| Música de fundo (2003[?] NBO Editora s/nº) Nesta 5ª feira (07/05/04) estava doente (gripe, resfriado) e não fui trabalhar. Aproveitei o tempo para ver o DVD "British Rock" que eu havia comprado nas Americanas na semana passada, junto com mais outros nas ofertas. O DVD foi uma grata surpresa. Fiquei tão entusiasmado (e tinha tempo...) que resolvi escrever alguma coisa sobre ele na nossa seção "Música de Fundo" do Diário do AME (embora, não tenha assistido durante a elaboração do Diário propriamente dito...). O filme é um documentário sobre um dos momentos mais importantes e influentes do rock britânico e internacional, com trechos dos principais representantes da época, a iniciar pelos Beatles [1960-70]. Na zona de Liverpool (Mersey) a influência do rock americano (Bill Haley & His Comets) [1925-81] levou à criação de inúmeras bandas. De todas, um grupo de quatro rapazes se destacou, eram os Beatles. O DVD mostra imagens raras (de arquivo) onde podemos ver um trecho dos Beatles no hoje famoso Tavern Club, onde tudo começou. Seguem-se apresentações de Gerry & the Pacemakers [1959-66], The Tremeloes [1958- ], The Hollies [1962- ] e muitos outros. Enquanto os rapazes de Mersey/Liverpool curtiam seu rock, a turma de Londres, mais intelectualizada (composta por universitários), curtia mais o blues americano. O documentário mostra seqüências no clube de Alexis Korner [1928-1984], onde tocaram e cantaram nomes com Howling Wolf [1910-76], Willie Dixon [1915-92] e Muddy Waters [1915-1983]. Sob influência do blues americano, os jovens londrinos começaram a formar suas bandas. É nessa época (anos 60) que surgem os Rolling Stones [1963-], com uma atitude mais agressiva e radical do que os Beatles. O filme mostra o jovem Mick Jagger [1943- ], nos primórdios de sua carreira. A curiosidade é ver ele cantando um cover dos Beatles, "I Wanna Be Your Man" e, é claro, de uma forma bem mais insinuante e maliciosa do que poderiam imaginar Paul McCartney [1942- ] e John Lennon [1940-80] (autores da música), que faziam, segundo Mick Jagger, uma música muito "sentimentalista". O sucesso dos Rolling Stones abriu caminho para outros conjuntos, como o The Animals [1964-68] (lembram de Eric Burdon cantando "The House of the Rising Sun" ?), The Raven [1963-64] que depois trocaram o nome para The Kinks [1964- ]. Enquanto isso, na América, a última mania era iniciada com um jovem da Filadélfia, Chubby Checker [1941- ], com o "Twist". Era 1963, e as músicas que chegavam ao topo do "hit parade" já não causavam nenhuma surpresa. A coisa andava monótona, até que ... Os Beatles chegam à América! Podemos ver a sua chegada triunfal na Rádio WEA e apoteose em suas apresentações (ao som de "I Saw Her Standing There"). Os Beatles invadiam as rádios americanas! Era o início da "Invasão Britânica" do rock. Vemos imagens das entrevistas dos quatro jovens cantores com os jornalistas da época. As imagens mostram o quanto John Lennon [JL] era debochado e o seu senso de humor, quando o repórter [R] lhe pergunta o nome: [R] Qual deles você é? [JL] Eric. [R] Eric?! [JL] Não querem falar comigo. Querem falar com Paul. Mas vou responder. (diz olhando para o que parece ser um outro grupo de repórteres. Aqui já aparece uma certa dose da rivalidade entre os dois). [R] Eric, esses são seus fãs americanos. [JL] Meu nome é John! [R] John? Bem, John, aqui estão os seus fãs. Quarenta milhões de telespectadores. [JL] Parece que tem somente um aqui... [R] Você está sendo filmado... [JL] Ah! É o câmera man" (sorrindo) [R] O que acha do público americano? [JL] São loucos mesmo! [R] Por quê? [JL] Bem, não sei direito. Hoje foi maravilhoso, mas também ridículo. Havia 8 mil pessoas gritando juntas... Tivemos que gritar mais que elas nos microfones e ainda assim não conseguimos. [fim da entrevista] Seguem-se apresentações de Gerry & the Pacemakers ("Ferry Cross the Mersey"), Freddie & the Dreamers [1961-68] [que hoje seriam caricatos com a sua coreografia], Manfred Mann [1962-71] ("Do Wah Diddy Diddy"). A chegada dos Rolling Stones no aeroporto (voando na já falecida PanAm), ao som de "Around, Around", para três semanas de turnê pelos EUA. São tão jovens ainda, tímidos ao responder ao repórter. Nem sonhavam que seriam uma dia um megasucesso e ter milhões de fãs em todo o mundo até os dias de hoje (são 40 anos de estrada...). Mick Jagger já era magérrimo e, com seus trejeitos no palco empolgava a platéia, cheia de mocinhas gritando enlouquecidas (as "tietes"). Ele nem imaginava que um dia teria um filho com uma brasileira... Na seqüência, vem os The Animals com "We've Gotta Get Out of This Place" e os Beatles com "Can't Buy Me Love". Consolidava-se a Invasão Britânica, e, em 1964, a música inglesa tornou-se conhecida internacionalmente. Além de seus próprios méritos, temos de reconhecer é claro, a ajuda do "trampolim" americano, com o "show bizz" e a sua máquina de fazer dinheiro. A reação americana também é mostrada no documentário, com os Herman's Hermits [1964-70] ("Mrs. Brown You've Got a Lovely Daughter"). Com a volta à Inglaterra, Londres era o reino da nova aristocracia Pop. São da época o Spencer Davis Group [1963-86] ("I'm A Man"), The Who [1964-83] ("Can't Explain"), com um cuidado especial nas roupas e nas músicas, Yardbirds [1963-68] ("Heart Full of Soul"). De novo os Beatles na sua 2ª tournê pela América ("She's a Woman"). A América gestou um novo grupo: The Monkees [1965-69], feitos sob medida para competir com os Beatles e, acima de tudo, ganhar dinheiro, muito dinheiro, com a Invasão Britânica do rock, que se espalhara pelo mundo todo (o pessoal um pouco mais ... "antigo" ... talvez se lembre que os Monkees tinham até um desenho na TV brasileira). Na Inglaterra, outra onda iniciava (não dão trégua...). Álbuns conceituais, solos extensos e instrumentos exóticos revolucionam o mercado. O álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos Beatles, Pink Floyd [1965-] com "The Piper At the Gates of Dawn", Cream [1966-69] com "Disraeli Gears", "Mr. Fantasy" do Traffic [1967-75], são grandes exemplos. Desta época aparece o Cream ("Tales of Brave Ulysses"), onde brilha um jovem Eric Clapton [1945- ], de bigodinho, e já mestre da guitarra. The Who [1964-83] ("My Generation") encerra o DVD e, durante os títulos finais ouvimos The Zombies [1962-67], com "She's Not There". Pelo final de 1967 a dominação inglesa do cenário americano e no britânico tinha chegado ao fim. Mas a contribuição da "Invasão Britânica" tornou o rock and roll uma onda de dimensões universais que jamais será esquecida. Novas tendências podem ir e vir, mas não haverá nenhuma que se compare, em inocência e vitalidade, com a original "Invasão Britânica". Este DVD é uma pérola abandonada nos cestos das promoções. Se você gosta de música e quer conhecer um pouco da sua história, este DVD é obrigatório. Pelo preço que paguei, R$ 9,99 (Lojas Americanas, de tijolo, centro de Porto Alegre) é uma verdadeira pechincha. Corra e compre o seu antes que acabe! J.T. Cevallos, 09/05/04. FICHA TÉCNICA DO DVD: Título: British Rock. Gravadora: NBO Editora. Escrito e dirigido por: Patrick Montgomery e Pámela Page. Narrado por: Michael York. Formato de tela: standard (tela cheia). Áudio: stereo 2.0 e Dolby 5.1 (não testei). Legendas: inglês (músicas de comentários); português/espanhol (comentários). Duração: 60 minutos. Extras (só texto): A Invasão Britânica. Discografia dos Beatles, Rolling Stones, Animals e The Who (não é a discografia completa; aparecem somente a imagem da capa dos principais álbuns da época). Imagem: como se trata de imagens de 40 anos atrás, sem nenhuma nova transferência ou melhoria, a qualidade não é das melhores. Entretanto, não são imagens ruins. Algumas aparecem com um certo desgaste ou [poucos] riscos, pontos brancos, outras são boas. Existem trechos em P&B e colorido. Não percebi nenhuma imagem nublada, difusa; no geral, as imagens são nítidas e podemos ver bem os artistas. Eu diria que existe uma boa qualidade. Não sou perito no assunto, mas já comprei muitos DVDs de banca, com imagem muitíssimo pior. MÚSICAS: She Loves You / The Beatles. (*) Rock Around The Clock / Bill Haley & His Comets. (*) Rit It Up / Ready Teddy. (*) Rock Island Line / Lonnie Donegan. Twist and Shout / The Beatles. It's Gonna Be All Right / Gerry and The Pacemakers. Do You Love Me / Brian Poole & The Tremeloes. Just One Look / The Hollies. I Just Wanna Make Love To You / Rolling Stones. I Wanna Be Your Man / Rolling Stones. House of the Rising Sun / The Animals. All Day and All The Night / The Kinks. I Saw Her Standing There / The Beatles. Ferry Cross The Mersey / Gerry and The Pacemakers. I1m Telling You Now / Freddie & The Dreamers. Do Wah Diddy Diddy / Manfred Man. Around and Around / Rolling Stones. We've Gotta Get Out of This Place / The Animals. Can't Buy Me Love / The Beatles. Mrs. Brown You've Got a Lovely Daughter / Herman's Hermits. I'm A Man / Spencer Davis Group. Can't Explain / The Who. Heart Full of Soul / Yardbirds. She's A Woman / The Beatles. (*) Theme From The Monkees / The Monkees. Tales of Brave Ulysses / Cream. My Generation / The Who. She's Not There / The Zombies (*) só trechos. J.T. Cevallos, 09/05/04. = JTC/jtc = |
24 de mai. de 2004
22 de mai. de 2004
Mais rocker e menos gospel
O Third Day chega ao seu quinto trabalho de estúdio após uma investida muito bem sucedida em projetos de worship albums (Offerings, 2000 & Offerings II, 2003) – mercado que eles ajudaram a recuperar, pois vários artistas de CCM fizeram o mesmo na seqüência –, e de um disco orientado mais para o pop (Come Together, 2001). Pois em Wire (Essencial Records, 2004), eles voltam com força ao southern rock, estilo que os consagrou nos primeiros discos, e cuja a influência de bandas como Lyrnyrd Skynyrd, The Black Crowes e Hootie & The Blowfish é inegável.
Neste "retorno às origens" (desculpem-me pelo clichê), o quinteto de Atlanta, Georgia, chamou um novo produtor (Paul Ebersold) e Brendan O'Brien (que tem no currículo, entre outros, Pearl Jam e Aerosmith) para mixar o álbum. E sente-se a diferença logo aos primeiros acordes de 'Til The Day I Die ou Come On Back To Me, pois os dois souberam explorar bem a sonoridade da banda através dos ótimos arranjos das músicas.
As letras também refletem um pouco do "novo capítulo em sua carreira", segundo o próprio Third Day. Apesar do vocalista e principal compositor, Mac Powell, manter as tradicionais canções que enaltecem a fé e a redenção, outros questionamentos tomam espaço no disco, como o próprio status de celebridade alcançado pela banda (Rockstar e Billy Brown) e as dúvidas em relação a se depositar a confiança em Deus, como na faixa-título e em I Will Hold My Head High.
Assim, alternando rocks consistentes com baladas melódicas, o Third Day reassegura com Wire o seu lugar entre as melhores bandas de Contemporary Christian Music da atualidade, ao lado de Jars Of Clay e dcTalk.
Neste "retorno às origens" (desculpem-me pelo clichê), o quinteto de Atlanta, Georgia, chamou um novo produtor (Paul Ebersold) e Brendan O'Brien (que tem no currículo, entre outros, Pearl Jam e Aerosmith) para mixar o álbum. E sente-se a diferença logo aos primeiros acordes de 'Til The Day I Die ou Come On Back To Me, pois os dois souberam explorar bem a sonoridade da banda através dos ótimos arranjos das músicas.
As letras também refletem um pouco do "novo capítulo em sua carreira", segundo o próprio Third Day. Apesar do vocalista e principal compositor, Mac Powell, manter as tradicionais canções que enaltecem a fé e a redenção, outros questionamentos tomam espaço no disco, como o próprio status de celebridade alcançado pela banda (Rockstar e Billy Brown) e as dúvidas em relação a se depositar a confiança em Deus, como na faixa-título e em I Will Hold My Head High.
Assim, alternando rocks consistentes com baladas melódicas, o Third Day reassegura com Wire o seu lugar entre as melhores bandas de Contemporary Christian Music da atualidade, ao lado de Jars Of Clay e dcTalk.
13 de mai. de 2004
| Play the Blues... (1989 Epic 700.345/2-463395) Nascido em Dallas, Texas, Stevie Ray Vaughan [1954-90] foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores guitarristas de blues de todos os tempos. Um virtuoso no seu instrumento, SRV bebeu na fonte de "bluesmen" como Albert King, Otis Rush e Muddy Waters, rockeiros como Jimi Hendrix e Lonnie Mack, bem como guitarristas de jazz como Kenny Burrell. Aprendeu a tocar a guitarra ainda criança, influenciado pelo seu irmão mais velho, Jimie Vaughan [1951-]. SRV rompeu, como nenhum outro, a barreira entre o blues e o rock. Dono de um estilo único e peculiar, foi uma das grandes influências no blues e no rock and roll. Dez entre dez "bluesmen" brasileiros, são adeptos do "Texas blues" e querem tocar como ele. O grupo "Double Trouble" (nome de uma música de Ottis Rush) foi formado em 1978 e, além de Steve Ray Vaughan (guitarra e vocal), é composto por Reese Wynans (piano e teclados), Chris Layton (bateria) e Tommy Shannon (baixo). Lou Ann Barton (vocal) fazia parte do grupo original Triple Threat in de onde foi derivado o Double Trouble. Em 26/08/1990, encerrado um show (em East Troy, WI), depois de uma "jam session" que contou com grandes guitarristas do blues - Eric Clapton, Buddy Guy, Jimmie Vaughan e Robert Cray, SRV embarcou num helicóptero com destino a Chicago. Minutos depois de sua decolagem às 12:30, o helicóptero caiu, matando SRV e os outros quatro passageiros. Vaughan tinha somente 35 anos. "In Step" (1989 Epic/Legacy) é o álbum de maior sucesso de sua carreira e, segundo Ted Drozdowski, da Amazon, o primeiro que ele gravou sóbrio... (SRV havia recém saído de uma clínica de rehabilitação, onde havia se internado para curar-se do vício do álcool e das drogas). Com ele SRV ganhou um prêmio "Grammy" por "Melhor Gravação de Blues Contemporâneo" (Best Contemporary Blues Recording) e ganhou um Disco de Ouro após somente 6 meses de seu lançamento. O álbum é uma mistura de blues e rock, tocados com a energia e sentimento que lhe eram tão peculiares. A minha edição é a de 1989, mas este álbum já foi relançado em março/1999 (nos EUA) com som remasterizado e trilhas adicionais (bônus tracks). No Brasil, para variar, lançaram sem as trilhas adicionais... A saber: 1. The House Is Rockin' 2. Crossfire 3. Tightrope 4. Let Me Love You Baby 5. Leave My Girl Alone 6. Travis Walk 7. Wall Of Denial 8. Scratch `N' Sniff 9. Love Me Darlin' 10. Riviera Paradise E as "bônus tracks": 11. SRV Speaks - (previously unreleased) 12. The House Is Rockin' (previously unreleased, live) 13. Let Me Love You Baby - (previously unreleased, live) 14. Texas Flood - (previously unreleased, live) 15. Life Without You - (previously unreleased, live) O álbum inicia de forma estrondosa, com o boogie "The House Is Rockin", seguido de blues-rock, com "Crossfire" e "Tightrope". O bom e velho blues aparece em "Leave My Girl Alone" e na energia instrumental de "Travis Walk". Destaque também para o blues "Scratch-N-Sniff". O álbum encerra com chave de ouro (na minha edição, nacional). A instrumental "Riviera Paradise" está entre as mais belas músicas que ele compôs. Uma mistura de blues e jazz, de um lirismo e delicadeza que contrasta com a energia emenada em todo o resto do álbum. A melodia flui de seus dedos sem interrupção, num fluxo constante onde demonstra a sua virtuosidade no instrumento e a intimidade com aqueles momentos mais tristes do coração dos "bluesmen". O "Rei do Blues", B.B. King, disse numa entrevista que, enquanto os guitarristas de blues (ele inclusive) sempre ficam pensando no que vão fazer nas próximas notas, com SRV a melodia parecia fluir de seus dedos com uma facilidade incrível, sem pausas e sem esta necessidade de "pensar adiante". Ele era extremamente natural, construindo seus "fraseados" na guitarra sem um esforço aparente. Tal era a sua genialidade. Stevie Ray Vaughan morreu jovem, e só Deus sabe até onde chegaria no mundo do show business com a sua guitarra. Cada vez que ouço um de seus discos, os sentimentos são contraditórios e meio confusos, a alegria de ouvi-lo bate contra tristeza de não te-lo mais entre nós. Já disseram que a gente deve sentir saudade, mas não tristeza. Assim seja. Não nos resta mais nada a não ser consumir cada minuto de seu legado. R.I.P. [requiescat in pace], descansa em paz, Stevie! J.T. Cevallos, 02/05/2004. = JTC/jtc = |
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