21 de set. de 2002

Suspense de outro mundo

Deixei o cinema há poucas horas atrás, ainda com aquela “primeira impressão” a respeito do novo filme de M. Night Shyamalan, diretor de O Sexto Sentido e Corpo Fechado (ótimos filmes, nesta ordem), para confirmar que ele ainda não me decepcionou e, em se tratando de suspense, é exímio ao prender a atenção do público até o fim.

Em Sinais, Shyamalan tentou fazer a sua própria versão de Contatos Imediatos do 3º Grau. Coincidência ou não, até os produtores são parceiros freqüentes de Steven Spielberg. Mas ele foi além, retratando de modo claustrofóbico, a reação gradativa de um fazendeiro (vivido por Mel Gibson) abalado por uma tragédia pessoal e completamente descrente em Deus e na fé que praticou até então, diante de um invasão alienígena.

No lugar da memorável seqüência de notas musicais de Contatos, temos marcas gigantescas nas plantações de milho. Ao invés da opulência das naves de Independence Day, discretos sinais luminosos no céu que aos poucos vão transformando a vida de pessoas no planeta inteiro, levando elas e a família de Graham Hess – seu casal de filhos e o irmão –, até a paranóia. O filme demora um pouco para entrar no ritmo certo, mas não cansa. E nem o velho clichê da “família que reforça seus laços de união diante de uma situação incomum” fica muito óbvio. Talvez a única falha tenha sido o diretor querer aumentar sua própria participação como ator no filme.

Não há muita coerência em certas situações propostas no filme, em especial nas vistas na seqüência final. É nítida a impressão de que tudo foi arrumado para transmitir ao público doses cavalares de suspense e causar sustos, a exemplo dos vistos em O Sexto Sentido mas ausentes em Corpo Fechado, intercalado-os com momentos de humor bem dosados – uma novidade na obra de Shyamalan. E a fórmula funcionou muito bem...

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