30 de jan. de 2004

O teste do Lado B

Eu costumo dizer que se pode avaliar a qualidade de uma banda pela qualidade do seus B-Sides. Isso torna-se mais fácil de verificar quando são compilados CDs que reúnem raridades, sobras de estúdios, covers ou qualquer outro material que inicialmente tenha sido lançado (ou não) como acompanhamento à música de trabalho de um single e que no tempo do disco de vinil, ficava no Lado B.

Alguns exemplos que justificam a minha teoria: U2 (com as duas edições especiais das coletâneas The Best Of 1980-1990 e The Best Of 1990-2000), Pixies (Complete 'B' Sides), Hootie & The Blowfish (Scattered, Smothered And Covered) e Morphine (B-Sides And Otherwise). Sem falar nos que ainda não lançaram nada mas que já possuem uma respeitável coleção de b-sides, como Radiohead e Coldplay. Na maioria das vezes, a impressão que se tem desses trabalhos é que poderiam perfeitamente terem sido incluidos nos álbuns oficiais, dada a qualidade das faixas.

Com a chegada dos últimos lançamentos, mais duas coletâneas se juntam a este seleto grupo: Lost Dogs, do Pearl Jam, e In Time: The Best Of R.E.M. 1988-2003.

O farto material do Pearl Jam (30 músicas), abrange toda a carreira da banda, e é, em sua maioria, de uma qualidade excepcional. Uma das coisas que não entendo, por exemplo, é como Yellow Ledbetter nunca entrou nos álbums oficiais da banda.

Outra característica que se nota é que essas faixas tem uma certa unidade, encaixando-se perfeitamente na proposta de reuní-las num único trabalho. Algo que não se encontra na própria discografia do quinteto, sempre alternando o estilo de seus discos. Talvez por isso mesmo tenham sido classificadas como "sobra". Basta observar canções como Down, Alone, Black, Red, Yellow, Hold On, Fatal, ou Footsteps, todas oriundas de fases distintas, como elas parecem resultado de uma mesma sessão de gravação.

Menos representativo (por não ser tão completo), mas igualmente proveitoso, In Time, do R.E.M., traz no segundo disco da edição americana, algums demos, versões alternativas e b-sides da banda de Athens, desde 1988, quando eles assinaram com a Warner. Prá começar, a embalagem é luxuosa, com uma luva em material plástico transparente, livreto de 40 páginas com explicações da banda para cada música da coletânea e ainda um poster. Vendo-a, entende-se por que essa edição não foi lançada por aqui... uma lástima!

Raridades do R.E.M. já tinham sido reunidas em outras coletâneas – Dead Letter Office, de 1987, ainda da fase I.R.S., e The Automatic Box, de 1993, com 4 CDs) – portanto não é nenhuma novidade conferir o talento da banda nas versões acústicas de Pop Song '89 e Why Not Smile, por exemplo, ou nos arranjos mais intimistas para Leave e Beat A Drum. Apesar de repetir alguma coisa do antigo box, como W.S. Burroughs "declamando" Star Me Kitten, o material inédito inclui Turn You Inside-Out, The One I Love e Country Feedback (todas ao vivo) e a instrumental 2JN.

Encerro os exemplos da minha "teoria" por aqui, mas sei que existem muitos outros por aí. O Cure já está com o seu box de b-sides à venda, infelizmente não tive a oportunidade de conferir, embora conheça grande parte do material do disco 1, que já tinha saído no lado B da edição em cassete da primeira coletânea da banda, de 1986, e que se chamou Standing On The Beach. Até hoje me arrependo de ter negociado – nem me lembro pelo quê – essa verdadeira "raridade". :-(


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