No início deste ano, Steven Patrick Morrissey (que completará 50 anos no próximo dia 22 de maio) afirmou à revista americana "Filter" que estava pensando em se aposentar em breve, pois ficar muito tempo na estrada poderia comprometer sua criatividade. Se isso realmente vir a acontecer, o ex-integrante dos Smiths o terá feito na oportunidade certa, ou seja, em um fértil período criativo retomado a partir do disco You Are the Quarry, de 2004, confirmado em Ringleader of the Tormentors, de 2006, e agora atingindo seu auge com o lançamento deste Years of Refusal (Polydor, 2009).Na medida certa, Morrissey mais uma vez combina suas letras sobre desafetos e amores intangíveis, ora tristes, ora carregadas de sarcasmo, juntamente com melodias de apelo pop inegável. E os hits em sua carreira se acumulam: "Something Is Squeezing My Skull", "I'm Throwing My Arms Around Paris", "That's How People Grow Up"... Nesta última ele traduz de forma tão mordaz a sua desilusão com a idiossincrasia do ser humano. Já em "You Were Good In Your Time" encontramos a habilidade única de Morrissey em extrair a essência do sentimento de melancolia de uma composição e que eu não ouvia desde "I Know It's Over".
Mesmo os fãs mais radicais de sua seminal banda de Machester terão que dar o braço a torcer para a perfeita parceria que ele tem mantido com o guitarrista Boz Boorer, e que nos faz até esquecer de Johnny Marr quando acompanhamos seu trabalho solo. Embora os estilos sejam diferentes, o entrosamento entre os músicos (e isso se estende ao resto da banda que o acompanha atualmente) é seguramente o mesmo, tornando-se fundamental para que o estilo de Morrissey sobreviva por tanto tempo sem apelar para mudanças dramáticas em sua sonoridade.
Sinceramente, eu espero que Years of Refusal não seja o último álbum de Morrissey, antes de seu anunciado ostracismo. Mas se for, ao menos ele terá deixado o showbizz de forma digna, com um trabalho à altura do que sua carreira representa e da sua influência na música pop. E quando isso ocorrer, então teremos motivos de sobra para nos sentirmos realmente tristes.

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