Apesar da diferença de idade entre Coleman e Metheny, o mesmo não se pode dizer de seus estilos. Postos lado-a-lado, o free jazz e o fusion compartilham semelhanças na ousadia e ferocidade de algumas faixas (como em “Endangered Species”, de todas talvez a mais dificil de "digerir"), e lapidam igualmente as nuances da improvisação e do experimentalismo, com um resultado cuja beleza começamos a perceber a partir da segunda ou terceira audição, como demonstram as faixas “Song X” e “Trigonometry”. Mas há espaço também para momentos mais sutis e tranqüilos em “Mob Job” e “Kathelin Gray”.
O disco é quase todo fruto da genialidade de Coleman - para muitos, comparável a de John Coltrane. Contudo, Metheny e o demais se sentem bem a vontade ao explorar as formas livres que o saxofonista propõe em suas composições. Mesmo com sua guitarra soando um pouco mais baixa nessa remixagem, é possível notar que Metheny trabalha com a mesma liberdade do saxofonista, às vezes de forma quase nervosa, ambos impelidos constantemente pela firme seção rítmica. Na época, foi o primeiro disco lançado pela Geffen (após uma década com a ECM), e Metheny mostrou-se certeiro, ainda que audacioso, ao gravá-lo em parceria com Coleman.
Essa edição de 20º aniversário inclui ainda seis faixas novas, sobras da gravação original e que foram inseridas antes de “Song X” (que iniciava o álbum), das quais “Police People” e “The Good Life” são destaque.

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