Não fazem nem doze horas que presenciei o show do Arcade Fire e The Strokes no imenso "galpão" da fábrica de máquinas Condor, em Porto Alegre, pelo TIM Festival, mas eu gostaria de registrar a experiência aproveitando para dar continuidade a série de comentários sobre novas bandas que "ressuscitaram" a sonoridade dos anos 80. Apesar da nítida influência de bandas como Echo & the Bunnymen e Joy Division (eles de novo), o octeto canadense Arcade Fire é difícil de ser rotulado – um dos indícios de que a qualidade de seu trabalho está acima da média. Vou mais além, e arrisco em dizer que seu álbum de estréia, Funeral (2005, Slag), é um dos melhores discos do ano, se não o melhor. São dez faixas com arranjos inusitados (incluindo aí violino e arcodeón), letras melancólicas e ritmos alternados, que me lembraram o Dexy's Midnight Runners. Não bastasse seu conteúdo, a embalagem do CD é de uma qualidade rara, tão bonita que até impressiona o fato de ter sido lançado por aqui com o mesmo apuro visual. No entanto, é no palco que o Arcade Fire mais impressiona. A energia com que a banda se entrega na execução do seu repertório eu ainda não havia visto! Em momento algum os oito integrantes da banda passam despercebidos ou são relegados a um segundo plano pelo vocalista principal, Win Butler, realizando performances quase alucinadas com ou sem o seu instrumento, correndo pelo palco, ou fazendo o backing vocal com legítima empolgação. Prá completar, a cada canção há uma troca de instrumentos entre eles, e quem estava tocando teclado em uma música aparece na percussão na seguinte, ou no acordeón, guitarra, baixo... Com tamanho vigor, não é de se estranhar que o U2 tenha os convidado para abrir seus shows em sua passagem por Montreal e usado Wake up como tema de abertura da turnê Vertigo. A apresentação iniciou com a própria Wake Up, uma canção com batida forte, riff marcante e um côro impossível de não acompanhar. A seguir, uma a uma, as canções do único álbum são executadas com visível intensidade que contagia a platéia de forma quase religiosa. Neighborhood #1 (Tunnels), Une Année Sans Lumière, Neighborhood #3 (Power Out) e Crown Of Love parecem já hits de longa data. E quem ainda tinha dúvidas quanto a empatia que uma banda inciante e pouco conhecida pudesse causar, deu o braço a torcer com a maravilhosa cover da "nossa" Aquarela do Brasil, de Ary Barroso (na versão de Frank Sinatra), executada de uma forma solene e impecável. A rápida apresentação terminou com outra bela canção do disco, Rebellion (Lies), também com um refrão memorável, fazendo a platéia repetir exaustivamente o "Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh", hipnotizada mesmo após a saída da banda. Strokes? Que Strokes? Prá mim, o Arcade Fire já tinha valido o ingresso. ;-) |
26 de out. de 2005
Bem-vindo aos 80s! (2ª parte)
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