| Play the Blues... (1983 Uptown Productions / Van BLAD. Em: Revista "DVD Collection", nº 07) O Sr. Riley B. King, nasceu em 16/09/1925, na cidade de Indianola [MS]. As sementes do tão duradouro talento de BBK foram plantadas na zona do Delta do Mississipi, rica em blues. A música country e gospel foram grandes influências durante a sua juventude, assim como grandes nomes do blues, tais como T-Bone Walker [1910-1975] e Lonnie Johnson [1899-1970], e gênios do jazz como Charlie Christian [1916-1942] e Django Reinhardt [1910-1953]. Mas o seu primeiro mestre do blues, foi mesmo o seu primo, Bukka White [1906-1977], guitarrista de country blues. Em 1946, King foi visitar o seu primo em Memphis e ficou por lá uns dez meses, durante os quais este lhe ensinou os segredos da guitarra no blues. Sua carreira data dos anos 50, construindo sucesso após sucesso. A sua biografia (no All Music Guide) não explica quando ele iniciou a ser chamado o "Rei do Blues", nem a razão de tão grande e duradouro sucesso. Afinal, seria só ele que tocava e cantava blues tão bem? Quem eram seus contemporâneos? A resposta para isto demanda uma pesquisa mais a fundo, que eu, por enquanto, não me animei a fazer. Certamente já existem biografias dele [nos EUA] que seguem esta linha. Eu, por enquanto, acredito que é algo assim como o "Pelé", o nosso "Rei do Futebol" e "Atleta do Século". De tempos em tempos, talento, genialidade, sorte, economia, política, negócios e, por que não, providência divina, se juntam numa série de circunstâncias e culminam num ser especial, que consegue representar o conceito (blues, no caso de BBK, futebol, no caso de Pelé, música clássica, com Mozart) de uma forma honesta, carismática, irrefutável e universal. Como diz o Professor Charles Xavier, "a natureza, de tempos em tempos, dá um salto à frente" ("X-Men 2"). Esses são os nossos "Reis". Back to earth. Voltando ao DVD. O DVD apresenta um show ao vivo, gravado no clube "Nick's Uptown", em Dallas, Texas, no ano de 1983. Eu dei este DVD de presente para o meu cunhado (o João) que, assim como eu, também gosta muito de blues. Comprei "às cegas", pois como o meu cunhado não tem nenhum DVD do BBK, qualquer coisa dele já seria um acréscimo à sua DVDteca. É claro que eu já tinha as minhas "segundas intenções" (algo assim, como direi..., quando eu compro um DVD para a minha esposa...). Esperei passar o tempo regulamentar, para que ele tivesse oportunidade de ver o DVD algumas vezes e, chegado fevereiro, minhas férias, pedi emprestado. Meus caros amigos, eu lhes digo, modéstia a parte, eu dei um presente muito legal! O DVD traz alguns de seus maiores sucessos. As músicas do show são as seguintes:
A imagem está muito boa. Não consegui testar o áudio 5.1 porque não tenho um home theater. Destaque para a sua interpretação de "Love Me Tender", onde o velho mestre mostra como pode impregnar com nuances de blues uma velha e conhecida canção, num resultado surpreendente, mostrando a sua versatilidade de interpretação ("Love Me Tender" foi imortalizada por Elvis Presley. Se vocês não se lembram, a mãe de vocês certamente deve se lembrar :-)). E não poderia faltar "The Thrill Is Gone" um dos mais estrondosos sucessos de sua carreira. Origem da Lucille - Outra curiosidade (além do "Love Me Tender") é quando ele fala sobre o nome da sua guitarra. Este DVD é entremeado por trechos de uma entrevista com o Rei do Blues, e, numa destas passagens ele conta porque batizou a sua guitarra de "Lucille". Conta ele que o nome Lucille vem de um local chamado "Twist", no Arkansas (na pequena cidade de "Twist"). B.B. King costumava tocar lá, às 6ª e Sábados, quando não tocasse em outro local (o que era bem freqüente, segundo ele...). No inverno o "Twist" ficava bem frio e eles colocavam um grande latão no meio do bar, com querosene, acendiam, e isso era o "aquecimento" dos clientes e dos músicos. Normalmente as pessoas dançavam ao redor dele, mas, numa noite, dois homens brigaram e um deles foi empurrado para o latão. O latão caiu e derramou no chão o querosene que estava queimando. O chão pegou fogo. Houve um princípio de pânico e todos correram para fora, gritando. Chegando lá fora, continua na entrevista, ele lembrou que havia esquecido a sua guitarra lá dentro. O bar era de madeira e estava queimando rápido. Ainda assim, ele voltou lá dentro e o bar começou a desabar à sua volta. Ele quase morreu mas, conseguiu salvar a sua guitarra! B.B King soube depois que a briga havia começado por causa de uma mulher, chamada Lucille. Então ele deu este nome à guitarra, "para me lembra de não fazer mais isto", conta ele sorridente. Pela qualidade do DVD, pelo registro histórico, pelas interpretações e pelos trechos da entrevista, o DVD é altamente recomendável. Vou ver se ainda o encontro nas Americanas. J.T. Cevallos, 12/02/2004. = JTC/jtc = |
14 de fev. de 2004
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