26 de set. de 2002

De volta...

Talvez este seja o CD mais aguardado dos Paralamas, devido a tragédia recente por que passou Herbert Vianna. Eu, porém, encaro o lançamento com outros olhos. Diante da falta de inspiração generalizada do rock brasilis, está cada vez mais difícil ouvir-se algo realmente interessante. (Sinceramente, de todas as bandas no atual cenário brasileiro, a única que vem apresentando um trabalho com alguma dignidade é o Pato Fu)

Por isso fui até o site do CD Longo Caminho escutar as novas músicas. Lá tem uma amostra de cerca de 1 minuto de cada uma delas. Mesmo esse pequeno "tira-gosto" já deixa muita água na boca. Herbert Vianna & Cia. continuam fazendo aquilo que fazem melhor: baladas e rocks com cores locais da mais alta qualidade - e dignos de representarem o pouco que sobrou do nosso rock. Basta ouvir a faixa de trabalho, O Calibre, com sua guitarra pesada e urgente e a letra refletindo a paranóia urbana (justificável) em que vivemos, para ver que o trio veio novamente mostrar serviço e acabar com essa palhaçada que rola por aí, dizendo-se rock made in Brazil...


O CALIBRE
Herbert Vianna

Eu vivo sem saber
até quando ainda estou vivo
sem saber o calibre do perigo
eu não sei
da onde vem o tiro

por que caminhos você vai e volta
aonde você nunca vai
em que esquinas você nunca pára
a que horas você nunca sai
há quanto tempo você sente medo
quantos amigos você já perdeu
entrincheirado, vivendo em segredo
e ainda diz que não é problema seu

e a vida já não é mais vida
no caos ninguém é cidadão
as promessas foram esquecidas
não há Estado, não há mais nação
perdido em números de guerra
rezando por dias de paz
não vê que é sua a vida que se encerra
com uma nota curta nos jornais

Precisa dizer mais alguma coisa?

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