| O teste do Lado B
Eu costumo dizer que se pode avaliar a qualidade de uma banda pela qualidade do seus B-Sides. Isso torna-se mais fácil de verificar quando são compilados CDs que reúnem raridades, sobras de estúdios, covers ou qualquer outro material que inicialmente tenha sido lançado (ou não) como acompanhamento à música de trabalho de um single e que no tempo do disco de vinil, ficava no Lado B. Alguns exemplos que justificam a minha teoria: U2 (com as duas edições especiais das coletâneas The Best Of 1980-1990 e The Best Of 1990-2000), Pixies (Complete 'B' Sides), Hootie & The Blowfish (Scattered, Smothered And Covered) e Morphine (B-Sides And Otherwise). Sem falar nos que ainda não lançaram nada mas que já possuem uma respeitável coleção de b-sides, como Radiohead e Coldplay. Na maioria das vezes, a impressão que se tem desses trabalhos é que poderiam perfeitamente terem sido incluidos nos álbuns oficiais, dada a qualidade das faixas. Com a chegada dos últimos lançamentos, mais duas coletâneas se juntam a este seleto grupo: Lost Dogs, do Pearl Jam, e In Time: The Best Of R.E.M. 1988-2003. Outra característica que se nota é que essas faixas tem uma certa unidade, encaixando-se perfeitamente na proposta de reuní-las num único trabalho. Algo que não se encontra na própria discografia do quinteto, sempre alternando o estilo de seus discos. Talvez por isso mesmo tenham sido classificadas como "sobra". Basta observar canções como Down, Alone, Black, Red, Yellow, Hold On, Fatal, ou Footsteps, todas oriundas de fases distintas, como elas parecem resultado de uma mesma sessão de gravação. Menos representativo (por não ser tão completo), mas igualmente proveitoso, In Time, do R.E.M., traz no segundo disco da edição americana, algums demos, versões alternativas e b-sides da banda de Athens, desde 1988, quando eles assinaram com a Warner. Prá começar, a embalagem é luxuosa, com uma luva em material plástico transparente, livreto de 40 páginas com explicações da banda para cada música da coletânea e ainda um poster. Vendo-a, entende-se por que essa edição não foi lançada por aqui... uma lástima! Encerro os exemplos da minha "teoria" por aqui, mas sei que existem muitos outros por aí. O Cure já está com o seu box de b-sides à venda, infelizmente não tive a oportunidade de conferir, embora conheça grande parte do material do disco 1, que já tinha saído no lado B da edição em cassete da primeira coletânea da banda, de 1986, e que se chamou Standing On The Beach. Até hoje me arrependo de ter negociado – nem me lembro pelo quê – essa verdadeira "raridade". :-( |
30 de jan. de 2004
26 de jan. de 2004
A fim de passar pela "prova de fogo" do segundo disco, a cantora, compositora e pianista Norah Jones, resolveu não arriscar. Apostou na mesma fórmula do premiado Come Away With Me, no mesmo produtor (Arif Mardin), na mesma banda, e ainda caprichou nos convidados, incluindo a veterana do country Dolly Parton, no bluegrass Creepin’ In. O fato é que o bom-gosto da moça em temperar a sua música com doses certeiras de pop, country e jazz, funcionou novamente. E Feels Like Home vem reforçar também o seu talento de compositora: dez das treze faixas são de sua autoria ou co-autoria. O baixista Lee Alexander continua sendo um ótimo parceiro na hora de privilegiar o estilo vocal de Norah que, segundo o release, não sofreu nenhum tratamento especial ou correção após as duas sessões de gravação do disco. Sunrise abre o CD, dando a tônica da obra: arranjos minimalistas de piano e violão (ou guitarra), destacando os vocais e backings, bastante explorados. A "cozinha" também comparece com a mesma discrição na seqüencia de baladas & blues (Be Here To Love Me, Toes, In The Morning, Above Ground...) Em uma ou outra faixa, algum dos músicos desenha um solo, mas deixando os louros mesmo para a vocalista. Entre as covers, um voto para Don’t Miss You At All, versão com letra de Norah para a instrumental Melancholia, de Duke Ellington. Os detratores da moça vão ter que se utilizar da mesma munição anterior: comparações equivocadas com as grandes divas do jazz, como se essa fosse a intenção dela. Mas é um risco que se corre ao invandir um nicho tão tradicional quanto o jazz vocal. Na minha opinião, Norah se sai bem mais uma vez, até porque assumidamente esta não é a sua "praia". Ela passeia por ali, pela orla, mas firma os pés mesmo no country e no pop, com muita personalidade. Mais detalhes aqui. Lançamento previsto para fevereiro/2004. |
21 de jan. de 2004
ALL THAT JAZZ Para quem deseja conhecer um dos jazzman mais influentes do século passado, mas não possui os ouvidos acostumados ao estilo improvisado do jazz, que em Coltrane tem essa característica elevada ao último grau, pode começar com este Ballads. Gravado em 1962, já com o seu clássico Quartet (McCoy Tyner, piano: Jimmy Garrison, baixo; e Elvin Jones, bateria), cuja cumplicidade com a obra do saxofonista parece ir além do entrosamento, além do alicerce perfeito que proviam para as famosas "sheets of sound", este CD é uma amostra sublime do lirismo de Coltrane – este outro lado que ele soube cultivar tão bem quanto o experimentalismo que o tornou famoso. Os oito standards que compõem o álbum apresentam melodias facilmente assimiláveis, mas vestidas com um pouco do traço pessoal do artista. Mesmo a execução de solos mais contidos ou a condução quase previsível de seu instrumento, não tiram o brilho da obra. Ballads não é um marco do estilo que mais caracterizou John Coltrane – para isso ele nos legou obras-primas como Giant Steps ou A Love Supreme (sobre o qual falarei outro dia). Mas é um exemplo de que sua sonoridade transcendental podia ser descoberta até mesmo na música mais popular, mais próxima dos ouvintes leigos. |
12 de jan. de 2004
| Música de fundo Ganhei este CD duplo, da minha "Amiga Secreta" (a Carina), na festa de Natal/2003 da PROCERGS/Dpro. Muito obrigado Carina. É mais uma excelente aquisição para a minha coleção! O CD é dito "naked" (nu) porque apresenta as músicas sem os arranjos orquestrais existentes no original (de 1970), inseridos pelo produtor Phil Spector. E não é o que andaram dizendo por ocasião da festa na DPro, que os "Beatles" apareceriam nus, nas fotos do encarte... :-)! Falando um pouco do álbum, a ordem das músicas é diferente do original. Entre chaves [x] estão os números das trilhas no lançamento original. 1) Get Back [12] - Tiraram toda a introdução que existia no CD original. No primeiro álbum ouve-se uma conversa dos Beatles. Alguém tosse e parece que o John diz "cigarretes are fine..." ou algo assim, ouvem-se alguns acordes e depois inicia a música. No "naked" tiraram tudo isso. Não existe mais nenhuma "conversa" nem antes nem no final das músicas. Acredito que foi para valorizar o CD bônus que acompanha o disco, com a gravação das conversas em um dia de ensaio. No final, ganha-se aqui, mas perde-se ali. Assim não vale :-( ! 2) Dig A Pony [2] - No CD original inicia com uma conversação seguida de um acorde introdutório. Na nova versão já sai na música. 3) For You Blue [11] - Está igual. Nada mudou. 4) The Long And Widing Road [10] - Está com um tratamento "acústico" na nova versão, só com o piano/teclado fazendo o acompanhamento. Para a crítica especializada, esta faixa é a que mais tinha sido arruinada pelo Phil Spector. Confesso que gostei mais com o arranjo orquestral. Parece que esta música merece aqueles violinos todos, só o piano não é suficiente. Mas enfim, gosto é gosto... 5) Two of Us [1] - Inicia sem a frase do John. 6) I've Got A Feeling [8] - Sem alteração. Segue o mesmo andamento, com Paul comandando o show. Foi legal ouvir, as duas versões juntas (coloquei no som e no micro e consegui iniciar no mesmo ponto). Uma sobrepondo a outra, quase exatamente. 7) One After 909 [9] - Rock puro! Felizmente não fizeram nada [muito] diferente aqui. No original termina com uma frase "Dany boy ..., palmas, etc.". Na nova versão eliminaram este final... pula direto para a música seguinte (Don't Let Me Down). O som, de uma maneira geral, é melhor no novo CD (foi remasterizado). 8) Don't Let Me Down [não existia no CD original] 9) I Me Mine [4] - Sem alterações, segue o mesmo andamento, e perdeu um pouco dos arranjos originais. 10) Across the Universe [3] - Enquanto no CD original o tom é suave e melódico, acompanhado por uma orquestra e coro, na nova versão o tratamento é quase acústico e num ritmo mais rápido. 11) Let It Be [6] - Praticamente sem alterações. Segue quase o mesmo arranjo e ritmo. A nova versão parece um pouco mais lenta. As faixas [5] "Dig It" e [7] "Maggie Mae" foram simplesmente eliminadas da nova versão, dando lugar para "Don't Let Me Down". O álbum é duplo, com um segundo disco intitulado "Fly On The Wall", mostrando um dia (de janeiro/1969) de ensaio dos Beatles. Este tem alguma utilidade somente para os "beatlemaníacos" (que nem eu...). Acompanha um excelente livreto, com 32 páginas repletas de fotos, trechos do livro "Let It Be" e um detalhado comentário (liner notes) de Kevin Howlett, sobre o que foi a gravação deste tão polêmico disco dos Beatles. Na época havia muita tensão entre eles e discutia-se muito o futuro do grupo. Kevin Howlett conta que nas gravações do filme/show "Let It Be", George chegou a abandonar os ensaios! Um fato curioso: embora lançado em 1970, este não é o último álbum dos Beatles. A maior parte dele foi gravada em 1969, bem antes do "Abbey Road". Este sim é o último álbum gravado pelos Beatles. Em virtude desta tensão e discussões, e mais as firulas inseridas por Phil Spector, o álbum não é musicalmente tão consistente, mas o fato é que um disco "abaixo do padrão" dos Beatles é melhor do que o melhor trabalho de qualquer outro grupo! Além disso, a nova remasterização melhorou sensivelmente a qualidade do som. Imperdível para qualquer fã dos "Fab 4"! J.T. Cevallos, 26/12/2003. |
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