| Música de fundo (1976 Epic / CBS EK-33949) O jovem John Francis Pastorius, mais conhecido como Jaco Pastorius [1951-1987] foi um gênio no seu instrumento, com uma passagem efêmera pelo mundo da música. Iniciando sua carreira nos anos 70, morreu tragicamente na década de 80. Possuidor de uma técnica excepcional, aliada a uma grande inspiração melódica, tocava solos extremamente rápidos e consistentes, chamando a atenção para o seu instrumento. Além de músico, era um talentoso compositor, arranjador e produtor. Ele e Stanley Clarke [1951-] foram as maiores referências no seu instrumento nos anos 70. Nascido em 01/12/1951, na cidade de Norristown (Pensylvania), Jaco criou-se na cidade de Fort Lauderdale, onde aprendeu a tocar e acompanhava os artistas de R&B e Pop que visitavam a cidade. Cedo tornou-se uma lenda local. Sua carreira começou a deslanchar quando uniu-se a um então iniciante no "fusion", Pat Metheny [1954-], por volta de 1974. Dois anos depois (1976) ele foi convidado a unir-se ao conjunto Weather Report [1970-1985], onde ficou até 1981. Depois de sair do WR participou de vários álbuns, como instrumentista ou produtor (Joni Mitchell, Blood Sweat and Tears, Paul Bley, Bireli Lagrene and Ira Sullivan). Entre 1980 a 1984, ele passou gravando e excursionando com a sua banda "Word Of Mouth" [1980-1984]. Este álbum ("Jaco Pastorius") é o seu primeiro grande esforço como artista individual. Foi muito aclamado na época de seu lançamento e até hoje é considerado uma obra-mestra (uma das melhores obras do gênero). O álbum tem que ser escutado com o ouvido especialmente atento para o baixo. O álbum inicia com Jaco Pastorius mostrando a sua virtuosidade no instrumento, ao solar magnificamente em "Donna Lee", um "standard" de Charlie Parker [1920-1955], somente com acompanhamento de Don Alias nas congas. Segue-se um "funk-soul" em "Come On, Come Over", onde JP mostra todo o seu "swing" no baixo. O álbum tem estilos variados, "Continuum", no melhor estilo "fusion", seria sucesso em qualquer "Free Jazz Festival". Em "Speak Like a Child" composta em parceria com o pianista Herbie Hancock [1940-], alem de mostrar a rapidez e fluência no baixo, JP mostra a sua versatilidade, compondo e introduzindo um arranjo de cordas, composto por violinos, violas e violoncelos. Destaque também para a originalidade (ousadia, na época) de "Okonkole Y Trompa", uma obra composta para baixo elétrico, trompa Francesa e percussão. Com exceção de "Dona Lee" todas as músicas são de sua autoria. Este álbum foi considerado uma das mais extraordinárias estréias na história do Jazz, pela qualidade das suas músicas, originalidade nos arranjos, arrojo (como em "Okonkole Y Trompa") e, particularmente, por se tratar do primeiro álbum de um jovem de somente 24 anos. A presença de pesos-pesados, tais como Herbie Hancock (Piano, Teclados, Clavinet, Fender Rhodes), Hubert Laws [1939-] (Flauta, Piccolo), Lenny White [1949-] (bateria), Wayne Shorter [1933-] (sax soprano), Don Alias (percussão) não inibe nem um pouco a Jaco Pastorius, senhor de seu instrumento e dominante em todas as músicas. Um cuidado especial com relação ao volume do som. Para ouvir bem o baixo na primeira faixa ("Donna Lee"), eu tive que aumentar bastante o volume. No entanto, da 2ª música em diante ("Come On, Come Over") a gravação está num volume mais alto e pode estourar seus ouvidos se você levantou muito o volume na 1ª faixa. Este é o único defeito do disco. Pelo menos na versão que eu tenho (1976, com 9 músicas). Este CD já foi relançado (1990/1991/2000 Epic), numa versão remasterizada, com mais duas faixas bônus (alternate takes de "(Used to Be a) Cha Cha" and "6/4 Jam"), onde, talvez, este problema não seja percebido. Acompanha um livreto de 8 páginas, com uma introdução de Herbie Hancock e os devidos créditos sobre cada uma das 9 músicas que compõe esta edição. Ao morrer, Pastorius foi imediatamente "canonizado", sendo homenageado, entre outros, por ninguém menos que Miles Davis [1926-1991], que interpreta a música "Mr. Pastorius" (álbum Amandla - 1989 Warner 9-25873-2) em sua homenagem. É inimaginável até onde teria ido a genialidade de Jaco Pastorius, extraindo sons e nuances surpreendentes de um instrumento normalmente relegado a um papel de suporte, mais secundário, trazendo-o com todo brilhantismo para a frente do palco. R.I.P., Jaco! J.T. Cevallos, 19/02/2004. P.S.: "Okonkolo" é um instrumento de percussão, constituído por uma caixa de madeira de formato trapezoidal (tipo uma urna) com uma abertura circular numa das faces. Tipo uma caixa de som sem o alto falante... Só mesmo vendo a figura. Para quem desejar conhecer um pouco mais sobre os instrumentos, segue o link onde eu encontrei o okonkolo, afuche, piccolo (pequeno piston de 4 válvulas), etc: http://musical-instruments.realemall.com/Fat-Congas/Batajon-Okonkolo.asp = JTC/jtc = |
23 de fev. de 2004
14 de fev. de 2004
| Play the Blues... (1983 Uptown Productions / Van BLAD. Em: Revista "DVD Collection", nº 07) O Sr. Riley B. King, nasceu em 16/09/1925, na cidade de Indianola [MS]. As sementes do tão duradouro talento de BBK foram plantadas na zona do Delta do Mississipi, rica em blues. A música country e gospel foram grandes influências durante a sua juventude, assim como grandes nomes do blues, tais como T-Bone Walker [1910-1975] e Lonnie Johnson [1899-1970], e gênios do jazz como Charlie Christian [1916-1942] e Django Reinhardt [1910-1953]. Mas o seu primeiro mestre do blues, foi mesmo o seu primo, Bukka White [1906-1977], guitarrista de country blues. Em 1946, King foi visitar o seu primo em Memphis e ficou por lá uns dez meses, durante os quais este lhe ensinou os segredos da guitarra no blues. Sua carreira data dos anos 50, construindo sucesso após sucesso. A sua biografia (no All Music Guide) não explica quando ele iniciou a ser chamado o "Rei do Blues", nem a razão de tão grande e duradouro sucesso. Afinal, seria só ele que tocava e cantava blues tão bem? Quem eram seus contemporâneos? A resposta para isto demanda uma pesquisa mais a fundo, que eu, por enquanto, não me animei a fazer. Certamente já existem biografias dele [nos EUA] que seguem esta linha. Eu, por enquanto, acredito que é algo assim como o "Pelé", o nosso "Rei do Futebol" e "Atleta do Século". De tempos em tempos, talento, genialidade, sorte, economia, política, negócios e, por que não, providência divina, se juntam numa série de circunstâncias e culminam num ser especial, que consegue representar o conceito (blues, no caso de BBK, futebol, no caso de Pelé, música clássica, com Mozart) de uma forma honesta, carismática, irrefutável e universal. Como diz o Professor Charles Xavier, "a natureza, de tempos em tempos, dá um salto à frente" ("X-Men 2"). Esses são os nossos "Reis". Back to earth. Voltando ao DVD. O DVD apresenta um show ao vivo, gravado no clube "Nick's Uptown", em Dallas, Texas, no ano de 1983. Eu dei este DVD de presente para o meu cunhado (o João) que, assim como eu, também gosta muito de blues. Comprei "às cegas", pois como o meu cunhado não tem nenhum DVD do BBK, qualquer coisa dele já seria um acréscimo à sua DVDteca. É claro que eu já tinha as minhas "segundas intenções" (algo assim, como direi..., quando eu compro um DVD para a minha esposa...). Esperei passar o tempo regulamentar, para que ele tivesse oportunidade de ver o DVD algumas vezes e, chegado fevereiro, minhas férias, pedi emprestado. Meus caros amigos, eu lhes digo, modéstia a parte, eu dei um presente muito legal! O DVD traz alguns de seus maiores sucessos. As músicas do show são as seguintes:
A imagem está muito boa. Não consegui testar o áudio 5.1 porque não tenho um home theater. Destaque para a sua interpretação de "Love Me Tender", onde o velho mestre mostra como pode impregnar com nuances de blues uma velha e conhecida canção, num resultado surpreendente, mostrando a sua versatilidade de interpretação ("Love Me Tender" foi imortalizada por Elvis Presley. Se vocês não se lembram, a mãe de vocês certamente deve se lembrar :-)). E não poderia faltar "The Thrill Is Gone" um dos mais estrondosos sucessos de sua carreira. Origem da Lucille - Outra curiosidade (além do "Love Me Tender") é quando ele fala sobre o nome da sua guitarra. Este DVD é entremeado por trechos de uma entrevista com o Rei do Blues, e, numa destas passagens ele conta porque batizou a sua guitarra de "Lucille". Conta ele que o nome Lucille vem de um local chamado "Twist", no Arkansas (na pequena cidade de "Twist"). B.B. King costumava tocar lá, às 6ª e Sábados, quando não tocasse em outro local (o que era bem freqüente, segundo ele...). No inverno o "Twist" ficava bem frio e eles colocavam um grande latão no meio do bar, com querosene, acendiam, e isso era o "aquecimento" dos clientes e dos músicos. Normalmente as pessoas dançavam ao redor dele, mas, numa noite, dois homens brigaram e um deles foi empurrado para o latão. O latão caiu e derramou no chão o querosene que estava queimando. O chão pegou fogo. Houve um princípio de pânico e todos correram para fora, gritando. Chegando lá fora, continua na entrevista, ele lembrou que havia esquecido a sua guitarra lá dentro. O bar era de madeira e estava queimando rápido. Ainda assim, ele voltou lá dentro e o bar começou a desabar à sua volta. Ele quase morreu mas, conseguiu salvar a sua guitarra! B.B King soube depois que a briga havia começado por causa de uma mulher, chamada Lucille. Então ele deu este nome à guitarra, "para me lembra de não fazer mais isto", conta ele sorridente. Pela qualidade do DVD, pelo registro histórico, pelas interpretações e pelos trechos da entrevista, o DVD é altamente recomendável. Vou ver se ainda o encontro nas Americanas. J.T. Cevallos, 12/02/2004. = JTC/jtc = |
9 de fev. de 2004
| Música de fundo (1972 CTI 6009 & 1997 Sony 65130) George Benson é, simplesmente, um dos melhores guitarristas da história do jazz. Ponto. Extremamente versátil, ele é capaz de tocar praticamente em qualquer estilo, jazz tradicional, do swing ao bop, do R&B ao pop. Suas inspirações foram Charlie Christian e Wes Montgomery, mas ele tem um estilo completamente próprio. Além de tocar brilhantemente como guitarrista principal, ele também é um excelente guitarrista rítmico, como suporte a outros solistas. Para completar, George Benson também canta muito bem, seja “Pop” ou “Soul” romântico, e é sua voz que o tornou mais popular para o público do que a sua guitarra. Em razão disso, os críticos mais puristas torcem o nariz quando falam dele, rotulando-o como um simples "cantor pop que também toca guitarra muito bem". Esta aversão data de 1985, quando, George Benson, numa então predestinada brilhante carreira no jazz, deu uma guinada na carreira com o estrondoso sucesso "This Masquerade" (do álbum "Breezin"). O guiatarrista de jazz tornou-se um eterno "show-man". Este álbum é da sua fase “jazzística”. Junto com outros músicos igualmente talentosos - Ron Carter (baixo), Jack DeJohnette (bateria), Clarence Palmer (órgão), Michael Cameron e Albert Nicholson (percussão) - apresenta uma soberba sessão de jazz. A inclusão de um órgão e percussão podem parecer meio estranhos numa sessão de jazz, mas não comprometem o resultado final. O álbum inicia com “So What”, que foi a também a abertura do consagrado álbum “Kind Of Blue”, de Miles Davis. Benson demonstra toda sua técnica e melodia em solos brilhantes, seguido pelos não menos inspirados Carter e DeJohnette. A grata surpresa é “The Gentle Rain”, do brasileiro Luiz Bonfá. Mais conhecido pelo “Tema de Orfeu Negro” ou “Manhã de Carnaval”. Aqui inspira belos solos de George Benson e do organista Clarence Palmer. A bela balada “Ode To A Kudo” mostra o toque delicado de George Benson e a bateria de DeJohnette, perfeitamente entrosados. Estes são os destaques. Temos também “All Clear” e “Somewhere In The East”. Três “alternate takes” (All Clear, Ode To A Kudo e Somewhere In The East) completam o álbum, mas só interessam aos realmente Benson-fanáticos. Considerando-se que cada vez mais a carreira de Benson se afasta da trilha do jazz e que seus belos solos de guitarra vão se tornar mercadoria rara, este álbum é obrigatório para todos os fãs da sua guitarra. J.T. Cevallos, 25/01/2004. = JTC/jtc = |
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