8 de nov. de 2005

Miles Davis - 'Round About Midnight

ALL THAT JAZZ

Miles Davis / 'Round About Midnight
(2005 – Columbia)

De todas as colaborações entre Miles Davis e John Coltrane – excetuando-se Kind Of Blue, de 1959, que devido a seu valor indelével eu considero hors concours –, 'Round About Midnight é para mim a obra-prima máxima dessa formação, que então assumiria o nome de Miles Davis Quintet, e justamente o seu debut na gravadora Columbia. Eu possuia uma cópia em CD-R deste álbum (já que ele não havia sido lançado por aqui ainda), mas fiquei muito satisfeito com a nova edição dupla preparada pela Columbia (Legacy Edition), com o selo comemorativo de 50 Anos de Miles, contendo a obra original remasterizada, faixas bônus das sessões de gravação e mais um CD extra com apresentações ao vivo do mesmo período.

O brilho de 'Round About Midnight reside em diversos fatores, mas certamente um deles é a seleção do repertório do disco, ou mais exatamente seus compositores: Thelonius Monk ('Round Midnight), Charlie Parker (Ah-Leu-Cha) e Cole Porter (All Of You) – que são as melhores do CD. Evidentemente, os músicos em si fazem toda a diferença na interpretação das mesmas: Miles Davis e seu trompete rascante improvisando em diferentes estilos, do cool ao bop; John Coltrane, então um desconhecido, extrapolando os solos no sax tenor, revelendo um pouco do que sua produção musical o levaria nos anos seguintes; o acompanhamento discreto mas eficaz de Red Garland ao piano; mais Paul Chambers, no baixo e Philly Joe Jones, na bateria, completando uma dos conjuntos mais coesos que o jazz já conheceu.

O segundo disco é um agradável presente a essa obra seminal da carreira de Miles. A primeira faixa traz uma versão arrebatadora de 'Round Midnight, contando com a presença ilustre do próprio Thelonius Monk ao piano, além de uma formação diferente de acompanhantes. Registrada no Newport Jazz Festival em Julho de 1955 – portanto anterior a gravação do disco – essa apresentação influenciou diretamente a inclusão da música no repertório do mesmo. As demais faixas são de outra apresentação, de 1956, já com a formação clássica, em que são executadas versões de algumas músicas que mais tarde seriam incluidas nos álbuns seguintes do quinteto, como Walkin', It Never Entered My Mind e Woody 'N You.

Prá completar, a edição possui um encarte caprichado com muita informação a respeito da obra. É discoteca básica!

26 de out. de 2005

Bem-vindo aos 80s! (2ª parte)


Não fazem nem doze horas que presenciei o show do Arcade Fire e The Strokes no imenso "galpão" da fábrica de máquinas Condor, em Porto Alegre, pelo TIM Festival, mas eu gostaria de registrar a experiência aproveitando para dar continuidade a série de comentários sobre novas bandas que "ressuscitaram" a sonoridade dos anos 80.

Apesar da nítida influência de bandas como Echo & the Bunnymen e Joy Division (eles de novo), o octeto canadense Arcade Fire é difícil de ser rotulado – um dos indícios de que a qualidade de seu trabalho está acima da média. Vou mais além, e arrisco em dizer que seu álbum de estréia, Funeral (2005, Slag), é um dos melhores discos do ano, se não o melhor. São dez faixas com arranjos inusitados (incluindo aí violino e arcodeón), letras melancólicas e ritmos alternados, que me lembraram o Dexy's Midnight Runners. Não bastasse seu conteúdo, a embalagem do CD é de uma qualidade rara, tão bonita que até impressiona o fato de ter sido lançado por aqui com o mesmo apuro visual.

No entanto, é no palco que o Arcade Fire mais impressiona. A energia com que a banda se entrega na execução do seu repertório eu ainda não havia visto! Em momento algum os oito integrantes da banda passam despercebidos ou são relegados a um segundo plano pelo vocalista principal, Win Butler, realizando performances quase alucinadas com ou sem o seu instrumento, correndo pelo palco, ou fazendo o backing vocal com legítima empolgação. Prá completar, a cada canção há uma troca de instrumentos entre eles, e quem estava tocando teclado em uma música aparece na percussão na seguinte, ou no acordeón, guitarra, baixo... Com tamanho vigor, não é de se estranhar que o U2 tenha os convidado para abrir seus shows em sua passagem por Montreal e usado Wake up como tema de abertura da turnê Vertigo.

A apresentação iniciou com a própria Wake Up, uma canção com batida forte, riff marcante e um côro impossível de não acompanhar. A seguir, uma a uma, as canções do único álbum são executadas com visível intensidade que contagia a platéia de forma quase religiosa. Neighborhood #1 (Tunnels), Une Année Sans Lumière, Neighborhood #3 (Power Out) e Crown Of Love parecem já hits de longa data. E quem ainda tinha dúvidas quanto a empatia que uma banda inciante e pouco conhecida pudesse causar, deu o braço a torcer com a maravilhosa cover da "nossa" Aquarela do Brasil, de Ary Barroso (na versão de Frank Sinatra), executada de uma forma solene e impecável. A rápida apresentação terminou com outra bela canção do disco, Rebellion (Lies), também com um refrão memorável, fazendo a platéia repetir exaustivamente o "Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh", hipnotizada mesmo após a saída da banda.

Strokes? Que Strokes? Prá mim, o Arcade Fire já tinha valido o ingresso. ;-)

14 de out. de 2005

Bem-vindo aos 80s! (1ª parte)



Já deu prá notar que a Sentido Inverso tem ocupado o escasso tempo que eu tinha prá atualizar o OmniBlog. No entanto, eu precisava comentar algo a respeito do "boom" de bandas que estão revisitando os anos 80 e ironicamente revitalizando o indie rock do século XXI. Como não vai dar prá falar de todas de uma só vez, vou começar pela minha preferida... :P

Experimente juntar o vocal do Ian Curtis, com a sonoridade do Cure e letras à la Morrissey... Isso é possível? Hummm... digamos que um quarteto de New York City chamado Interpol chegou muito próximo. Formado em 1998, com Paul Banks nos vocais e guitarra, Daniel Kessler na segunda guitarra, Carlos Dengler, baixo e teclados, e Sam Fogarino na bateria, o Interpol possui dois ótimos CDs lançados: Turn On The Bright Lights, de 2002 e Antics de 2004, ambos pelo selo Matador/Trama.

Quer fazer a prova? Pois bem, pegue qualquer um destes CDs, coloque prá ouvir no seu player e me diga se você não se sentiu imediatamente transportado no tempo há duas décadas atrás. Logo aos primeiros acordes hipnóticos de Untitled (sim, é esse mesmo o nome da música!), do Turn On..., por exemplo, a associação é inevitável, embora nunca depreciativa. Seja pela batida pulsante dos riffs das guitarras, pela marcação pontual da "cozinha", pelos climas esparsos dos arranjos ou pelo vocal angustiado de Banks... enfim, o pós-punk melódico, gótico e "frio" consagrado por bandas como Joy Division e Television está em cada compasso das canções da banda.

Aclamado como seu grande debút, Turn On The Bright Lights possui alguns destaques como Obstacle 1, NYC, Hands Away e a "viajante" The New. Antics surje como seqüência natural ao primeiro trabalho, sem muitas novidades, soando mais emplogante até, e igualmente recheado de canções particularmente envolventes como Next Exit, Slow Hands, Public Pervert e a linda A Time to Be So Small. Empolgante, sim, mas ainda com muita melancolia como atestam os versos de Slow Hands: "Can't you see what you've done to my heart and soul? This is a wasteland now...". Sublime!

Vem aí na 2ª parte: Arcade Fire e provavelmente o "melhor álbum de rock do ano" ;) ! E por falar nisso, no próximo dia 25 tem TIM Festival aqui em POA com Arcade Fire e Strokes. Simplesmente IMPERDÍVEL!



11 de ago. de 2005

Pato Fu e a Cura


Sei que tenho sido repetitivo, mas no atual cenário continuamente morno (para não dizer medíocre) do rock nacional - salvo raras exceções (leia-se Los Hermanos) -, a banda mineira Pato Fu consegue se sobressair com naturalidade, mesmo num trabalho que não seja totalmente inovador ou espetacular. É o caso do sétimo disco de estúdio deles, Toda Cura Para Todo o Mal (Sony/BMG, 2005). Essa coleção de 13 músicas, que vão do pop/rock singelo ao alternativo non-sense, pode figurar traqüilamente entre as melhores coisas lançadas este ano no país.

Tudo graças, como sempre, à genialidade do guitarrista John, que assina sozinho todas as composições do CD (exceto a música de trabalho Uh Uh Uh, Lá Lá Lá, Ié Ié!, que tem a participação do baixista Ricardo Koctus). Seus arranjos são criativos e as letras conseguem brincar com esse nosso way-of-life de início de século com tiradas ora cínicas, ora melancólicas, mas sempre certeiras. Exemplos é que não faltam:

Quem tem a paz como meta
Quem quer um pouco de paz
Que tire o reboque que espeta
O carro de quem vem atrás
(Uh Uh Uh, Lá Lá Lá, Ié Ié!)

Todo dia nasce um bebê
Pra dividir a vida com você
Todos os dias vão nascer
Bebês com meia vida pra viver
(Amendoim)

Quem mexe com internet
Fica bom em quase tudo
Quem tem computador
Nem precisa de estudo
Estudar pra quê?
(Estudar Pra Quê?)

Me habituei ao pão light
à vida sem gás
O meu café tomo sem açúcar
E até ficar sem comer
Sem te ver
A gente custa mas se habitua
(Vida Diet)

E por aí vai...

Igualmente a habilidade do guitarrista em compor melodias que grudam na cabeça logo na sua primeira audição continua em alta. Nesse grupo estão as baladas Anormal, Sorte e Azar, Agridoce (que tem uma letra bela e triste) e Vida Diet. Como de costume, Fernanda Takai assume os vocais daquelas canções que não exigem muito, enquanto John se encarrega das mais "esquisitas", em geral acompanhadas por efeitos que tornam sua voz quase irreconhecível. Mas quem já está acostumado ao "padrão Pato Fu" de música "alternativa" não vai estranhar. E ainda tem a participação especial de Manuela Azevedo vocalista da banda portuense Clã, em Boa Noite Brasil.

Enquanto aquilo que hoje se chama "rock nacional" continuar na mesmice - o que tem provocado com razão uma avalanche de retornos de bandas que se consagraram nos anos 80 -, vamos agradecer que ainda existem conjuntos como o Pato Fu decididos a curar esse mal.

7 de jul. de 2005

Miles Davis - Relaxin

ALL THAT JAZZ

Miles Davis / Relaxin
(1956, 1991 Prestige (P-7129) OJCCD-190-2)

Artista : Miles Davis [1926-91]
Álbum : Relaxin
Classificação : 5,0 (máx. 5 stars) All Music Guide
Lançamento : 1956, 1991 Prestige (P-7129) OJCCD-190-2
Gênero : Jazz
Estilos : Hard Bop
Adquirido em : 05/05/2000


 Miles Davis / Relaxin
 1956, 1991 Prestige (P-7129) OJCCD-190-2
 As Músicas:



Faixa MúsicaAutor(es)Tempo
1*If I Were a BellLoesser [da peça "Guys and Dolls"]8:20
2 You're My EverythingDixon, Warren, Young5:21
3*I Could Write a BookHart, Rodgers5:13
4*OleoRollins6:28
5 It Could Happen to YouBurke, VanHeusen6:40
6 Woody 'N YouGillespie5:02

(*) destaques

 O álbum de hoje: Miles Davis / Relaxin
 1956, 1991 Prestige (P-7129) OJCCD-190-2

Em todas as listas que citam os maiores músicos de jazz de todos os tempos, os dois primeiros lugares estão sempre garantidos: o primeiro é de Miles Davis [1926-91] e o segundo é o de John Coltrane [1926-67]. Talvez haja alguma variação -- dependendo do gosto de quem fez a lista o segundo lugar pode ser dado a outro que não Coltrane (Charlie Parker, Charles Mingus, Duke Ellington, Sonny Rollins ... são exemplos de outros gigantes do jazz). No entanto, todos concordam: não houve ninguém como Miles Davis. A sua vida se confunde com a história do jazz dos anos 40 aos 90, haja visto que Miles esteve associado ou foi praticamente responsável por toda inovação e evolução no estilo durante este período. Quase sempre liderando estas mudanças, tanto pelas suas performances e gravações, como pela busca incansável de parcerias com colaboradores que marcaram a história do jazz pelas inovações e direções que o estilo teve ao longo do tempo. Há quem afirme que o jazz parou de evoluir desde que Miles nos deixou.

Com um faro apurado para reconhecer talentos, seus grupos (quinteto, sexteto e noneto) foram o maior celeiro de talentos de toda a história do jazz. Uma lista dos grandes músicos de jazz terá entre eles nomes associados à Miles: Airto Moreira, Bill Evans, Brandford Marsalis, Cannonball Adderley, Chick Corea, Gerry Mulligan, Herbie Hancock, Hermeto Paschoal, Jack DeJohnette, John McLaughlin, Keith Jarrett, Marcus Miller, Ron Carter, Wayne Shorter, Wynton Kelly, além dos parceiros neste álbum: John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones.

O álbum de hoje compreende algumas de suas melhores gravações (para mim, é o seu melhor período), a época dos "Quintetos". Em 1955 Miles foi contratado pela gravadora "Columbia", mas ainda tinha um compromisso com a gravadora "Prestige". O seu debut na Columbia foi com o álbum "Round About Midnight" (1955), já com o famoso "Quinteto" formado por nada mais, nada menos que John Coltrane (sax), Red Garland (piano), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria). Durante 1956, para cumprir o compromisso com a Prestige, Miles e o mesmo quinteto gravam uma série de álbuns: "The New Miles Davis Quintet" (1955), "Relaxin'" (1956), "Steamin'" (1956), "Workin'" (1956) e "Cookin'" (1956).

Há quem diga que o jazz é uma música "meio sonolenta", para "curtir uma fossa" com um copo de whisky na mão. Pode até ser, mas existem diversos estilos de jazz. "Relaxin" e os demais álbuns desta fase são um tipo de jazz mais "movimentado", com mais ritmo e melodia (como quando eu digo que "gosto de jazz que eu possa assobiar a melodia"... i.é., sem firulas ou grandes silêncios). Naturalmente, existem algumas músicas mais lentas que as outras (como "You're My Everything"), mas você pode pular esta e ir para "I Could Write a Book", a minha preferida do álbum. A faixa inicia com o piano de Garland introduzindo um belo solo de Miles, apoiado pelo ritmo do baixo, piano e da bateria; mais uns instantes e Miles cede a vez ao magnífico sax de John Coltrane, a seguir Garland (piano) e Chambers (baixo) dão o seu show ("sinta" o competente acompanhamento de toda a seção rítmica, ao longo desta faixa em especial, e das demais do álbum); ao final da faixa, Miles encerra com outro belo solo. Tudo isto na mesma música! Outros destaques são "If I Were a Bell" (admiráveis solos de Coltrane e Garland) e "Oleo", onde todos os músicos, excepcionais, demonstram sua competência em solos primorosos ou simplesmente acompanhando o ritmo.

Acompanha o álbum um encarte de 4 folhas, com um "fac símile" (meio apagado, mas ainda legível) das "liner notes" originais de Ira Gitler. É pouco. Não há nenhum crédito sobre as músicas, mas somente alguns comentários, nos quais se descobre que a voz que se houve no início de "If I Where a Bell" são instruções de Miles para Bob Weinstock (supervisor das gravações).

Tanto "Relaxin", como os demais álbuns desta fase -- "Workin", "Cookin" ou "Steamin" -- ou ainda, o fabuloso "Bags Groove" [1954], estão, certamente, entre as melhores coisas que Miles Davis produziu na sua vida. Qualquer um destes é item obrigatório na discoteca de qualquer fã do jazz e servem como uma magnífica introdução ao curioso ocasional. Essencial! J. T. Cevallos, Porto Alegre - 19/06/2005.
= JTC/jtc =


1 de jun. de 2005

Equação equilibrada


Com o estrondoso sucesso do A Rush Of Blood To The Head, de 2002, era natural que o novo CD do Coldplay viesse carregado de expectativas. A impressão inicial, aquela que se tem logo após a primeira audição de X & Y (Capitol, 2005) é de que o quarteto londrino liderado por Chris Martin não desapontou completamente... mas também não conseguiu superar ou mesmo alcançar a qualidade do seu predecessor.

Existem várias diferenças e semelhanças entre os dois álbuns. As diferenças, nota-se logo, estão nos arranjos: mais elaborados, renunciando ao "apenas piano/guitarra/baixo/bateria/voz" e incorporando teclados, mais camadas de guitarras, backing vocals e batidas eletrônicas. A estrutura das músicas também sofreu um "upgrade" e foge ao padrão bem mais pop encontrado no disco anterior. Musicalmente, o Coldplay evoluiu e isso é um ponto a favor: o fato de não se repetir uma fórmula de sucesso consagrada é sempre uma decisão ousada e difícil, mas que na minha opinião separa as grandes bandas das pequenas. Há cerca de uns quatro meses atrás comentou-se muito sobre a pressão da EMI para o lançamento do CD e o pouco caso do vocalista em relação aos acionistas da gigante da indústria fonográfica.

No entanto, a banda não conseguiu se disassociar completamente do multiplatinado A Rush Of Blood To The Head. As semelhanças ficam justamente por conta da sonoridade de uma ou outra canção em X & Y que nos remetem ao disco de 2002. A primeira música de trabalho do CD (e a melhor de todo ele), Speed Of Sound, é uma prova disso. Ela está ali para mostrar que o Coldplay ainda é a mesma banda que vendeu mais de vinte milhões de cópias de seus álbuns em todo o mundo. E a bela What If segue o exemplo.

No final das contas, como eu disse no início, o saldo dessa equação – cujo título vem bem a calhar - é equilibrada e favorável ao Coldplay, graças a momentos brilhantes como White Shadows, Swallowed In The Sea e a faixa bônus Til Kingdom Come, só para ficar nas que se destacam na primeira audição. Em outras palavras, X & Y é um disco que vai tocar bastante por aí.

25 de mai. de 2005

Novidades...

Pouco tempo prá atualizar o OmniBlog e muitas novidades... resultado: vou fazer um resumo de quatro lançamentos interessantes que estão pintando por aí...

O primeiro deles é o disco que marca o retorno do New Order, Waiting For The Sirens' Call (Warner, 2005). É bem sabido que o motivo da volta do quarteto de Manchester não é outro senão grana. Então, colocadas de lado as rixas entre os integrantes - que não são pouca coisa - eles se juntaram para fazer um disco apenas OK. Nada tão inovador quanto Power, Corruption & Lies, de 1983, nem brilhante como Technique, de 1989. Mantendo a mistura básica de techno e rock, com um pouco mais de guitarras que o usual, o trabalho é feito na medida certa para agradar os velhos fãs da banda, mas o esforço não é suficiente para um convencer os novos ou os apenas simpatizantes (como eu).

Na seqüência, o novo do Beck. Apesar de não ser tão bom quanto o anterior (o melancólico Sea Change, de 2005), a inventividade de Beck Hansen continua trabalhando a favor de seu "estado de espírito" e produzindo músicas bem construídas e arranjadas. Em Guero (Interscope, 2005) elas ficam próximas ao seu trabalho de 1998, Mutations, reunindo climas pop, eletrônicos, hip-hop, indie rock e até brasileiros (como no caso de Missing). Mas a explicação pode estar também no retorno da parceria com o Dust Brothers, que foi responsável pelo ótimo Odelay, de 1996. Enfim, seja qual for ela, o ouvinte é que sai ganhando novamente, basta conferir canções como Girl e Broken Drum.

A terceira recomendação vai para o Dave Matthews Band e o seu sexto trabalho de estúdio, Stand Up (RCA, 2005). Com lançamento de quatro (!) discos ao vivo após o ótimo Busted Stuff de 2002, o DMB tornou evidente o seu status de jam band, caprichando nas improvisações e indo além da linha pop de suas conções. Mas curiosamente em Stand Up eles retomam os arranjos mais simples, centrados em melodias leves, grooves acentuados e quase sem nenhum solo. Não que isso seja totalmente ruim, mas talvez signifique que mais albuns ao vivo venham na seqüência e que então as novas roupagens tornem essas canções mais interessantes.

E at last, but not least, guardei o melhor desta seleção: Make Believe (Geffen, 2005), do Weezer. Conhecido por "pérolas" de hard rock alternativo, como Buddy Holly e The Good Life, o Weezer também parece ter encontrado um caminho mais tranqüilo para compor as doze faixas desse novo disco. Com o peso deixado um pouco de lado, percebe-se melhor ainda a força pop das composições de Rivers Cuomo o que, particularmente, me agradou muito, mas pode deixar alguns fãs ressabiados. Estará o Weezer alçando vôos mais altos, assumindo uma postura mainstream para se tornar uma big band? Bom, enquanto não se espera o devido tempo para se responder essa pergunta, o melhor é se deliciar com músicas como Beverly Hills, Peace, We Are All On Drugs e My Best Friend. E ainda escutar Cuomo quase sussurar mansamente "Man, you really freak me out/I'm so afraid of you/and when I lose my cool/I don't know what to do" na canção Freak Me Out. Um verdadeiro achado!!!

16 de abr. de 2005

All That Jazz - Pat Metheney Group / Imaginary Day


ALL THAT JAZZ

Pat Metheney Group / Imaginary Day (DVD)
(2001 Pat Metheny Group)

Artista: Pat Metheny [1954- ]
Álbum (DVD): Imaginary Day
Classificação: 4 stars (máx. 5 stars) All Music Guide
Lançamento: 2001 Pat Metheny Group
Gênero: Jazz
Estilos: Contemporary Jazz, Jazz-Pop, Crossover Jazz, Post-Bop.

Pat Metheny Group: Pat Metheny (acoustic, electric and synth guitar), Lyle Mays (acoustic piano, keyboards, guitar), Steve Rodby (acoustic and eletric bass) e Paul Wertigo (drums). E mais: Mark Ledford (vocals, trumpet, percussion, guitar), Philip Hamilton (vocals, percussion, guitar) e Jeff Haynes (percussion).

Onde: Filmado e gravado ao vivo em "The Mountain Winery". Saratoga, CA, de 21 a 23 Julho/1998.



Pat Metheny [1954- ] nasceu em 12/08/1954, em Lee's Summit, MO (EUA). É certamente um dos mais consagrados e originais guitarristas de jazz da atualidade, dono de um estilo imediatamente reconhecível. Suas gravações com o Pat Metheny Group são meio difíceis de classificar (folk-jazz? mood music?), mas a sua música soa original e acessível. Metheny fica no limite entre Jazz e Pop, de tal forma que mantém uma grande base de fãs sem ganhar o repúdio da crítica especializada (ao contrário de George Benson que é estigmatizado pela crítica por tocar - e, pior, cantar bem - música pop). Pat Metheny iniciou cedo na guitarra - aos 13 anos - desenvolvendo rapidamente os seus estudos nas Universidades de Miami e Berklee (Scofield também estudou em Berklee). A sua gravação de estréia foi com Paul Bley e Jaco Pastorius, em 1974. Segue-se um período importante, no qual toca com o grupo de Gary Burton. Em 1978 forma o seu próprio grupo, junto com Lyle Mays nos teclados, o baixista Mark Egan, e Dan Gottlieb na bateria. Em seus vários projetos, Metheny contracenou com ilustres nomes do jazz, tais como Dewey Redman e Mike Brecker ("80/81", 1980), Charlie Haden e Billy Higgins (1983), Ornette Coleman ("Song X", 1985), Sonny Rollins, Herbie Hancock (tour em 1990), Dave Holland e Roy Haynes, e Joshua Redman (álbum e tour).

[Extraído do comentário sobre "John Scofield e Pat Metheny / I Can See Your House From Here", no "Música de Fundo" de 26/07/2004.]

 Imaginary Day / Pat Metheny Group
 Músicas:

Faixa MúsicaAutor(es)Tempo
1 Into the DreamMetheny2:27
2*Follow MeMays, Metheny5:56
3 A Story Within the StoryMays, Metheny 
1* Imaginary DayMays, Metheny10:11
5*Heat of the DayMays, Metheny9:23
6 Across the SkyMays, Metheny4:48
7 The Roots of CoincidenceMays, Metheny7:48
8*Message to a FriendMetheny 
9 September FifteenthMays, Metheny 
10*Minuano (Six Eight)Mays, Metheny 
(*) destaques


 Imaginary Day / Pat Metheny Group
 Comentários:

As vezes, como se diz, demora um pouco para "cair a ficha". Uma das contendas com o meu ex-colega e amigo Daniel Olsson [o Omni, do Blog] sempre foi a discussão de quem seria o melhor guitarrista de jazz da atualidade. Eu sempre fui fiel ao George Benson [1943 - ], mais pelo seu passado jazzístico do que pela fase "pop" e "latina" atual. Eu primeiro conheci e gostei do Benson "cantor" e só depois tive contato com os trabalhos dele como guitarrista de jazz. Discípulo de Wes Montgomery, sempre foi, confesso que meio que por "birra", o meu paradigma, para não dar o braço a torcer para o Olsson. É claro que também conhecia (e tenho discos de) outros bons guitarristas, tais como Charlie Hunter, John Scofield, Lee Ritenour, Earl Klugh, Ry Cooder, Al Di Meola e John McLaughlin.

Ontem (28/03/05) coloquei para rodar o DVD "Imaginary Day", do Pat Metheny Group, emprestado pelo Fábio Junges. Este show já me havia sido emprestado pelo próprio Olsson, em 30/04/02 (e devolvido em 06/05/02, cf. os meus registros... he! he! he!). Na época, passou batido. Um bom trabalho, mas nada de "anormal" ocorreu.

Pois bem, o meu DVD Player fica na sala e eu fui trabalhar no micro, afastado da TV, pois a idéia era ficar só escutando o show, com a TV desligada. Em dado momento, fui até a sala, não me lembro para fazer o que, e liguei a TV. Neste exato momento, o PMG (Pat Metheny Group) começa a tocar "Minuano (Six Eight)" e, meus caros amigos, fiquei parado, de pé na frente da TV, sem poder desgrudar os olhos da tela e sem poder parar de ouvir aquela música maravilhosa. Não sei quanto tempo se passou. Foi como uma revelação. A música de ritmo contagiante, a destreza de Metheny na guitarra e um naipe de músicos de calibre fenomenal. E, ao final, voltei a faixa para ver/ouvir de novo e aparecem os créditos. Autores: Pat Metheny e Lyle Mays (o pianista). E aí eu percebi que PM está alguns pontos a frente de meu grande "guru" Benson. Não dá para competir com alguém que compõe músicas e melodias como estas. O meu amigo Benson que me desculpe, mas ele só interpreta muito bem. Eu tiro o chapéu para o Metheny pela sua virtuosidade no instrumento e pela sua grande capacidade artística em "criar" música, álbum após álbum. Certamente, em "Imaginary Day" Metheny e seu grupo estavam no auge de suas capacidades técnicas e artísticas. O show todo é impressionante. Músicas do tipo "Message To A Friend", "Heat of the Day" e "Follow Me" convertem qualquer um.

George Benson terá sempre o seu lugar assegurado no meu coração e na galeria dos grandes guitarristas do jazz, mas agora, inegavelmente "...the winer is..." Pat Metheny!


J.T. Cevallos, 29/03/2005.

(Publicado originalmente no "Diário do Projeto SGC/PROCERGS", em 03/04/2005).
= JTC/jtc =

Porto Alegre, 16/04/2005.


13 de abr. de 2005

John Coltrane & Johnny Hartman

ALL THAT JAZZ

John Coltrane & Johnny Hartman (1963 – Impulse!)

Sou um grande apreciador da obra de John Coltrane – na minha opinião, o maior jazzman que já pisou no nosso planeta. Por conta disso, tenho adquirido algumas obras de sua extensa discografia com freqüência – mas em relação a este álbum de 1963, onde o saxofonista se uniu ao crooner Johnny Hartman, sempre demonstrei certa resistência em comprar. Era um preconceito bobo, baseado unicamente na minha preferência pelo jazz instrumental contra o cantado. No entanto, a unanimidade com que a crítica elogiava esse encontro inusitado, aliado à oferta imperdível que me surgiu para comprá-lo, "forçaram-me" a mudar de idéia. Como vocês devem imaginar, fiquei profundamente arrependido... em NÃO ter essa obra-prima na minha CDteca até agora! ;)

Seguindo a linha de baladas sofisticadas que deixou registrada na gravadora Impulse!, incluindo o maravilhoso Ballads e uma parceria com Duke Eliington, ambos de 1962, Coltrane acertou em cheio ao chamar para essa gravação o barítono Johnny Hartman, então num período de ostracismo de sete anos. Acompanhado do tradicional quarteto de Coltrane, a voz grave de Hartman, treinada no estilo bop em que ele se destacou, casa harmoniosamente com o lirismo dos solos no sax tenor e nos proporciona momentos de beleza e deleite poucas vezes alcançados em encontros semelhantes no jazz. A prova incontestável disso encontra-se nas versões sublimes de My One And Only Love e They Say It's Wonderful.

Há de se lamentar apenas que tal encontro tenha rendido tão somente meia hora de música - uma interessante característica que compartilham os melhores discos de Coltrane.

9 de mar. de 2005

Placeboterapia

A proximidade das apresentações do trio inglês Placebo no Brasil, foi a oportunidade que encontrei para conhecê-los mais a fundo. Até então, eu havia escutado Every You Every Me na trilha sonora do filme Cruel Intentions, de 1999 – que aqui recebeu o título de "Segundas Intenções" –, uma ótima canção me chamou atenção imediatamente para o trabalho deles, que vagueia entre o alternativo e britpop. Depois, tive um contato maior com o quarto álbum da banda, Sleeping With Ghosts, de 2002, que só confirmou a qualidade do trio.

Formado em Londres, em 1994, o Placebo (n.b.: substância sem qualquer efeito farmacológico por vezes prescrita para levar o doente a experimentar alívio dos sintomas pelo simples fato de acreditar nas propriedades terapêuticas do produto) é composto pelo vocalista/guitarista Brian Molko, o baixista Stefan Olsdal e o baterista Steve Hewitt (ou Robert Schultzberg, entre 1994 e 1997). Após quatros trabalhos de estúdio, eles lançaram no ano passado uma compilação de singles, chamada Once More With Feeling. O disco é uma excelente introdução ao trabalho da banda – se você ainda não ouviu nada deles, trate imediatamente de comprar, copiar ou baixar da internet!

A aparência franzina e andrógina de Molko, apoiada pela sonoridade da banda, nos remete ao glam rock de David Bowie – uma das suas principais influências e presente nos vocais de Without You I'm Nothing. E as referências não param por aí, e percorrem as bandas dos anos 80 com abençoada freqüência. Ouça You Don't Care About Us, por exemplo, e note a típica introdução das músicas do The Cure. Ou a linha de baixo "à la Pixies" de This Picture. Ou ainda o flerte com climas eletrônicos de 20 Years, que lembra o Depeche Mode.

Mas o mérito da banda não está só nas referências. Gritarras bem exploradas, baixo pulsante, grave e alto, e uma bateria eficiente compõem os ótimos arranjos para as letras repletas de humor ácido. E o brilho de algumas canções se destaca naturalmente, como no caso de Pure Morning, Every You Every Me, The Bitter End, This Picture, Special Needs, Protège Moi (versão cantada em francês para Protect Me From What I Want), e por aí vai.

Imperdível, assim como a turnê que chega ao Brasil no mês que vem: 15/4, em Recife, no primeiro dia do festival Abril pro Rock; 16/4, em Salvador; 19/4, em Porto Alegre; 21/4, em Florianópolis; 23/4, em Brasília; 26/4, em Campinas; 27/4, em São Paulo, no Credicard Hall; 29/4, no Claro Hall, no Rio de Janeiro.

17 de fev. de 2005

Jazz & blues em sua melhor forma

Rápido comentário sobre dois lançamentos recentes de guitarristas consagrados.

Eric Clapton dá continuidade ao trabalho de imprimir a sua marca pessoal na homenagem a Robert Johnson em Sessions For Robert J (Warner, 2004), lançamento em DVD/CD que reúne novas interpretações para os clássicos de Johnson, ou mesmo reinterpretações para canções já lançadas no anterior Me and Mr. Johnson. Desta vez, as gravações foram realizadas durante os ensaios da turnê, em diferentes lugares – inclusive no estúdio utilizado pelo próprio Robert Johnson em Dallas, em 1937 – e arranjos, indo do elétrico ao acústico. Um destes momentos acústicos, por exemplo, foi gravado em um quarto de hotel na California.

Mais importante que o local, entretanto, é a qualidade incomparável com que Clapton conduz as canções, acompanhado ou não de sua banda. Da "swingada" Sweet Home Chicago à tranqüila (mas emocionada) Ramblin' On My Mind, o que temos é um mestre do blues prestando suas honras a outro mestre, sem decepcionar. Atualizando standards consagrados, sem nunca perder a essência dos mesmos. Atentando para o fato de que o blues é uma música que não existe – não se pode cantar – se o sentimento não for sincero.

Onze das dezenove performances do DVD podem ser conferidas no CD que acompanha a edição.

O outro lançamento que eu gostaria de recomendar é The Way Up (Nonesuch Records, 2005), do Pat Metheny Group. Trata-se de uma suíte de 68 minutos composta por Metheny e seu colega de longa data, o tecladista Lyle Mays, e dividida em 4 partes. Mas o ineditismo do formato do novo trabalho do PMG não impede de se reconhecer sua sonoridade ao mesmo tempo em que eles exploram novos caminhos.

A construção deste verdadeiro "concerto", composto por diversos moods jazzísiticos, é utilizado com total liberdade e criatividade pela banda na improvisação dos solos e, em especial, na criação de tantas harmonias que se ouve ao longo do CD – cada uma delas bebendo nas fontes da própria trajetória do PMG e do jazz tradicional. A obra é algo raro no atual cenário do jazz e particularmente no estilo fusion, cujo resultado é uma deleitosa jornada que em nenhum momento se torna cansativa.

17 de jan. de 2005

50 First Dates

Música de fundo
Various Artists / 50 First Dates
(2004 Warner Music)

Alguém já disse sabiamente, embora eu desconheça a fonte, que as músicas e filmes que se ouviu e assistiu na adolescência serão aqueles que mais vamos gostar em nossas vidas. E isso explica de modo satisfatório a atração que a música dos anos 80 exerce sobre mim.

(Abre parênteses. Não é à toa que as três melhores bandas de todos os tempos na minha opinião – U2, R.E.M. e The Smiths – surgiram e se consolidaram nesta década. Fecha parênteses)

De fato, a música produzida no anos 80, de um modo geral, nos legou vários clássicos inesquecíveis, sejam eles pós-punk, new wave, gótico ou surf, muitos dos quais se mantêm insuperáveis diante dos vindouros anos 90 ou 2000.

(OK, OK.... podem me chamar de saudosista...)

Mas se você se identificou com os parágrafos acima, e ainda não terminou de escolher a lista de CDs para curtir neste verão, aqui vai uma dica então: 50 First Dates, a trilha sonora do filme de Peter Segal, que no Brasil recebeu o título de "Como Se Fosse a Primeira Vez" (2004).

O filme é uma das raras bobagens "assistíveis" do Adam Sandler, cuja participação da Drew Barrymore pretendeu repetir o sucesso de "Afinado no Amor" (The Wedding Singer, 1998) e que coincidentemente também tinha uma trilha sonora baseada em clássicos dos anos 80.

Embora o filme não acerte muito, a seleção de músicas para a trilha foi bem mais feliz, optando por reunir versões reggae para o "cancioneiro oitentista". São releituras despretenciosas – ou seja, não têm o objetivo de serem melhores que os originais, mas de oferecerem ao ouvinte que as conhece uma roupagem mais atualizada, alegre e condizente com a estação (sol, praia e festa) e o clima do filme, claro.

As melhores são as interpretações para Drive, sucesso do The Cars, pelo Ziggy Marley; Every Breath You Take, do Police, pelo UB40, Slave To Love (Roxy Music), por Elan Atias & Gwen Stefani; Love Song (The Cure), pelo 311; Hold Me Now (Thompson Twins), por Wayne Wonder; e Lips Like Sugar (Echo & The Bunnymen), por Seal. As demais faixas se destacam bem menos, não indo muito além dos méritos da própria música, mas ainda assim formam um conjunto equilibrado, ideal para se ouvir nestas férias.

5 de jan. de 2005

rateyourmusic

rateyourmusic



Nesse início de ano, a dica não é de música exatamente, mas tem tudo a ver com ela. Trata-se do site rateyourmusic.com que descobri por acaso e recomendo a todos que tem esse costume irremediável de classificar a sua coleção de CDs.

Para participar do site, que é um especialista em registrar essa "arte" de avaliar e escrever comentários dos seus membros, basta se registrar gratuitamente e depois localizar cada um dos seus CDs e selecionar quantas estrelas ele merece. A sua cotação fica registrada numa página pessoal e passa a contar na nota final do CD.

Extrapolando a grande base de dados que o rateyourmusic.com possui, é possível, a cada visita à pagina inicial, descobrir aleatoriamente qual foram os 25 melhores discos lançados em 1963, por exemplo. Mas é claro que nem sempre vamos encontrar unanimidade com o que a crítica musical costuma publicar. Por se tratar de uma média baseada na opinião de leigos em sua maioria, não se pode tomar por referência, mas ainda assim desperta certa curiosidade justamente pela sua característica de "voto popular".