Chega o final do ano e, como de praxe, saem diversas listas dos "melhores" discos lançados. Um resumo bem legal do que as revistas e sites especializados elegeram como o melhor do pop/rock/alternativo/indie em 2008 foi feito pelo blog Rock On e eu reproduzo abaixo.
Q
50 albums de 2008
10. Nick Cave & The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
9. The Raconteurs - Consolers Of The Lonely
8. Elbow - The Seldom Seen Kid
7. TV On The Radio - Dear Science
6. Duffy - Rockferry
5. Glasvegas - Glasvegas
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
3. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
1. Kings Of Leon - Only by the Night
Uncut
50 albums de 2008
10. Paul Weller - 22 Dreams
9. Kings Of Leon - Only by the Night
8. Nick Cave & The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
7. Neon Neon - Stainless Style
6. Elbow - The Seldom Seen Kid
5. Vampire Weekend - Vampire Weekend
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
3. TV On The Radio - Dear Science
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
1. Portishead - Third
Paste
50 albums de 2008
10. Deerhunter - Microcastle
9. Lucinda Williams - Little Honey
8. Sun Kil Moon - April (part1 part2)
7. Girl Talk - Feed the Animals
6. Fleet Foxes - Fleet Foxes
5. Okkervil River - The Stand Ins
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
3. Vampire Weekend - Vampire Weekend
2. Sigur Rós - Med sud i eyrum vid spilum endalaust
1. She & Him - Volume One
Rolling Stone
50 albums de 2008
10. Vampire Weekend - Vampire Weekend
9. Metallica - Death Magnetic
8. Beck - Modern Guilt
7. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
6. Santogold - Santogold
5. John Mellencamp - Life, Death, Love & Freedom
4. My Morning Jacket - Evil Urges
3. Lil Wayne - Tha Carter III
2. Bob Dylan - Tell Tale Signs:The Bootleg Series Vol. 8 (part1 part2 part3)
1. TV on the Radio - Dear Science
NME
50 albums de 2008
10. Friendly Fires - Friendly Fires
9. Kings Of Leon - Only By The Night
8. Mystery Jets - Twenty One
7. Santogold - Santogold
6. Metronomy - Nights Out
5. Foals - Antidotes
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
3. Glasvegas - Glasvegas
2. TV On The Radio - Dear Science
1. MGMT - Oracular Spectacular
Mojo
50 albums de 2008
10. Neil Diamond - Home Before Dark
9. The Bug - London Zoo
8. The Week That Was - The Week That Was
7. Glasvegas - Glasvegas
6. The Hold Steady - Stay Positive
5. Nick Cave & The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
3. Paul Weller - 22 Dreams
2. The Last Shadow Puppets - The Age of the Understatement
1. Fleet Foxes - Fleet Foxes
Spin
40 albums de 2008
10. MGMT - Oracular Spectacular
9. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
8. Hot Chip - Made In The Dark
7. Deerhunter - Microcastle
6. Santogold - Santogold
5. Fleet Foxes - Fleet Foxes
4. Fucked Up - The Chemistry Of Common Life
3. Portishead - Third
2. Lil Wayne - Tha Carter III
1. TV On The Radio - Dear Science
Blender
33 albums de 2008
10. Fall Out Boy - Folie A Deux
9. Vampire Weekend - Vampire Weekend
8. Randy Newman - Harps And Angels
7. Of Montreal - Skeletal Lamping
6. Robyn - Robyn
5. Hot Chip - Made In The Dark
4. Metallica - Death Magnetic
3. TV On The Radio - Dear Science
2. Girl Talk - Feed the Animals
1. Lil' Wayne - Tha Carter III
Filter
10 albums de 2008
10. The Dears - Missiles
9. Cut Copy - In Ghost Colors (part1 part2)
8. M83 - Saturdays = Youth
7. She and Him - Volume One
6. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
5. Foals - Antidotes
4. TV On The Radio - Dear Science
3. Dr. Dog - Fate
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
1. MGMT- Oracular Spectacular
Last.fm
10 albums de 2008
10. Med sud i eyrum vid spilum endalaust - Sigur Rós
9. Sleep Through The Static - Jack Johnson
8. Made In The Dark – Hot Chip
7. Narrow Stairs - Death Cab For Cutie
6. Konk – The Kooks
5. We Started Nothing – The Ting Tings
4. Ghosts I-IV (I-II-III-IV) – Nine Inch Nails
3. Third - Portishead
2. Oracular Spectacular - MGMT
1. Viva La Vida Or Death And All His Friends - Coldplay
iTunes
5 albums de 2008
5. Sara Bareilles - Little Voice
4. Lil Wayne - Tha Carter III
3. Juno - Soundtrack
2. Jack Johnson - Sleep Through The Static
1. Coldplay - Viva La Vida Or Death And All His Friends
Particularmente, senti falta de vários discos nestes Top 10, por isso resolvi eleger também os meus 10 melhores lançamentos do ano para corrigir algumas falhas. E também porque muitas das novidades que aparecem acima - Fleet Foxes, TV on the Radio, Bon Iver, Deerhunter... - simplesmente não me despertaram tanto interesse assim e cederam lugar facilmente a outras bandas com mais "tempo de estrada", como o R.E.M. e o seu quase impecável Accelerate. As exceções ficam por conta do interessante Vampire Weekend e do excelente disco do Little Joy, parceria entre o ex-Hermanos Rodrigo Amarante, e do baterista do Strokes, Fabrizio Moretti.
Sendo assim, eis o meu Top 10 (listados em ordem alfabética):
Accelerate (R.E.M.)
Baboon Strength (Charlie Hunter)
Consolers Of The Lonely (The Raconteurs)
Forth (The Verve)
Little Joy (Little Joy)
Lucky (Nada Surf)
Only By The Night (Kings Of Leon)
Vampire Weekend (Vampire Weekend)
Viva La Vida or Death and All His Friends (Coldplay)
Warpaint (The Black Crowes)
Que, como de praxe também, pode ser que esteja diferente daqui a alguns meses... ;-)
FELIZ 2009!
31 de dez. de 2008
11 de dez. de 2008
A Love Supreme (I): Bono & John Coltrane
With John Coltrane and the Love Supreme."
(U2, Bullet The Blue Sky)
Após uma espera de 6 anos (!) - que pode ser comprovada por este antigo post do blog - a editora Barracuda finalmente editou no Brasil o A Love Supreme: A Criação do Álbum Clássico de John Coltrane, que eu comecei a ler este mês. O livro foi escrito pelo ótimo jornalista musical Ashley Kahn, que também é autor do Kind of Blue – A História da Obra-prima de Miles Davis - o qual recomendo a leitura igualmente.
Bom, a minha relação com este que é considerado um dos melhores álbuns de jazz de todos os tempos, surgiu ao ouvir o Bono, do U2, citá-lo na versão da música "Bullet The Blue Sky" que está no disco Rattle And Hum, de 1988. Desde então, sempre tive curiosidade de escutá-lo, mas numa época em que ainda não haviam mp3s, muito menos com a facilidade de encontrá-los na internet, tive que esperar um bom tempo até conseguir comprar um CD importado de A Love Supreme, isto há cerca de uns doze anos atrás.
Eu era completamente leigo quanto ao jazz, e da importância de Coltrane para a música norte-americana. Porém, após duas ou três audições do CD, fiquei incrivelmente convencido da genialidade, da profundidade, da relevância daquela obra-prima. E principalmente, do motivo porque Bono citava ela em uma música de um disco que tem por background a América: era a espiritualidade que permeava todo o trabalho do saxofonista, com a mesma intensidade que Bono imprime às canções do U2, em especial no The Joshua Tree, a obra-prima do U2 lançada em 1987.
E a prova dessa relação entre Bono e Coltrane, é citada logo na introdução do livro de Kahn, num depoimento enviado ao autor, através de email em 3 de novembro de 2001, exemplificando a influência do disco clássico sobre a música em geral, inclusive o rock:
"Bono, vocalista do U2, conta uma história através da qual consegui uma explicação atual para o apelo universal de Coltrane – e do álbum:
'Eu estava na cobertura do Grand Hotel em Chicago [na turnê de 1987] ouvindo A Love Supreme e aprendendo uma lição para toda a vida. Pouco antes, estava vendo televangelistas recriarem Deus à sua própria imagem: pequenos, mesquinhos e gananciosos. A religião se tornou uma inimiga de Deus, pensei... a religião foi o que veio quando Deus, assim como Elvis, deixou o recinto. Sei bem, desde que me conheço por gente, que o mundo se encaminhava em uma direção longe do amor, e eu também me deixava levar por isso. Existe muita maldade nesse mundo, mas a beleza é o nosso prêmio de consolação... a beleza da voz rouca de John Coltrane, seus sussurros, sua sabedoria, sua sexualidade dissimulada, seu louvor à criação. E assim Coltrane passou a fazer sentido para mim. Deixei o disco no modo de repetição e fiquei acordado ouvindo um homem encarar Deus com o dom de sua música.'" (p. 23)
Para algumas pessoas esse trecho do livro pode ser apenas uma mera curiosidade. Para mim foi muito revelador, pois considero que A Love Supreme está para John Coltrane assim como The Joshua Tree está para o U2. São discos que representam fielmente seus criadores, são a essência deles, se confundem com eles. E ambos estão na minha lista de TOP 5 discos essenciais.
Não canso de repetir: quem tiver acesso a esse disco, ouça! Pode soar "estranho" pela primeira vez a quem não está acostumado ao jazz, especialmente ao estilo de Coltrane, mas com o tempo se consegue perceber a beleza dessa suíte composta em louvor e gratidão a Deus.
Mais detalhes sobre o livro num próximo post!
11 de nov. de 2008
R.E.M. - Estádio do São José - 06/11/2008

Por fim eu pude conferir ao vivo uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos, e que apesar dos seus mais de 25 anos de carreira, figura entre os poucos "sobreviventes" do guitar rock dos anos 80 que ainda está em plena atividade - e não apenas da exploração seus antigos sucessos. O R.E.M. subiu no palco montado sobre o gramado do estádio do São José (o Zequinha Stadium, como ficará conhecido a partir de agora), pontualmente às 22h da quinta-feira passada, após a abertura da banda gaúcha Nenhum de Nós.
Sem bajulação, Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e os músicos de apoio apresentaram um dos melhores shows do ano em Porto Alegre. Combinando com o mais recente CD deles, Accelarate, o set list deu preferência para as músicas mais "pegadas" da banda - do disco Monster, por exemplo, entraram três, sendo que "Let Me In" recebeu uma linda versão, num momento "roda de violão" dos músicos no palco. Da fase mais antiga, "Cuyahoga" rendeu outro momento muito bonito. Até mesmo uma improvável "Ignoreland", do Automatic For The People, foi tocada. Mas é claro que os hits mais conhecidos da banda estiveram presentes também: "The One I Love", "It's The End Of The World...", "Losing My Religion", "Everybody Hurts", "Man On The Moon", "Imitation Of Life" e o mais recente, "Supernatural Superserious".
Michael Stipe demonstrou muito carisma no palco, com total controle do espetáculo. Sem falar do entusiasmo demonstado por ele devido a vitória de Barack Obama - foi o primeiro show da banda após a eleição presidencial norte-americana e eles não deixaram a galera esquecer a importância desse fato. O som no "Zequinha Stadium" estava ótimo também, dando prá entender perfeitamente tudo o que ele falou. Peter Buck, apesar da presença mais discreta no palco, executou com precisão os riffs que tão bem caracterizam as músicas do R.E.M. E no final, o baixista e tecladista Mike Mills, último a sair do palco, vestido com a camiseta da seleção brasileira, agitou uma grande bandeira do Brasil em uma melancólica despedida ao show de 2h de duração.
Posso me dar por satisfeito por já ter assistido ao vivo as duas melhores bandas do planeta em atividade (U2, em 2006, e agora, R.E.M.). Mas é certo que uma vez apenas ainda é pouco. Já estou com saudades.
18 de ago. de 2008
28 de jul. de 2008
O filme do ano?
Nos últimos tempos, poucos filmes fizeram por merecer o hype criado em torno deles antes do seu lançamento. Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) consegue se incluir nesse grupo tranqüilamente. A obra de Christopher Nolan, não apenas mantém o nível do primeiro filme, Batman Begins, como o supera em diversos aspectos (desenvolvimento do roteiro, desempenho do elenco, caracterização dos personagens e seus conflitos).O grande mérito, muitos dirão com razão, foi devido a introdução do rival mais insano e perigoso do homem-morcego: o Coringa. Não apenas por causa do personagem, mas pela correta escolha do ator. Interpretado com precisão por Heath Ledger (falecido em janeiro deste ano por uma overdose de medicamentos), o Coringa é bem mais psicótico e emblemático que aquele palhaço evasivo criado por Jack Nicholson na versão de Tim Burton. Capaz de causar um desconforto no público cada vez que entra em cena; a cada momento em que ele surge, paira no ar a expectativa de que algo terrivelmente ruim vai acontecer. E mesmo quando se encontra aparentemente subjugado, essa sensação não se desfaz. Despertando, como o próprio Coringa deseja, o nosso pavor ante ao caos que ele está sempre prestes a desencadear.
Já o Bruce Wayne/Batman de Christian Bale, mesmo explorando seu lado mais sombrio e questionador - ao colocar em dúvida seu papel de "justiceiro acima-da-lei" -, não chega a transmitir a mesma impressão, sendo muitas vezes ofuscado pela performance de Ledger e do outro personagem apresentado na trama, o promotor Harvey Dent/Duas-Caras, de Aaron Eckart. Como consolo para o herói, restam as ótimas cenas de ação, em especial aquelas em que ele realiza vôos de tirar o fôlego ou na perseguição muito bem filmada pelas ruas de Gotham City.
A longa duração do filme não chega a compromter o resultado, nem mesmo a pequena queda de ritmo que ocorre na última meia hora, quando surge o Duas-Caras. Este é definitivamente um filme do Coringa, desde a cena em que se apresenta numa reunião de mafiosos até seu embate final contra o Batman. Resenhas e bilheterias até o momento, dão conta de que críticos e público já elegeram O Cavaleiro das Trevas o melhor filme do ano. Eu vou mais além e considero como uma das melhores adaptações de HQs de heróis já realizada. Imperdível.
18 de jul. de 2008
Três primeiros remasterizados
Boy (1980), October (1981) e War (1983), os três primeiros álbuns do U2, foram remasterizados e serão lançados em 21 de julho, dando sequência ao lançamento do The Joshua Tree remasterizado, no ano passado.
Todos os três foram remasterizados a partir das fitas de áudio originais. Os álbuns virão em três formatos - um único CD remasterizado, uma edição de luxo incluindo CDs bônus com lados-B, faixas ao vivo e raridades, e uma versão em LP prensada em vinil virgem de 180gm. Um livreto de 16 páginas trará fotos inéditas, letras e notas de Paul Morley. The Edge, guitarrista da banda, também contribuiu com algumas notas sobre o material bônus.

"Speed of Life", "Saturday Night" e "Cartoon World" estão entre as faixas raras e nunca lançadas que estarão disponíveis agora na nova edição do primeiro álbum da banda, Boy.

Gravações ao vivo raras no Hammersmith Palais, em Londres, no Paradise Theatre, em Boston e sessões na rádio BBC com Richard Skinner serão mostradas agora no disco bônus de October.

A inédita "Angels Too Tied To The Ground" e os lados-B raros "Treasure (Whatever Happened to Pete the Chop)" e "Endless Deep" foram incluídos na edição de War.
Fonte: U2.com
Todos os três foram remasterizados a partir das fitas de áudio originais. Os álbuns virão em três formatos - um único CD remasterizado, uma edição de luxo incluindo CDs bônus com lados-B, faixas ao vivo e raridades, e uma versão em LP prensada em vinil virgem de 180gm. Um livreto de 16 páginas trará fotos inéditas, letras e notas de Paul Morley. The Edge, guitarrista da banda, também contribuiu com algumas notas sobre o material bônus.

"Speed of Life", "Saturday Night" e "Cartoon World" estão entre as faixas raras e nunca lançadas que estarão disponíveis agora na nova edição do primeiro álbum da banda, Boy.

Gravações ao vivo raras no Hammersmith Palais, em Londres, no Paradise Theatre, em Boston e sessões na rádio BBC com Richard Skinner serão mostradas agora no disco bônus de October.

A inédita "Angels Too Tied To The Ground" e os lados-B raros "Treasure (Whatever Happened to Pete the Chop)" e "Endless Deep" foram incluídos na edição de War.
Fonte: U2.com
9 de jul. de 2008
Sentido Inverso
"A Sentido Inverso abre seu caminho com um primeiro disco, no mínimo, verdadeiro (...) nos pega pelo que há de mais simples na música: vai direto ao coração."
Até hoje, eu sempre preservei este blog de comentários a respeito de meu projeto paralelo, a banda Sentido Inverso. Como neste mês finalmente o nosso CD de estréia foi lançado e já está à venda, resolvi abrir uma exceção e comentar sobre ele aqui. Então, reproduzo abaixo a resenha gentilmente feita pelo Daniel Soares, colunista do caderno Arte&Agenda, do Correio do Povo, para a banda e o CD.

AINDA DÁ PRA FALAR DE AMOR NO ROCK?
Na minha atividade como jornalista, certa vez recebi um release de uma banda que dizia algo como “não somos nem queremos ser a salvação do rock”. Na época achei apenas engraçadinho, já que toda a crítica mundial se deleitava com a chegada do The Strokes, então tida como essa “salvação”, mas depois passei a pensar sobre a questão. Será mesmo que o rock um dia precisou ser salvo? Particularmente acho que o rock se perdeu quando passou a falar de amor. Enquanto ele era apenas diversão, estaria não salvo, mas a salvo dos questionamentos interiores de quem o cantava. E o rock virou um verdadeiro inferno de possibilidades, ainda bem, porque ele nasceu pra isso. Vindo do blues como ele veio, tinha que guardar essa pontinha de sofrimento, de angustia, do tom questionador. Isso foi só uma introdução para dizer que falar de amor em rock é muito difícil. É um sofrimento duplo: um pela exposição poética, geralmente autobiográfica; outro, pela visceralidade que a música vai exigindo, até mesmo numa simples balada de três notas.
A banda que lhes apresento, Sentido Inverso, com certeza não veio pra salvar o rock; nem pra ser a queridinha do momento estampando capas de revistas teen, dando receitas de como “ficar” com as meninas de sua galera; não se enfiou em terninhos justos e assumiu uma atitude blasé; não se fez de engraçadinha para ganhar a simpatia dos programas de TV; não lançou moda em cabelos desgrenhados; e não fez qualquer mistura mirabolante em busca de uma impossível formula inédita de se fazer rock. A Sentido Inverso abre seu caminho com um primeiro disco, no mínimo, verdadeiro.
Um pouco de história não faz mal a ninguém
Não há boa banda (e até as ruins), que não tenha nascido numa garagem, no quarto de alguém, no recreio da escola ou faculdade e, claro, que não tenha nascido para tocar, primeiro, músicas dos outros. É o ritual de fogo de todas. A Sentido Inverso nasceu em 1999 como Quadro Vivo, comandada pelos irmãos Giovani e Fernando Quadros, bateria e guitarra e voz, respectivamente. Em 2005 resolveram mudar a proposta e o nome da banda. Chamam Daniel Olsson para a outra guitarra e, um ano depois, Rodrigo Silveira assume o contrabaixo. Nasce então a Sentido Inverso. Sem esconder as influencias de nomes como R.E.M, U2 e Legião Urbana, apostam também no chamado pop rock pós-punk.
O disco
Os preparativos para o primeiro registro da banda tiveram início ainda em 2006 e as gravações aconteceram no estúdio Music Box, com a assinatura de Alexandre Birck (Graforréia Xilarmônica e DeFalla) na gravação e masterização do trabalho, além de Fabiano Penna na mixagem. O álbum abre com Explica, balada rocker onde a poesia de Fernando Quadros, principal compositor, indo direto ao ponto com versos como me explica a sensação / de não mandar no coração, não deixa dúvidas do tom confessional do trabalho. Em “...” (assim mesmo, reticiências), um desabafo de uma relação em que não se consegue medir a intensidade, como aquela música que causa arrepio, que traz lembranças que se quer e não quer ter, como a eterna inquietude do ser humano, ampliada em (Re)Começo, em Em Paz e que encontra eco em Amor por um Triz, com refrão pesado da dobradinha teclado/guitarra. Mudando completamente o sentido (sem trocadilhos), Saída chega mais pop do que qualquer outra, com direito a vocal tirado de um megafone; Em Cada Parte do Céu pode até lembrar Legião (Fernando tem um registro vocal semelhante ao de Renato Russo), mas tem nome e sobrenome e endereço certo: foi feita para os corações inquietos. Fernando assina todas as outras composições do álbum (Me Deixe e Até Mais), com exceção de Naufrágos, Saída e Outra Noite, que levam a marca do guitarrista Daniel Olsson, instrumentista econômico, que sabe usar a parafernália de efeitos e que não faz uso de solos intermináveis, tudo na medida certa, dialogando com a precisão da bateria e do baixo e com as incursões de Fernando no teclado.
O tom confessional da Sentido Inverso nos pega pelo que há de mais simples na música: vai direto ao coração, sem atravessadores, sem clichês do romantismo raso, da rima “amor com flor”; vai direto pelas vias certas, sem querer salvar o rock, sem dar novo sentido ao que não tem outro, provando que falar de amor também é dom de roqueiro.
Daniel Soares
Jornalista
Até hoje, eu sempre preservei este blog de comentários a respeito de meu projeto paralelo, a banda Sentido Inverso. Como neste mês finalmente o nosso CD de estréia foi lançado e já está à venda, resolvi abrir uma exceção e comentar sobre ele aqui. Então, reproduzo abaixo a resenha gentilmente feita pelo Daniel Soares, colunista do caderno Arte&Agenda, do Correio do Povo, para a banda e o CD.

AINDA DÁ PRA FALAR DE AMOR NO ROCK?
Na minha atividade como jornalista, certa vez recebi um release de uma banda que dizia algo como “não somos nem queremos ser a salvação do rock”. Na época achei apenas engraçadinho, já que toda a crítica mundial se deleitava com a chegada do The Strokes, então tida como essa “salvação”, mas depois passei a pensar sobre a questão. Será mesmo que o rock um dia precisou ser salvo? Particularmente acho que o rock se perdeu quando passou a falar de amor. Enquanto ele era apenas diversão, estaria não salvo, mas a salvo dos questionamentos interiores de quem o cantava. E o rock virou um verdadeiro inferno de possibilidades, ainda bem, porque ele nasceu pra isso. Vindo do blues como ele veio, tinha que guardar essa pontinha de sofrimento, de angustia, do tom questionador. Isso foi só uma introdução para dizer que falar de amor em rock é muito difícil. É um sofrimento duplo: um pela exposição poética, geralmente autobiográfica; outro, pela visceralidade que a música vai exigindo, até mesmo numa simples balada de três notas.
A banda que lhes apresento, Sentido Inverso, com certeza não veio pra salvar o rock; nem pra ser a queridinha do momento estampando capas de revistas teen, dando receitas de como “ficar” com as meninas de sua galera; não se enfiou em terninhos justos e assumiu uma atitude blasé; não se fez de engraçadinha para ganhar a simpatia dos programas de TV; não lançou moda em cabelos desgrenhados; e não fez qualquer mistura mirabolante em busca de uma impossível formula inédita de se fazer rock. A Sentido Inverso abre seu caminho com um primeiro disco, no mínimo, verdadeiro.
Um pouco de história não faz mal a ninguém
Não há boa banda (e até as ruins), que não tenha nascido numa garagem, no quarto de alguém, no recreio da escola ou faculdade e, claro, que não tenha nascido para tocar, primeiro, músicas dos outros. É o ritual de fogo de todas. A Sentido Inverso nasceu em 1999 como Quadro Vivo, comandada pelos irmãos Giovani e Fernando Quadros, bateria e guitarra e voz, respectivamente. Em 2005 resolveram mudar a proposta e o nome da banda. Chamam Daniel Olsson para a outra guitarra e, um ano depois, Rodrigo Silveira assume o contrabaixo. Nasce então a Sentido Inverso. Sem esconder as influencias de nomes como R.E.M, U2 e Legião Urbana, apostam também no chamado pop rock pós-punk.
O disco
Os preparativos para o primeiro registro da banda tiveram início ainda em 2006 e as gravações aconteceram no estúdio Music Box, com a assinatura de Alexandre Birck (Graforréia Xilarmônica e DeFalla) na gravação e masterização do trabalho, além de Fabiano Penna na mixagem. O álbum abre com Explica, balada rocker onde a poesia de Fernando Quadros, principal compositor, indo direto ao ponto com versos como me explica a sensação / de não mandar no coração, não deixa dúvidas do tom confessional do trabalho. Em “...” (assim mesmo, reticiências), um desabafo de uma relação em que não se consegue medir a intensidade, como aquela música que causa arrepio, que traz lembranças que se quer e não quer ter, como a eterna inquietude do ser humano, ampliada em (Re)Começo, em Em Paz e que encontra eco em Amor por um Triz, com refrão pesado da dobradinha teclado/guitarra. Mudando completamente o sentido (sem trocadilhos), Saída chega mais pop do que qualquer outra, com direito a vocal tirado de um megafone; Em Cada Parte do Céu pode até lembrar Legião (Fernando tem um registro vocal semelhante ao de Renato Russo), mas tem nome e sobrenome e endereço certo: foi feita para os corações inquietos. Fernando assina todas as outras composições do álbum (Me Deixe e Até Mais), com exceção de Naufrágos, Saída e Outra Noite, que levam a marca do guitarrista Daniel Olsson, instrumentista econômico, que sabe usar a parafernália de efeitos e que não faz uso de solos intermináveis, tudo na medida certa, dialogando com a precisão da bateria e do baixo e com as incursões de Fernando no teclado.
O tom confessional da Sentido Inverso nos pega pelo que há de mais simples na música: vai direto ao coração, sem atravessadores, sem clichês do romantismo raso, da rima “amor com flor”; vai direto pelas vias certas, sem querer salvar o rock, sem dar novo sentido ao que não tem outro, provando que falar de amor também é dom de roqueiro.
Daniel Soares
Jornalista
24 de jun. de 2008
Accelerate - R.E.M.
Um dos chavões mais utilizados (e irritantes) que conheço ao se falar sobre uma banda que está na estrada há muito tempo é, em determinado momento, dizer que ela "retornou às origens". É irritante porque em geral esse comentário advém de uma percepção errada ou muito superficial sobre o trabalho do artista. As poucas bandas com mais de vinte anos de carreira que conheço só estão esse tempo todo mostrando algo relevante para o seu público ainda justamente porque se reinventam continuamente e jamais voltam a trilhar os mesmos caminhos passados. E nesse caso, incorporar sonoridades do passado também é uma maneira de honrá-lo e sugerir novos caminhos.Toda essa introdução é só para falar sobre o último CD do R.E.M., Accelerate (Warner, 2008). O modo mais fácil de apresentar esse disco seria dizer apenas: "eles retornaram às origens". Mas eu vejo uma banda com quase trinta anos de carreira reinventar-se, incorporando dois momentos distintos de sua trajetória sem repetir-se na verdade.
Accelerate combina a energia dos early years do quarteto de Athens com a fúria de guitarras de Monster, de 1994. Antes sobrava certa ingenuidade, mas faltava agressividade. Quando a maturidade chegou (após o multi-platinado Out Of Time e a obra-prima Automatic For The People) talvez tenham exagerado na dose de distorção das guitarras. A saída do baterista Bill Berry, em 1997, apenas postergou esse equilíbrio, produzindo três discos no sentido oposto, carregados de melancolia (Up, Reveal e Around The Sun). Pode ser que Berry estivesse fazendo falta mesmo até então.
O velho e o novo R.E.M. se encontram logo nas faixas que abrem o CD: o riff de guitarra e a urgência do vocal de "Living Well Is The Best Revenge" lembram os tempos de "These Days", ou "It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)", mas com o furor de uma "What's The Frequency, Kenneth?". E na seqüência, as ótimas "Man-Sized Wreath", "Supernatural Superserious" e "Hollow Man", seguindo a mesma fórmula, compõem um dos melhores inícios de discos da banda.
Enquanto parecia que Michael Stipe (vocal), Peter Buck (guitarras) e Mike Mills (baixo e teclados) tinham criado um outro R.E.M. nos trabalhos anteriores, cujo estilo ainda comparece na bela "Until The Day Is Done", essa impressão se desfaz ao se ouvir a faixa-título, ou "Mr. Richards", ou "Horse To Water". Infelizmente, quando já se está embalado por esse R.E.M. revitalizado, o CD termina inexplicavelmente aos 34 minutos! Mas nada que um "repeat" no CD player não resolva.
A exemplo do Guardian, que colocou o álbum entre os 10 essenciais do ano, eu reitero: Accelerate tem lugar reservado entre os melhores de 2008.
7 de jun. de 2008
5 de jun. de 2008
Playlist: The Kinks
Você provavelmente já ouviu diversas versões de canções do Kinks sem saber que eram deles; ou escutou eles próprios em alguma trilha sonora de filme, sem associar a música à banda; mas talvez nunca tenha ouvido um disco inteiro deles. Ao menos comigo foi assim. Dando continuidade a essa minha fase "revisitando os 60s", fui conferir a coletânea You Really Got Me: The Very Best of the Kinks (Edel, 1994).

O Kinks é uma banda da chamada "invasão britânica" que sempre existiu à sombra dos Beatles. Nada mais injusto, pois basta listar alguns dos seus clássicos para concluir que sua influência no rock é legítima. Mas como a sonoridade lembrava muito os seus conterrâneos de Liverpool - assim como 90% das bandas dá época -, acabaram ficando em segundo plano. Quer tirar a prova? Aqui vão alguns exemplos: começando com o seu hit mais famoso, "You Really Got Me" (recentememente eleita pela Rolling Stone, como um das 100 melhores músicas com guitarra e que possui uma versão avassaladora do Van Halen), "Louie, Louie", "Dedicated Follower of Fashion" (que está na trilha sonora do filme In The Name Of The Father); "Everybody's Gonna Be Happy" (no filme High Fidelity), "Lola" e "Days" (que Elvis Costello fez uma bonita versão para o filme Until The End Of The World, do Win Wenders).
Misturando R&B, folk e blues, o típico rock dançante sessentista do Kinks me agradou bastante. Infelizmente essa coletânea dupla com 38 músicas foi lançada apenas na Alemanha, então o jeito é se contentar com a única que encontrei por aqui, que leva o mesmo nome, mas com apenas um CD.

O Kinks é uma banda da chamada "invasão britânica" que sempre existiu à sombra dos Beatles. Nada mais injusto, pois basta listar alguns dos seus clássicos para concluir que sua influência no rock é legítima. Mas como a sonoridade lembrava muito os seus conterrâneos de Liverpool - assim como 90% das bandas dá época -, acabaram ficando em segundo plano. Quer tirar a prova? Aqui vão alguns exemplos: começando com o seu hit mais famoso, "You Really Got Me" (recentememente eleita pela Rolling Stone, como um das 100 melhores músicas com guitarra e que possui uma versão avassaladora do Van Halen), "Louie, Louie", "Dedicated Follower of Fashion" (que está na trilha sonora do filme In The Name Of The Father); "Everybody's Gonna Be Happy" (no filme High Fidelity), "Lola" e "Days" (que Elvis Costello fez uma bonita versão para o filme Until The End Of The World, do Win Wenders).
Misturando R&B, folk e blues, o típico rock dançante sessentista do Kinks me agradou bastante. Infelizmente essa coletânea dupla com 38 músicas foi lançada apenas na Alemanha, então o jeito é se contentar com a única que encontrei por aqui, que leva o mesmo nome, mas com apenas um CD.
31 de mai. de 2008
Revista elege as '100 melhores músicas com guitarra'
A revista americana "Rolling Stone" fez uma lista das "100 melhores músicas com guitarra" de todos os tempos.
As músicas escolhidas têm todos os ingredientes para o bom e velho rock 'n' roll, que segundo a publicação são: "um riff irresistível, um solo que te leva às alturas toda vez que você o ouve e uma melodia que faz você ouvir a música várias e várias vezes".
A "Rolling Stone" afirma ainda que todas as canções escolhidas têm "apetite, fúria, desespero, felicidade, tudo ao mesmo tempo em seus acordes".
No topo da lista está "Johnny B. Goode", de Chuck Berry (1958), seguida por "Purple Haze" de Jimi Hendrix (1967).
Confira abaixo a lista dos 20 primeiros e a lista completa aqui.
1- "Johnny B. Goode" - Chuck Berry (1958)
2- "Purple haze" - The Jimi Hendrix Experience (1967)
3- "Crossroads" - Cream (1968)
4- "You really got me" - The Kinks (1964)
5- "Brown sugar" - The Rolling Stones (1971)
6- "Eruption" - Van Halen (1978)
7- "While my guitar gently weeps" - The Beatles (1968)
8- "Stairway to heaven" - Led Zeppelin (1971)
9- "Statesboro blues" - The Allman Brothers Band (1971)
10- "Smells like teen spirit" - Nirvana (1991)
11- "Whole lotta love" - Led Zeppelin (1969)
12- "Voodoo child (Slight return)" - The Jimi Hendrix Experience (1968)
13- "Layla" - Derek and the Dominos (1970)
14- "Born to run" - Bruce Springsteen (1975)
15- "My generation" - The Who (1965)
16- "Cowgirl in the Sand" - Neil Young with Crazy Horse (1969)
17- "Black Sabbath" - Black Sabbath (1970)
18- "Blitzkrieg Bop" - Ramones (1976)
19- "Purple Rain" - Prince and the Revolution (1984)
20- "People Get Ready" - The Impressions (1965)
Fonte: Redação Yahoo! Notícias
As músicas escolhidas têm todos os ingredientes para o bom e velho rock 'n' roll, que segundo a publicação são: "um riff irresistível, um solo que te leva às alturas toda vez que você o ouve e uma melodia que faz você ouvir a música várias e várias vezes".
A "Rolling Stone" afirma ainda que todas as canções escolhidas têm "apetite, fúria, desespero, felicidade, tudo ao mesmo tempo em seus acordes".
No topo da lista está "Johnny B. Goode", de Chuck Berry (1958), seguida por "Purple Haze" de Jimi Hendrix (1967).
Confira abaixo a lista dos 20 primeiros e a lista completa aqui.
1- "Johnny B. Goode" - Chuck Berry (1958)
2- "Purple haze" - The Jimi Hendrix Experience (1967)
3- "Crossroads" - Cream (1968)
4- "You really got me" - The Kinks (1964)
5- "Brown sugar" - The Rolling Stones (1971)
6- "Eruption" - Van Halen (1978)
7- "While my guitar gently weeps" - The Beatles (1968)
8- "Stairway to heaven" - Led Zeppelin (1971)
9- "Statesboro blues" - The Allman Brothers Band (1971)
10- "Smells like teen spirit" - Nirvana (1991)
11- "Whole lotta love" - Led Zeppelin (1969)
12- "Voodoo child (Slight return)" - The Jimi Hendrix Experience (1968)
13- "Layla" - Derek and the Dominos (1970)
14- "Born to run" - Bruce Springsteen (1975)
15- "My generation" - The Who (1965)
16- "Cowgirl in the Sand" - Neil Young with Crazy Horse (1969)
17- "Black Sabbath" - Black Sabbath (1970)
18- "Blitzkrieg Bop" - Ramones (1976)
19- "Purple Rain" - Prince and the Revolution (1984)
20- "People Get Ready" - The Impressions (1965)
Fonte: Redação Yahoo! Notícias
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música
29 de mai. de 2008
In the Name of Love: Africa Celebrates U2
Eu ouvi e aprovei. Bem mais interessante que o outro tributo de mesmo nome e de objetivo semelhante (veja aqui), este In the Name of Love: Africa Celebrates U2 (Shout Factory, 2008), faz uma releitura da música do U2 com cores bem locais: ritmos, instrumentos e letras cantadas em idiomas africanos (não por acaso as versões mais fracas são justamente as cantadas em inglês, como "Sometimes...", "Where The Streets..." e "One").
Nesse sentido, eu destaco as versões de "Bullet The Blue Sky" (do Vieux Farka Tour - minha preferida, com um arranjo que parece evocar imagens das dunas do Sahara), "Sunday Bloody Sunday" (Ba Cissoko), "I Still Haven't Found..." (Cheikh L), "Pride" (numa ótima versão a capella do Soweto Gospel Choir que me lembrou "Graceland" do Paul Simon), "Seconds" (Sierra Leone's Refugee All Stars com participação do Joe Perry, guitarrista do Aerosmith) e, finalmente, a curiosa "Love Is Blindness" cantanda em bom português pelo angolano Waldemar Bastos. Se elas não estão a altura das originais, pelo menos homenageiam o U2 com bastante personalidade.
26 de mai. de 2008
Se a aventura tem um nome...
Uma das poucas lembranças bem nítidas que tenho das idas ao cinema em minha pré-adolescência pertence a "Caçadores da Arca Perdida" (Raiders Of The Lost Ark, 1981), que fui assistir no extinto Cine Scala em 82. E a lembrança é nítida justamente por ter sido um filme tão marcante para mim na época. Um filme que se confudia com a própria palavra cinema enquanto entreternimento, assim como seu herói se confundia com o gênero que ele reverenciava. Vinte e seis anos depois eu sento na poltrona do Unibanco Arteplex para viajar numa máquina do tempo e reencontrar exatamente os mesmos ingredientes que fizeram de Indiana Jones uma franquia de sucesso: mistérios sobrenaturais, perseguições mirabolantes, vilões deliberadamente caricatos e algumas ótimas situações de alívio cômico. Tudo muito bem dosado pela mão correta de Steven Spielberg. Os Michael "Transformers" Bay e Roland "10.000 A.C." Emmerich da vida deveriam se sentir envergonhados por estarem há tanto tempo no mesmo ofício sem terem aprendido nada com o mestre do cinema-pipoca.
A experiência de ver "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008) é tão próxima das outras aventuras do arqueólogo que a única coisa que realmente nos indica que essa produção veio com dezenove anos de atraso é o rosto de Harrison Ford - cansado e tão "surrado" quanto suas próprias roupas e chapéu. Sua performance, no entanto, não parece ter envelhecido em nada. E Spielberg atesta o mesmo, conduzindo algumas das melhores cenas de perseguições em filmes dos últimos anos, sem abusar de efeitos especiais desnecessários.
O filme só não é melhor que os anteriores por insistir em se auto-referenciar (mania do George Lucas? resultado de um roteiro que passou por diversas mãos?). Mas são pequenos detalhes que não chegam a incomodar realmente e garantem até um pequeno saudosismo aos antigos fãs. Algo como uma despedida, talvez definitiva, do herói e a constatação que em todos esses anos nenhum outro conseguiu roubar sua empatia. Ou, para fazer jus ao chavão, mudar o nome da aventura.
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filmes
18 de mai. de 2008
Três bandas, três novos singles
The Cure, Weezer e Coldplay estão vindo com novos trabalhos este ano. A julgar pelos singles lançados recentemente, não há muita novidade em relação aos discos anteriores de cada um, mas as três músicas são bem legais. Confira abaixo:
"The Only One", The Cure
"Pork And Beans", Weezer
"Violet Hill", Coldplay
"The Only One", The Cure
"Pork And Beans", Weezer
"Violet Hill", Coldplay
14 de mai. de 2008
O “X” da canção
Apesar da diferença de idade entre Coleman e Metheny, o mesmo não se pode dizer de seus estilos. Postos lado-a-lado, o free jazz e o fusion compartilham semelhanças na ousadia e ferocidade de algumas faixas (como em “Endangered Species”, de todas talvez a mais dificil de "digerir"), e lapidam igualmente as nuances da improvisação e do experimentalismo, com um resultado cuja beleza começamos a perceber a partir da segunda ou terceira audição, como demonstram as faixas “Song X” e “Trigonometry”. Mas há espaço também para momentos mais sutis e tranqüilos em “Mob Job” e “Kathelin Gray”.
O disco é quase todo fruto da genialidade de Coleman - para muitos, comparável a de John Coltrane. Contudo, Metheny e o demais se sentem bem a vontade ao explorar as formas livres que o saxofonista propõe em suas composições. Mesmo com sua guitarra soando um pouco mais baixa nessa remixagem, é possível notar que Metheny trabalha com a mesma liberdade do saxofonista, às vezes de forma quase nervosa, ambos impelidos constantemente pela firme seção rítmica. Na época, foi o primeiro disco lançado pela Geffen (após uma década com a ECM), e Metheny mostrou-se certeiro, ainda que audacioso, ao gravá-lo em parceria com Coleman.
Essa edição de 20º aniversário inclui ainda seis faixas novas, sobras da gravação original e que foram inseridas antes de “Song X” (que iniciava o álbum), das quais “Police People” e “The Good Life” são destaque.
12 de mai. de 2008
Zumbis psicodélicos
Aqui vai uma dica para quem gosta de rock psicodélico, um estilo musical surgido nos anos 60 e genuinamente estadunidense (The Byrds, Beach Boys, Greateful Dead...), mas adotado e difundido pela então invasão britânica ainda nos últimos anos daquela década, através de albuns clássicos como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles e The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd.Pois graças a uma rápida visita a Boca do Disco (e à dica do Getúlio, o dono da loja), que tive contato com o fabuloso "disco de despedida" da banda The Zombies, Odessey and Oracle, de 1968.
O grupo formado em 1963, em St. Albans, Inglaterra, teve vários singles lançados na época, alguns até bem recebidos nos charts (como "She's Not There"), mas no geral acabou se desfazendo por causa de certa frustração em relação ao mercado fonográfico. Antes de encerrarem completamente as atividades, o baixista Chris White conseguiu convencer seus companheiros a gravarem um disco final, desprovidos de qualquer compromisso comercial. O estúdio escolhido foi o Abbey Road, onde o clássico psicodélico dos Beatles acabara de ser germinado, e o album resultante justamente esse Odessey and Oracle.
Os teclados Mellotron de Rod Argent, que permeiam quase todas as canções, ainda eram novidade naqueles anos e dão um toque quase jazzístico às melodias pop de harmonias complexas e travestidas com arranjos psicodélicos. Mesmo não tendo alcançado o reconhecimento merecido na época - exceto pelo single "Time of the Season", que chegou ao #3 na Billboard, mas apenas em 1969 -, o álbum atravessou as decadas vindouras conquistando mais e mais fãs, e seguramente pode figurar na galeria de obras fundamentais do rock lisérgico desse período, ao lado do Pet Sounds (Beach Boys), Forever Changes (Love) ou Freak Out (Mothers Of Invention).
Curiosidade: A capa feita pelo companheiro de quarto de Chris White, Terry Quirk, possui a palavra "odyssey" escrita de forma incorreta, mas a banda achou por bem deixar assim mesmo, assumindo o erro no próprio nome do disco.
15 de mar. de 2008
14 de mar. de 2008
REM lança álbum primeiro na internet
da Efe, em Los Angeles
A banda norte-americana REM apresentará em 24 de março o álbum "Accelerate", o 14º de estúdio, em redes sociais como o Facebook e o MySpace, por meio do aplicativo iLike, antes do lançamento oficial nos Estados Unidos.
A novidade permitirá que os internautas escutem e compartilhem o novo trabalho da banda uma semana antes da data prevista para o lançamento do álbum nas lojas norte-americanas, no dia 1º de abril.
O portal iLike.com permitirá que seus usuários registrados --assim como os inscritos no Facebook, iTunes e MySpace, que usam esta ferramenta--, tenham acesso às 11 faixas do álbum de forma gratuita.
"Foi uma dessas idéias que nos sugeriram e nos pareceu boa, e, portanto decidimos apostar nela", explicou o líder do grupo, Michael Stipe, à versão digital da revista "Billboard".
Os internautas também terão acesso a um vídeo exclusivo da banda falando sobre o novo disco.
A apresentação virtual do novo álbum do REM é mais uma demonstração do interesse do grupo em chegar a seu público de forma mais direta. Recentemente, o grupo incluiu material inédito em seu site e convidou os visitantes a editar seu próprio videoclipe para o primeiro single de "Accelerate", "Supernatural Superserious".
Fonte: Folha OnLine
A banda norte-americana REM apresentará em 24 de março o álbum "Accelerate", o 14º de estúdio, em redes sociais como o Facebook e o MySpace, por meio do aplicativo iLike, antes do lançamento oficial nos Estados Unidos.
A novidade permitirá que os internautas escutem e compartilhem o novo trabalho da banda uma semana antes da data prevista para o lançamento do álbum nas lojas norte-americanas, no dia 1º de abril.
O portal iLike.com permitirá que seus usuários registrados --assim como os inscritos no Facebook, iTunes e MySpace, que usam esta ferramenta--, tenham acesso às 11 faixas do álbum de forma gratuita.
"Foi uma dessas idéias que nos sugeriram e nos pareceu boa, e, portanto decidimos apostar nela", explicou o líder do grupo, Michael Stipe, à versão digital da revista "Billboard".
Os internautas também terão acesso a um vídeo exclusivo da banda falando sobre o novo disco.
A apresentação virtual do novo álbum do REM é mais uma demonstração do interesse do grupo em chegar a seu público de forma mais direta. Recentemente, o grupo incluiu material inédito em seu site e convidou os visitantes a editar seu próprio videoclipe para o primeiro single de "Accelerate", "Supernatural Superserious".
Fonte: Folha OnLine
12 de mar. de 2008
The Mist (O Nevoeiro)
Finalmente assisti ao terceiro filme de Frank Darabont baseado na obra de Stephen King, "The Mist" (2007). Apesar de estar longe de ser um "The Shawshank Redemption" (1994) ou mesmo de "The Green Mile" (1999), as duas colaborações anteriores entre diretor e escritor, o filme tem seus méritos e consegue criar um bom clima de suspense. A história é interessante e os personagens e seus conflitos principalmente, são bem explorados. Esse é o ponto forte do filme, já que 90% dele se passa no interior de um supermercado onde um grupo de pessoas fica confinado enquanto uma misteriosa neblina toma conta de sua pacata cidadezinha do.... adivinhem?? Maine, é claro. ;-) E junto com a neblina, surgem as mais bizarras criaturas que se pode imaginar para mantê-los em clima de constante terror. A certa altura do filme contudo, quando problemas entre eles começam a ficar mais sérios que simples pontos-de-vista divergentes, nos indagamos se a verdadeira ameaça é a neblina ou as próprias pessoas que estão no supermercado.
Nesse grupo há um variado tipo de personagens, como se fosse uma pequena amostragem da população - embora alguns tenham ficado estereotipados demais, como a fanática religiosa que acredita estar testemunhando o acerto de contas de Deus com a humanidade. A medida que acompanhamos o modo como cada um reage à inesperada situação em que estão, o limite entre o racional e o impulsivo fica muito tênue e é facilmente extrapolado. O problema do filme está justamente na extrapolação desse limite - um tanto improvável demais, em especial na cena final. Como não li o conto em que foi baseado, não sei dizer se realmente foi o que o King reservou para o desfecho da sua trama.
Como primeira adaptação de Darabont para um conto legitimamente de terror do King, confesso que fiquei um pouco decepcionado com este final. Mas isso não desmerece a película. Darabont ainda é um dos cineastas mais capazes na tarefa de transferir a obra do mestre do horror para a telona.
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