entre Neo e Smith foi o pior exemplo dessa mesmísse... Por mais que tenham se esforçado, Andy e Larry Wachowski não puderam adicionar nada ao duelo, que já não tivesse empolgado nos conforntos anteriores. Isso mesmo... faltou empolgação, embora tenha sobrado a grandiloqüencia típica daquelas HQs em que se põe dois super-heróis para duelarem.

Contudo, o mais frustante é deixar muita coisa sem explicação... Como Smith conseguiu sair da Matrix? Como Neo conseguiu "sentir" as máquinas fora da Matrix? E aquele tom de "trégua" entre máquinas e humanos? Sinceramente, inverossímel. Claro que vão surgir as explicações dos mais aficcionados, mas ao final de uma trilogia, espera-se ao menos o comprometimento dos criadores em sugerirem a sua versão para estas dúvidas... e nem disso eles foram capazes...

Matrix Revolutions é divertimento garantido, sem dúvida. Imperdível e de tirar o fôlego. Mas como história, fica devendo muito ao original.

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