11 de set. de 2002






Coldplay - A Rush of Blood To the Head

Confesso que sou um pouco fechado a novidades, desde que o rock em geral, e o britânico em especial, tem mostrado há quase uma década sinais sérios de desgaste. Mas os ingleses (sempre eles) do Coldplay me fizeram rever este conceito mais uma vez. Graças a este A Rush of Blood To the Head, a Inglaterra pode assegurar por mais um ano o posto de berço do melhor rock do planeta.

Não há muita novidade no som do Coldplay. Seu primeiro trabalho, Parachutes - inferior, mas igualmente belo - já trazia um toque de Radiohead lá e cá. Este toque permanece em algumas canções do Rush..., mais discreto, é claro, mas quem disse que o que Radiohead fazia no começo era totalmente original? Sinceramente, a originalidade está cada vez escassa no rock. Agora, quanto a inspiração deste quarteto londrino, isso sim, é inegavelmente própria. Melodias de rara beleza, guitarras que não se destacam mais do que devem, teclados melancólicos, vocais idem. Coldplay é o típico representante do brit-pop, mas como não se via há alguns anos... desde que The Verve se desfez; desde que o Oasis partiu para a assumir a bem-sucedida carreira de dar declarações bombásticas e gravar discos insossos; desde que o próprio Radiohead não tivesse ficado tão auto-indulgente em relação aos seus últimos trabalhos.

Porém, neste caso a diferença está em terem acertado a fórmula que une o rock básico a momentos brilhantes e únicos como em In My Place, e o seu dedilhado simples e eficaz, The Scientist, que é pura melancolia, e as mais "alegrinhas" Clocks e Daylight. Quanto as demais referências - aquelas que os críticos gostam de usar para poderem rotular a banda -, tem Warning Sign, que lembra The Verve, A Whisper, tem alguma coisa do Pink Floyd e Daylight poderia perfeitamente ter saído da cabeça do Thom Yorke (poderia....).

Momentos que trazem um pouco mais de esperança a este estilo já um tanto desacreditado.



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