ALL THAT JAZZ (2004 – Ropeadope) Não por coincidência, dois dos melhores guitarristas de jazz da atualidade guardam algumas semelhanças que talvez expliquem o porquê de seu merecido destaque: Pat Metheny e Charlie Hunter são prolíficos, senhores absolutos no jazz fusion (cada qual ao seu estilo) e extremamente versáteis. O novo lançamento do mestre das 8 cordas, Friends Seen And Unseen, vem reforçar essas qualidades, além de ocupar um lugar de destaque entre o melhores CDs de 2004. Apenas um ano após seu disco anterior, Right Now Move (Ropeadope, 2003), Charlie Hunter retorna ao Trio e à fórmula do jazz melódico, quase minimalista e de texturas variadas que conhecemos em seus primeiros trabalhos. Só que desta vez o Trio é composto por dois exímios instrumentistas oriundos da formaçao anterior (o quinteto): John Ellis, no sax tenor, clarinete e flauta e Derek Phillips, na bateria. Uma formação mais básica dá oportunidade para os músicos explorarem melhor o seu talento na improvisaçao dos solos, valendo a regra também para a escolha de tons e efeitos, artifício que Hunter recorre com freqüência, como o wah-wah utilizado em Lulu's Crawl – onde o saxofone de Ellis surge até mais "sujo" para o acompanhar. Já na faixa seguinte, Darkly, no entanto, Ellis abusa da suavidade da flauta, enquanto o wah-wah retorna num riff "rocker" em Running In Fear From Imaginary Assailants, faixa que se destaca pelo arranjo quebrado do ritmo, soberbamente conduzido por Phillips. Soweto's Where It's At, composição do pianista sul-africano Abdullah Ibrahim, uma fusão de gospel e reggae, nos remete ao disco Natty Dread, trabalho de 1997, ao passo que Bonus Round faz o mesmo em relaçao ao excelente Bing, Bing, Bing!, de 1995. A base groove característica de Hunter, permeia todo o disco, mas seus solos tem um destaque maior, como em My Son the Hurricane, onde se ouve também o clarinete de Ellis. Cabe a Phillips a responsabilidade de construir a batida sincopada na bateria para acompanhar a troca de improvisos entre o Trio. Fechando o CD, Moore's Alphabet estabelece a unidade entre os três e sua afinidade na improvisação. Enfim, é complicado descrever a sonoridade de um trabalho de Hunter para quem nunca o ouviu antes. Se esse for o seu caso, a oportunidade está em Friends Seen And Unseen que, para aqueles que gostam de conferir o aval do site AllMusic, foi considerado pelo mesmo o melhor disco da carreira do guitarrista até o momento. |
14 de dez. de 2004
De volta ao trio
30 de nov. de 2004
Desmontando a bomba atômica 2
| Desmontando a bomba atômica 2.
Aliás, o livro é uma viagem só.... Desenhos, rabiscos, fotos, vários manuscritos e até as palmas das mãos do quarteto – que as deixaram impressas em tinta tal qual crianças do jardim de infância. O livro abre e fecha com frases de efeito de Oppenheimer (citando o Bhagavad Gita durante o primeiro teste da bomba atômica norte-americana) – "Eu sou a morte, o poderoso destruidor do mundo" – e de Gandhi – "Nós devemos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo". A Declaração Universal dos Direitos Humanos está reproduzida na íntegra (será por isso que a ed. não saiu por aqui? ;-)) O trabalho lembra um pouco os encartes costumeiros dos CDs do Pearl Jam e do Radiohead. Mas........... nem tudo são flores, infelizmente. 1º) Faltaram as letras! Não dá prá entender o porquê..... ter que comprar a edição simples, só por causa do encarte com as letras? O livro trás todos os créditos do CD mas apenas um link para as letras: http://www.u2.com/htdaab-lyrics 2º) Também não gostei do modo como o CD vem acondicionado no encarte. Não há presilhas, ele simplesmente fica dentro de um envelope vazado (para ficar à mostra na luva, que também é vazada) e com muita folga, praticamente solto. Uma embalagem luxuosa (e cara) como esta e não pensaram que o CD pode se arranhar facilmente? Fora esses "detalhes", é um item imperdível para os fãs – vale cada dólar investido nele! O DVD vem com legendas em português e o CD tem a tão falada Fast Cars (que é legalzinha, mas totalmente fora do clima do álbum – motivo pelo qual devem ter decidido não incluí-la nas edições normais). |
16 de nov. de 2004
Blue Note Plays the Beatles
ALL THAT JAZZ (2004 Blue Note 7243-5-78626-2-2) A "blue note" - segundo Roberto Muggiati escreveu num belo livrinho de 34 páginas [A Estória do Blues, São Paulo, Editora Três, 1983], uma verdadeira pérola, presente de meu colega de trabalho Augusto A. Moreira, a nota "blue" é a célula básica do blues, "um som único, do grito africano, que reflete uma característica cultural típica e que tem desafiado qualquer análise segundo os padrões da musicologia ocidental.". Ainda segundo Muggiati, a "blue note" "ocorre invariavelmente na terceira e na sétima (querem alguns também na quinta) notas das escala diatônica européia. Ou seja: na tonalidade de Dó maior, o Mi e o Si eram bemolizados, isto é, decresceriam de meio-tom. Isto corresponderia a uma resistência étnica, a uma incapacidade - ou recusa - do negro de aderir estritamente à tonalidade européia." Entendeu? Nem eu. Eu só gosto de música, não sou músico! Mas achei que alguém poderia querer saber o que é esta tal de "blue note", ampliando os nossos conhecimentos musicais. O gênero "blues" é o antepassado do Jazz, que pode ser considerado uma das primeiras manifestações musicais genuinamente norte-americanas, com sua fundamentação no blues, a confiança na interação do grupo e improvisações aleatórias. Pois "Blue Note" é também o nome da companhia gravadora que tem se dedicado ao jazz desde os seus primórdios. Fundada em 1939, ironicamente, por dois imigrantes alemães Alfred Lion e Francis Wolff, hoje é sinônimo de jazz na América. Um pouco de história das gravadoras: Em 1898, Fred Gaisberg cria em Londres a "Gramophone Company" e faz um arranjo com Joseph Berliner para abrir uma fábrica em Hannover (AL) para prensar os discos. Nascia em 24/11/1898 a "Grammophon Gesellschaft mbH". Em 1916, com a Segunda Guerra Mundial, a companhia, como é inglesa, é considerada "propriedade do inimigo" e os dois ramos são obrigados a separar-se. O ramo inglês viria a tornar-se a "EMI Records" e o alemão é a "Deutsche Grammophon". Da EMI Music UK, saiu um braço denominado "Parlophone" (http://www.parlophone.co.uk/newsite/) que viria a ser a gravadora dos Beatles (os quais, mais tarde, viriam a criar a sua gravadora "Apple Records"). Os Beatles [1960-70] invadiram a América em 1964 (a famosa "Invasão Britânica"), revolucionando o mundo musical da época e ajudando a colocar meio de lado o já claudicante cenário do Jazz. O rock and roll veio para valer e alguns jazzmen temeram por seu futuro. Entretanto, muitos enxergaram em John Lennon e Paul McCartney, compositores sérios, com harmonias tão amplas como as encontradas no Bebop. E assim, confirmando o que diz o ditado: "Se você não pode com eles, una-se a eles", muitos músicos de jazz passaram a incluir canções dos Beatles em seus repertórios. Não é para menos que, em 1965, Gerry Mulligan gravou várias músicas dos Beatles num álbum cujo título era "If You Can't Beat 'Em, Join 'Em". Desde então, a "Beatlemania" espalhou-se pelo jazz e muitas das músicas dos "Fab Four" tornaram-se standards do jazz. O álbum de hoje: Vários artistas / Blue Note Plays the Beatles 2004 Blue Note/EMI 7243-5-78626-2-2 Músicas (todas as músicas compostas por John Lennon e Paul McCartney):
(*) destaques AMG = Cotação no All Music Guide (máximo = 5 stars) Como eu já disse aqui antes, eu sou fã de carteirinha dos Beatles. Na minha juventude, sabia as suas músicas de cor (e ainda me lembro de várias). O que sempre marcou os Beatles foi o seu som distintivo, a musicalidade contagiante e a ingenuidade de suas letras (OK, algumas nem tanto). Mas a sua marca está nas suas vozes, o "som" dos Beatles era único e inconfundível. Você sabia dizer instantaneamente quando se tratava de uma música deles. Hoje, sinto dificuldade em distinguir alguns conjuntos de outros (alguém pode dizer que a minha capacidade auditiva também diminuiu com o tempo, vá lá, pode ser...). E por ser assim, eu sempre fico com "um pé atrás", como se diz, quando me deparo com estes "tributos", pois sempre me vem à memória as vozes originais dos "4 de Liverpool". Mas no final, "a carne é fraca" e acabo caindo na tentação e incluo mais um na minha CDteca. Além disso, o álbum une dois interesses - Beatles + Jazz e não dá para resistir (foi a mesma coisa com o CD do John Pizzarelli / Meet The Beatles). O álbum de hoje traz 11 composições da dupla Lennon/McCartney, abrangendo um período que vai de 1964 a 1996, com grandes jazzistas prestando o seu tributo àquela que, sem sombra de dúvida, foi e sempre será a maior banda de todos os tempos. O resultado final é agradável, variando do bom (é o mínimo, por ser Beatles) ao muito bom. Algumas interpretações mantém-se dentro da linha melódica original e acrescentam o "swing" jazzístico, com bons resultados, como o sax de Stanley Turrentine [1934-2000] em "Can't Buy Me Love". Outras não acrescentam muita coisa, tais como "Yesterday". Destaques mesmo vão para "A Day in the Life" onde o violão de Grant Green [1931-79] substitui magistralmente a muralha de cordas e a cacofonia psicodélica da original em "Sgt. Peppers...", a guitarra de Stanley Jordan [1959- ] dando um belo tratamento poético a "Eleonor Rigby", as "vozes" do malabarista da voz, Bobby McFerrin [1950- ], criando (com "overdubing") uma interpretação a capella de "Drive My Car". E "Come Together", embora mantenha o ritmo original e não seja das mais inventivas, é a minha preferida do álbum, nas belas vozes de Dianne Reeves [1956- ] e Cassandra Wilson [1955- ], acompanhadas pelo competente arranjador e produtor Bob Belden [1956- ] no sintetizador e tímpanos (Belden também toca sax tenor, mas não neste álbum). O álbum faz parte de uma série "Blue Note Plays...", dedicada a vários artistas, além dos Beatles: Duke Ellington, Jobim, Sinatra, Gershwing, Burt Bacharach e Stevie Wonder. Acho que vale a pena ouvir os outros. Acompanha o álbum um livreto de 8 páginas, com liner notes de James Gavin e créditos detalhados para cada música, inclusive informando qual o álbum original [do intérprete] que foi lançada a versão. Eu preferi indicar qual o álbum dos Beatles onde foi lançada a música. James Gavin, nas liner notes, conta que em 1966, numa conferência para a imprensa, perguntaram aos Beatles como eles se sentiam com relação a artistas como Ella Fitzgerald "usando suas músicas e alterando-as para adapta-las ao seu estilo em particular". Paul respondeu: "Uma vez que tenhamos publicado uma música, qualquer um pode faze-lo. Se nós gostamos ou não, depende o quanto eles o fizeram de acordo com o nosso gosto.". Perguntados sobre quem faria as suas músicas melhor, John respondeu no ato: "Nós!". Pois é John, você tinha razão. J.T. Cevallos, 15/11/2004. = JTC/jtc = |
8 de nov. de 2004
Desmontando a bomba atômica, faixa a faixa.
| Desmontando a bomba atômica, faixa a faixa.
O disco abre com os riffs furiosos de guitarra de Vertigo. Rock 'n'roll puro, como o U2 nunca havia feito antes. O refrão, "I’m at a place called Vertigo", nos convida a conhecer este lugar, atiçando a nossa curiosidade, o que talvez seja mesmo o mote da música em relação ao resto do CD. Como que celebrando seu quarto de século, há um pouco da fase inicial da banda na canção: uma linha de baixo envolvente escorando os arpejos econômicos de Edge, enquanto Bono sussurra: "All of this can be yours". É a faixa mais pop do disco, feita sob medida para atacar nas rádios FMs e que a princípio causa a impressão de que o CD inteiro será repleto de refrões grudentos. Ledo engano. Com Miracle Drug já dá para perceber ao que a banda veio desta vez. Passada a euforia inicial, o arranjo da segunda faixa acompanha o tom quase sem espenrança desta canção de amor (a certa altura Bono capitula: "God I need your help tonight"). No mesmo clima, segue Sometimes You Can't Make It On Your Own. Aqui ouvimos pela primeira vez a volta da infinite guitar, esquecida desde o tempo do Joshua Tree (1987). Bono ensaia alguns de seus falsetes característicos e a canção segue num arranjo crescendo – outra marca registrada dos velhos tempos da banda. Love And Peace Or Else. A essa altura pode não parecer óbvio, mas HTDAAB não é um disco feito para as paradas pop. A estrutura das canções começa a se libertar da tradicional linearidade "estrofe/refrão/ponte/refrão", para alçar vôos mais alternativos. E os instrumentos acompanham testando muitas idéias... teclados, efeitos, distorções fuzz, e dedilhados que soam como sinos. A infinite guitar do Edge (evocando Wire de The Unforgettable Fire, de 1985) dá início a uma das melhores músicas do CD, na minha opinião. Com exceção de Vertigo, nenhuma das melodias de HTDAAB é facilmente assimilada na sua primeira audição. Com City Of Blinding Lights ocorre o mesmo, mas no entanto logo se entra no clima do arranjo e da forma como ele torna essa melodia especial. Como havia sido amplamente anunciado, The Edge tomou as rédeas dos arranjos deste disco e deixa isso bem claro em All Because Of You. Sem desmerecer os demais instrumentistas do grupo, que estão igualmente inspirados (em especial Adam Clayton), Edge quase consegue elevar o U2 a categoria de guitar band. Na singela e acústica A Man And A Woman, Bono faz uma declaração de amor a sua esposa e nos brinda com outra canção que parece mais uma vez ser diferente de tudo que o quarteto irlandês fez até hoje. Os arranjos mais soturnos retornam com One Step Closer, juntamente com o tom quase confessional com que Bono conduz a canção – que inclui agradecimentos especiais ao amigo Noel Gallagher, do Oasis. Os strings são o destaque da penúltima faixa, Original Of The Species, juntamente com a guitarra e o belo refrão que se encaixam com perfeita harmonia. Num trabalho tão equilibrado como este, é difícil eleger as melhores canções, mas esta com certeza está entre elas. Yahweh, que é nome hebreu para Deus (Jeová) em inglês, fecha o CD trazendo mais camadas de piano e guitarras com delay e uma letra que surge tal qual uma oração emblemática: "Take these hands/Teach them what to carry/Take these hands/Don’t make a fist/Take this mouth/So quick to criticise/Take this mouth/Give it a kiss". Novamente o U2 se sobressai por não ser repetitivo. How To Dismantle An Atomic Bomb pode lembrar a sonoridade da banda em fases distintas, mas o conjunto ainda preserva o ar de novidade. Em primeiro lugar, por soar mais alternativo que o anterior, All That You Can't Leave Behind, de 2001. Segundo, porque The Edge não se sobressaía de maneira espetacular assim desde Achtung Baby, de 1992. E, por último: uma banda com tanto tempo de estrada, mantendo o nível de inspiração de seus trabalhos a cada nova etapa, é algo raríssimo no rock atualmente. E merece ser celebrado! |
24 de out. de 2004
ALL THAT JAZZ (1994 Blue Note / Capitol CDP-7243-8-27765-2-9) John Scofield nasceu em 26/12/1951, em Dayton/OH (EUA). Junto com Pat Metheny [1954- ] e Bill Frisell [1951- ] é um dos grandes guitarristas de Jazz da atualidade. Eu incluiria nesta lista o meu favorito, George Benson [1943- ], mas este já abandonou a trilha jazzística há mais tempo, para fazer fama e dinheiro no mundo pop. Dono de um estilo meio funk-rock, Scofield é um grande improvisador no jazz, cuja música se situa entre o post-bop, fusion e soul jazz. Scofield iniciou cedo os seus estudos de guitarra, ainda no colegial (high school) e, entre 1970-73, enquanto estudava, tocava pelos arredores de Boston. Ele já tocou com grandes nomes do jazz: Gerry Mulligan e Chet Baker (no Carnegie Hall), a banda de Billy Cobham-George Duke, Charles Mingus, o quarteto de Gary Burton, o quinteto de Dave Liebman e também Miles Davis (entre 1982-85). Seus primeiros trabalhos solo foram meio orientados ao funk. Gravou álbuns com Charlie Haden, Jack DeJohnette, Joe Lovano, e Eddie Harris. Entre funk (tocou com Medeski, Martin & Wood) e jazz tradicional, ultimamente tem-se dedicado ao fusion ("Up All Night", 2003; "Uberjam", 2002), em trabalhos mais "cerebrais" como o álbum "EnRoute" [2004]. Pat Metheny nasceu em 12/08/1954, em Lee's Summit, MO (EUA). É certamente um dos mais consagrados e originais guitarristas de jazz da atualidade, dono de um estilo imediatamente reconhecível. Suas gravações com o Pat Metheny Group são meio difíceis de classificar (folk-jazz? mood music?), mas a sua música soa original e acessível. Metheny fica no limite entre Jazz e Pop, de tal forma que mantém uma grande base de fãs sem ganhar o repúdio da crítica especializada (ao contrário de George Benson que é astigmatizado pela crítica por tocar - e, pior, cantar bem - música pop). Pat Metheny inicou cedo na guiatarra - aos 13 anos - desenvolvendo rapidamente os seus estudos nas Universidades de Miami e Berklee (Scofield também estudou em Berklee). A sua gravação de estréia foi com Paul Bley e Jaco Pastorius, em 1974. Segue-se um período importante, no qual toca com o grupo de Gary Burton. Em 1978 forma o seu próprio grupo, junto com Lyle Mays nos teclados, o baixista Mark Egan, e Dan Gottlieb na bateria. Em seus vários projetos, Metheny contracenou com ilustres nomes do jazz, tais como Dewey Redman e Mike Brecker ("80/81", 1980), Charlie Haden e Billy Higgins (1983), Ornette Coleman ("Song X", 1985), Sonny Rollins, Herbie Hancock (tour em 1990), Dave Holland e Roy Haynes, e Joshua Redman (álbum e tour). Neste álbum, de 1994, é a primeira vez que estes dois gigantes se encontram, e, como não podia deixar de ser, o resultado é excelente. Embora sejam artistas com estilos diferentes (dizem que Scofield teve que comprar um violão [acustic guitar] para este ábum, pois ele não tocava nada acústico) a música e as interpretações são irrepreensíveis. No entanto, parece que em alguns momentos falta a energia de um esperado "duelo" entre as duas feras da guitarra. Embora Scofied esteja num degrau abaixo de Metheny, ele não faz feio, mas não existe dúvida que os melhores solos são de Metheny, e, por ele não se sentir desafiado, entrega algumas músicas com uma competência protocolar. O álbum inicia meio morno, com a faixa título "I Can See Your House from Here", mas logo em seguida a coisa esquenta com "The Red One", uma das melhores faixas do álbum, onde Metheny dá um show à parte (pena que o álbum não mantenha este ritmo sempre). Destaques para "Everybody's Party" onde as guitarras soam em uníssono e parecem um único instrumento e você só percebe que são duas quando, vez por outra, uma delas toca alguma nota diferente. Baixo e bateria completam uma brilhante interpretação. Segue-se a bela e acústica "Message to my Friend" e, "Say the Brother's Name", onde as guiatarras soam como almas gêmeas. O ritmo aumenta mais para o final, com Scofield dando o recado em "One Way to Be" e, logo em seguida, o álbum encerra magnificamente com "You Speak My Language". Além dos dois grandes músicos, o ritmo é sustentado de maneira brilhante por Steve Swallow (baixo elétrico & acústico/ eletric & acoustic bass guitar) e Bill Stewart (bateria/drums). Uma dica fornecida no próprio disco: a guiatarra de Scofield é mais destacada no canal esquerdo enquanto a de Metheny fica mais no canal direito. Acompanha um livreto com 3 páginas de fotos, créditos das músicas e os agradecimentos usuais. Muito pouco para o padrão da dupla. O resultado final é extremamente agradável e o álbum merece repetidas audições para percebermos todas as nuances das interpretações destes dois magníficos artistas. Altamente recomendado! J.T. Cevallos, 25/07/04. = JTC/jtc = |
29 de set. de 2004
Mais melancolia
Automatic For The People (Warner, 1992) se caracateriza por ser um dos discos mais melancólicos que o R.E.M. lançou até hoje. Aparentemente eles conseguiram repetir a dose neste novo Around The Sun (Warner, 2004), seu 13º álbum, embora não com o mesmo apelo pop das melodias do primeiro e praticamente sem nenhuma música up-tempo. Talvez as letras de Around The Sun também estejam menos rebuscadas para o padrão "Michael Stipe" de anos atrás, o qual considero um dos mais inspirados poetas do rock. Mas continuam transmitindo esse sentimento de tristeza com muita beleza, como nos versos de Leaving New York, canção que (in)conscientemente nos remete aos atentados de 11 de Setembro: now life is sweet and what it brings I try to take but loneliness it wears me out it lies in wait and all not lost still in my eye the shadow of necklace across your thigh I might've lived my life in a dream but I swear it this is real memory fuses and shatters like glass mercurial future, forget the past it's you it's what I feel A certa altura da carreira, é igualmente comum uma banda buscar alguma inspiração no seu próprio passado, principalmente em estilos que a sempre identificam de imediato. I Wanted to Be Wrong, por exemplo, está presente para nos lembrar como o trio de Athens (GA) nunca abandonou suas raízes folk; assim como a experimentação com o rap em The Outsiders, com a participação de Q. Tip, recorda um encontro similar ocorrido no disco Out Of Time (Warner, 1991). Mas o CD em si está longe de ser um comeback, situando-se bem próximo ainda dos trabalhos mais recentes do R.E.M. E se não fizeram um disco melhor que o anterior, Reveal (Warner, 2001), Stipe, Buck e Mills ao menos mantiveram o mesmo nível. É possível encontrar pequenas pérolas muito próximas da perfeição, como a já mencionada Leaving New York, Electron Blue e Make it All OK. |
14 de set. de 2004
Bomba Atômica
De acordo com Bono, será ‘nosso primeiro álbum de rock-n-roll’,ou seja, nada de rap, coros gospel ou experimentos em música tecno. ‘The Edge tem tocado uma guitarra fantástica’, afirmou Lillywhite.
O primeiro single, Vertigo, sai no dia 8 de novembro em 3 formatos: 2 CDs e 1 DVD. No DVD podem ser conferidas as novas fotografias da banda feitas recentemente em Lisboa por Anton Corbijn, bem como uma performance ao vivo de Vertigo no estúdio e dirigida por Richie Smyth.
Maiores detalhes, no site oficial da banda: U2.com
7 de set. de 2004
Aerosmith / Honkin' On Bobo
| Música de fundo (2004 Columbia 2-515447) O Aerosmith nasceu em 1970, em Boston/MA e a sua formação permanece praticamente a mesma desde o seu surgimento. O Aerosmith é Brad Whitford [1952- ] (guitarra), Joe Perry [1950- ] (guitarra), Joey Kramer [1950- ] (bateria), Steven Tyler [1948- ] (vocal, background vocal, harmônica), Tom Hamilton [1951- ] (baixo). Foi uma das mais populares bandas de "hard rock" dos anos 70, estabelecendo o estilo e o som do hard rock e heavy metal por cerca de duas décadas. Sua habilidade em produzir tanto baladas como rock & roll garantiu-lhe uma boa popularidade nos anos 70, quando ganharam vários Discos de Ouro e de Platina. Depois de um início razoável com dois álbuns que mal chegaram a constar nas paradas de sucesso (Aerosmith [1973] e Get Your Wings [1974]), o Aerosmith lança em 1975 aquele que seria o melhor álbum de sua carreira, tanto comercial como artisticamente - "Toys in the Attic". Depois de vários sucessos, em 1979, Joey Perry deixa banda para formar o "Joe Perry Project". Brad Whitford deixou o grupo no início de 1980, formando a "Whitford-St. Holmes Band". O Aerosmith, agora com novos guitarristas, Jimmy Crespo e Rick Dufay, lança em 1980 o álbum "Greatest Hits", que chega a vender mais de 6 milhões de cópias só nos Estados Unidos. Problema com drogas pesadas começam a afetar o grupo. Em 1984, Perry e Whitford retornam para a banda e o grupo inicia uma turnê denominada "Back in the Saddle", onde Tyler tem um colapso no palco, mostrando que os problemas com as drogas e álcool continuavam rondando a banda. Em 1987, com Tyler e Perry recuperados das drogas, e em parceria com escritores de hard rock profissionais, como Holly Knight e Desmond Child, lançam o álbum "Permanent Vacation", que resulta nos hits "Dude (Looks Like a Lady)", "Rag Doll" e "Angel". Com altos ("Toys in the Attic" [1975], "Rocks" [1976], "Done with Mirros"[1985], "Pump" [1989]) e baixos ("Night in the Ruts" [1979], "Rock In A Hard Place" [1982], "Get a Grip" [1993] ) ao longo uma carreira irregular, o Aerosmith conseguiu emplacar bons álbuns o que lhe assegura uma base sólida de fãs e um lugar consagrado na história do rock. O álbum de hoje rompe uma tradição. Normalmente eu faço comentários sobre artistas e álbuns da minha coleção particular e, quase sempre, eu escolho para a "Música de Fundo" um álbum que considero representativo e superior na carreira do artista. Neste caso particular, o meu estimado colega Ricardo Scotta, pediu-me para ouvir e comentar sobre este CD (Aerosmith / Honkin' On Bobo) que ele comprara recentemente. Isto me coloca numa situação singular, pois tenho que ser imparcial, sem dar a impressão que o meu amigo jogou o seu dinheiro fora e que o seu investimento valeu a pena. Brincadeirinha... Eu já conhecia o Aerosmith. Tenho deles o "Big Ones" [1994] e o "Nine Lives" [1997]. Entretanto, fazia muito tempo que não ouvia nada deles e a música que mais me marcou, é "Rag Doll". Comprei mais por curiosidade, em promoções, pois não sou muito chegado em rock pesado. Tenho mais em conta o Steven Tyler como sendo o pai da Liv Tyler, do interessante filme "Beleza Roubada" e, mais recentemente, a princesa élfica da trilogia "O Senhor dos Anéis". Para um disco de blues, o álbum soa meio estranho e surpreendente. É claro que temos que nos lembra que é o velho e bom Aerosmith de "Rag Doll" (minha preferida do álbum "The Big Ones"). Depois de um início meio barulhento, com o puro rock "Road Runner" e "Shame, Shame, Shame", lá pela 3ª faixa, com a ótima "Eyesight To The Blind", finalmente consegui perceber algo de blues. É claro que os gritos e afetações do roqueiro fogem um pouco do estilo, mas as guitarras e harmônicas dão conta do recado e transmitem a mensagem com a competência de muitos anos de estrada. Segue-se um explosivo blues em "Baby Please Dont Go" (Tyler lembrou-me o Alvin Lee do Ten Years After [1967-74], em Woodstock, cantando "I'm Going Home") e a lenta "Never Loved A Girl", com vocais e guitarras distorcidas que me lembraram o bom e velho Robert Plant [1948- ], do Ledd Zpeppelin [1968-80]. A harmônica em "Back Back Train" nos leva numa bela viagem de trem, num dos temas recorrentes do blues tradicional, com direito a lamentos e tudo. Destaque especial para "You Gotta Move", iniciando com uma bela introdução da harmônica de Tyler, segue-se Kramer na bateria e depois entram as guitarras (Perry e Whitford) e baixo (Hamilton) com tudo o que tem direito. Uma das melhores faixas do álbum, de fazer inveja ao lendário Led Zeppelin. Passe rápido por "The Grind" (a única música do Tyler no disco, dispensável) e vá para "I'm Ready", de Wille Dixon [1915-92], um homem cuja vida foi sinônimo da história do blues na América. O álbum termina com "Jesus Is On The Main Line", um belo gospell tradicional, relembrando onde tudo começou. Acompanha o álbum um livreto de 16 páginas, com algumas informações sobre as músicas. Sem "liner notes" e com muitas fotos, poderiam ter economizado nas fotos e deixado espaço para mais comentários ou as letras das músicas, por exemplo, já que se trata de um álbum temático. Dá para dizer que o Aerosmith, na sua mistura de blues rock, hard rock e heavy metal, inaugura um novo gênero, seria um "Heavy Blues" ou "Hard Blues". Embora possa ser excomungado por puristas do blues, não há dúvida que "Honkin' On Bobo" está entre um dos melhores álbuns de rock (e não "blues") que eles já fizeram. Talvez pela expectativa gerada em torno do blues, o álbum desaponta por não trilhar os caminhos mais tradicionais. Mas tradição não é algo a se esperar de uma banda com o espírito irreverente como o Aerosmith, que soa como rock & roll não importa o que toque. Compre só se for fã. J. T. Cevallos, 18/07/2004. = JTC/jtc = PS.: Não consegui descobrir o que significa o título "Honkin' On Bobo" (olhei no dicionário: "honk" = grasnar; buzinar), no entanto, a crítica e cometários de usuários na Amazon.com, dizem que é um título "bobo", ou até uma "atrocidade" (no All Music Guide). Se alguém souber o seu significado, me informe, por favor. |
17 de ago. de 2004
| Play the Blues... (2004 Reprise 936248730-2) Segundo a crítica especializada, depois de alguns anos sem lançar um disco somente de "blues", Eric Clapton [1945- ] o faz em grande estilo (o último all-blues foi o "From The Craddle", em 1994). Eu estava meio reticente em gastar meu suado dinheirinho com mais um CD do mestre do blues, pois não havia achado um bom negócio o "Reptile" [2001]. Pensei cá comigo: puxa, lá vem mais uma daquelas "homenagens", das quais o artista lança mão quando está numa entressafra criativa e não encontra muita inspiração para dizer algo próprio. Normalmente os resultados são duvidosos. No entanto, várias coisas contribuíram para sair a compra, primeiro foi a crítica favorável do Daniel Olsson, em seu "Blog" (http://omniblog.blogspot.com/). Ele conhece de música, tem bom gosto e é exigente para gastar seu dinheiro, são qualidades que eu considero e respeito. Depois, a crítica favorável do "All Music Guide" (http://www.allmusic.com). E, por último, eu estaria ajudando o colega Scotta na compra de seu "box" dos Simpsons (DVD), elevando o valor final da compra acima de R$ 100,00 e aproveitando assim o cupom de desconto da Gol. Pois é, eu nem estava muito a fim, mas os "astros" assim o quiseram (não que eu precise de muito incentivo para comprar um CD...he! he! he!) Sendo um tributo a Roberto Johnson [1911-38], eu esperava um álbum cheio de lamentos, meio sombrio, pois afinal, falamos do homem que vendeu a alma ao Diabo para se tornar uma lenda e um mito do blues (falo de Johnson, não Eric). Eu já comentei em outra oportunidade ("The Cream of Clapton" - Diário do AME de 30/01/2004) que acho o Sr. Clapton muito sério, muito "sisudo" no palco e, pensei: vai ser um horror com estas músicas do R. Johnson. No entanto, o álbum é uma grata surpresa. Em vez daquela marcação lenta e sincopada do velho blues do Mississipi, Eric dá um tom mais rápido, vivo e festivo ao interpretar as músicas do compositor maldito. Ele está mais calmo, mais "solto" e com isso, larga a voz e por momentos esquecemos que ele é branco. Em todas as músicas percebemos a técnica impecável do guitarrista que era chamado de "Deus" pelos seus fãs britânicos (Eric is God). A sua voz não é impressionante, mas logo esquecemos as pequenas falhas quando ele faz os seus solos de guitarra. Acompanhado por um conjunto competente de músicos, faz de cada faixa uma experiência musical interessante, seja pela sua interpretação ou simplesmente pela boa música acompanhada pela guitarra, harmônica, órgão e piano. Alguns destaques: Em "Little Queen of Spades" o destaque vai para o órgão de Billy Preston [1946- ]. Em "Traveling Riverside Blues" e na sombria "Me and the Devil Blues" temos a bela harmônica de Jerry Portnoy [1943- ]. Em "They're Red Hot" ou mesmo naquelas com títulos meio sinistros, como "If I Had Possession Over Judgement Day" Eric Clapton nunca esteve tão alegre e solto. Acompanha o álbum um livreto de 7 páginas, com liner notes do próprio Eric Clapton, onde ele rende a sua homenagem a Robert Johnson e fala da primeira vez que teve contato com a sua música ("... inicialmente ela me assustou pela sua intensidade, e eu só podia tê-la em pequenas doses...."). A musicalidade contagiante, a disposição e energia nunca vistas que emanam do álbum, fazem com que, ao final da audição, tenha-se a sensação de que finalmente Eric Clapton tenha conseguido o que almejava com "Reptile" e tenha feito com "Me and Mr. Johnson" um dos melhores álbuns de sua carreira. J.T. Cevallos, 11/07/2004. = JTC/jtc = |
10 de ago. de 2004
Desplugados de novo...
Desplugados de novo...
Um dos acústicos mais aclamados da MTV, ainda nos primórdios do formato "Unplugged" da rede americana, foi o da promissora banda de Seattle e um dos ícones do movimento grunge, Pearl Jam. Entretanto a apresentação nunca ganhou uma edição em CD, talvez por causa do repertório, baseado unicamente no seu disco de estréia, Ten. Na minha opinião, nem foi um acústico que merecesse tanto destaque assim, pois as músicas não receberam um arranjo acústico propriamente dito. A banda simplesmente trocou as guitarras por violões, sem se preocupar com os ajustes que a nova roupagem exigia. Porém, os fãs não perderam tempo em obter a versão "alternativa" do show a todo custo.
Só que em Live At Benaroya Hall October 22, 2003, a história é bem diferente: arranjos bem trabalhados, clima intimista (para uma audiência de apenas 2500 pessoas na cidade natal da banda) e um set list selecionado para aproveitar melhor o estilo desplugado. A maioria das músicas são baladas, hits ou não, que normalmente ficavam de fora dos shows, mas que aqui chamam a atenção pelos detalhes nos solos ou acompanhamentos, agora mais destacados. O repertório de 26 músicas e duas horas conta ainda com a música mais recente do quinteto, Man Of The Hour, que esteve presente na trilha sonora do filme "Peixe Grande" (Big Fish), de Tim Burton, além de versões para "Masters Of War", de Bob Dylan, "I Believe In Miracles", dos Ramones, e "25 Minutes To Go", de Johnny Cash.
Com produção do TenClub, fã-clube oficial do Pearl Jam, e parte dos lucros destinados para o YouthCare, entidade de Seattle que cuida dos jovens sem teto ou em outras situações de risco, Live At Benaroya Hall é um trabalho muito interessante, que mostra bem a versatilidade dos integrantes do Pearl Jam. Boa música por uma boa causa.
Só que em Live At Benaroya Hall October 22, 2003, a história é bem diferente: arranjos bem trabalhados, clima intimista (para uma audiência de apenas 2500 pessoas na cidade natal da banda) e um set list selecionado para aproveitar melhor o estilo desplugado. A maioria das músicas são baladas, hits ou não, que normalmente ficavam de fora dos shows, mas que aqui chamam a atenção pelos detalhes nos solos ou acompanhamentos, agora mais destacados. O repertório de 26 músicas e duas horas conta ainda com a música mais recente do quinteto, Man Of The Hour, que esteve presente na trilha sonora do filme "Peixe Grande" (Big Fish), de Tim Burton, além de versões para "Masters Of War", de Bob Dylan, "I Believe In Miracles", dos Ramones, e "25 Minutes To Go", de Johnny Cash.
Com produção do TenClub, fã-clube oficial do Pearl Jam, e parte dos lucros destinados para o YouthCare, entidade de Seattle que cuida dos jovens sem teto ou em outras situações de risco, Live At Benaroya Hall é um trabalho muito interessante, que mostra bem a versatilidade dos integrantes do Pearl Jam. Boa música por uma boa causa.
28 de jul. de 2004
ALL THAT JAZZ (1998 RCA/BMG 74321-61432-2) John Pizzarelli nasceu em 06/04/1960, na cidade de Paterson/NJ, EUA. Guitarrista (violão elétrico) de jazz e cantor, tem uma voz suave e faz boa presença no palco (já esteve aqui no Brasil). Apresenta-se normalmente em trios, sem baterista, interpretando standards do jazz e do cancioneiro pop americano, no seu estilo "crooner". Suas grandes influências foram Nat King Cole [1917-65] e seu pai Bucky Pizzarelli [1926- ], um excelente violonista, mestre no violão de 7 cordas. Pizzarelli iniciou a apresentar-se com seu pai quando tinha 20 anos e lançou seu primeiro disco em 1983, com "I'm Hip - Please Don't Tell My Father". Suas grandes influência foram os gênios da guitarra Les Paul [1915- ] e Django Reinhardt [1910-1953]. Pizzarelli já toca há mais de 10 anos com seu trio, lançando em 2003 o álbum comemorativo "Live at Birdland". Dando uma pausa no swing, Pizzarelli lançou em 2004 um álbum de bossa-nova, com foco nas composições de Antonio Carlos Jobim [1927-94], onde o trio toca clássicos como "Garota de Ipanema" e "Águas de Março" (ou "The Girl from Ipanema" e "Waters of March", para os americanos). Eu sou fã dos Beatles [1960-70] desde 1960, e confesso que não sou muito fanático por reinterpretações por outros artistas (diz-se "covers") das músicas do meu quarteto preferido. Eu diria até que, de uma maneira geral, não falando só dos Beatles, também não sou muito chegado a "tributos". Gosto dos originais. Entretanto, este álbum junta duas coisas de meu interesse: Beatles + Jazz. Não deu para resistir (comprei na Multisom/POA, Dezembro/1999). O resultado vai do muito bom ao ... "interessante". Em nenhuma faz feio, mas algumas ficam quase iguais ao original, não despertando muito interesse. É nas músicas mais rápidas, que Pizzarelli surpreende e revela o quanto as melodias dos Beatles são suscetíveis aos arranjos jazzisticos. Acrescentando um "swing", "scat singing" e metais à la big bands nas músicas mais rápidas (o lado John Lennon, da dupla), Pizzarelli consegue excelentes resultados, destacando "Can't Buy Me Love" (para mim a melhor do álbum) e "I've Just Seen A Face". A voz e os arranjos suaves em "Here Comes The Sun" lembram os melhores momentos da bossa-nova (poderia ser confundido com o João Gilberto, cantando um pouco mais alto do que seus sussurros habituais; ou melhor ainda: João Bosco ou Tom Jobim!). Dá até vontade de dançar! Destaque o excelente piano de Ray Kennedy em "I've Just Seen A Face" e "Eleonor Rigby" (nesta, o violão de Pizzarelli tem um excelente destaque). Os momentos mais fracos são as músicas lentas (o lado "baladeiro" de McCartney). "And I Love Her" e "You've Got To Hide Your Love Away" ficam melhor no ritmo original do quarteto de Liverpool. [The] "Long and Widing Road" permanece com o arranjo melódico que, na época de seu lançamento (álbum "Let It Be", de 1970) causou furor na crítica especializada, que dizia que Phil Spector (o produtor) havia arruinado a música com seu arranjo orquestral. Pelo jeito Pizzarelli não liga e fica na mesma linha. Como os Beatles já haviam feito assim mesmo, não surpreende e segue a mesma linha. Perfeitamente descartável. "Oh Darling" tem até uma boa interpretação, mas em certos momentos, é perturbada pelos metais estridentes que ele escolheu para acompanhamento. Esta abordagem jazzística para os Beatles surpreende pela beleza e qualidade de seus arranjos. Não obstante os momentos mais fracos, a voz firme e suave de Pizzarelli, sua guitarra, e o piano de Kennedy, são uma experiência fascinante, ao permitir ver com outros "olhos" musicais os bons e velhos tempos dos Beatles. Em resumo, uma experiência reconfortante em todos os sentidos. Uma boa música que deve agradar tanto os que não são tão fãs de jazz como aqueles que nunca ouviram falar dos Beatles. Com este álbum as novas gerações tem uma excelente oportunidade de ter contato com a música dos rapazes de Liverpool. Para os mais antigos, a certeza de que, já naquele tempo, gostávamos de boa música! J. T. Cevallos, 04/07/2004. = JTC/jtc = |
11 de jul. de 2004
| Play the Blues... (1993 Charly / Chess CD-RED-5) Existem vários tipos de Blues. Da cantilena lenta e triste da região do Mississipi, conhecido como o "Delta Blues", passando pelo mais relaxante e swingado "Texas-Blues" e chegando ao outro extremo, do blues rápido e dançante conhecido como "Blues-Rock". O estilo de John Lee Hooker [1917-2001] remete às origens do blues. É o canto triste, sincopado, marcado pelas batidas de pé que o caracterizaram e o tornaram famoso. Seu estilo minimalista, rústico é fiel às origens do blues, originado nas tradicionais "work songs" entoadas pelos escravos negros nas plantações de algodão do passado norte-americano. John Lee Hooker nasceu em Clarksdale, no Mississipi, em 22/08/1917, onde, ainda jovem adolescente, recebeu de seu padrasto, Will Moore [1893-1951], as primeiras lições que marcaram o seu estilo de tocar e cantar. Também cantou música "spiritual", mas foi no blues que firmou a sua formação. O seu padrasto conhecia vários outros cantores de blues, lendas da época, que deixaram também as suas impressões no jovem Hooker: Blind Lemon Jefferson [1893-1929], Charley Patton [1887-1934] e Blind Blake [1895-1937]. São os "pais" do Delta Blues / Country Blues. Em 1943 ele já andava por Detroit, tocando onde podia e ganhando popularidade. Em 1948, num encontro com o produtor Bernie Besman, grava o que seria o mais espetacular sucesso de sua carreira, "Boogie Chillen". Um blues primitivo, na voz murmurante de Hooker, acompanhado somente pelo seu violão elétrico e as batidas de pé, que seriam a sua marca registrada. A gravadora Modern Records lança "Boogie Chillen" (junto com "Sally Mae") e Hooker inicia sua caminhada pelo sucesso do R&B. Hooker tem uma vasta discografia. Gravou muito durante toda a sua vida e, curiosamente, tem muitas gravações feitas sob pseudônimos, o que complica a vida de seus biógrafos. Foi uma referência sagrada para as bandas britânicas, influenciadas pelo blues americano, tais como "The Animals" e "Yardbird". Nos últimos tempos, depois de uma fase de esquecimento, o blues voltou a interessar às gravadoras e estas lançaram álbuns com o velho bluesman rodeado de "amigos". "The Healer" (1989) é o primeiro deles, onde Hooker aparece entre luminares tais como Carlos Santana, Bonnie Raitt e Robert Cray. "Mr. Lucky" (1991) é outro exemplo, onde Hooker participa de uma miscelânea que vai de Albert Collins e John Hammond até Van Morrison e Keith Richards. Hooker passou uma vida tranqüila durante seus últimos anos, passando a maior parte do tempo dividindo-se entre várias casas que tinha na costa da Califórnia. Quando surgia uma oportunidade ele continuava gravando. "Chill Out" (1995) e "Don't Look Back" (1997) são outros casos daqueles álbuns repletos de estrelas. Saudado como uma lenda viva, estes álbuns menores não diminuíram em nada a sua estatura, mantendo-o como um ícone da música Americana, mesmo após a sua morte por causas naturais, em 21/06/2001. O álbum de hoje, "House of the Blues" [Charly Brasil] é a combinação de dois álbuns. O original "House of the Blues" (1960 Chess) [trilhas 1 a 12] e mais o álbum da série "Real Folk Blues" (1966 Chess) [trilhas 13 a 21]. É um blues à moda antiga, rústico, melancólico, por vezes alegre, falando de mulheres, bebidas e trens, temas reincidentes quando se fala de blues. Tudo isto acompanhado pelo som monocórdio da guitarra, tocado num só acorde e acompanhado da batida de pé. Paradoxalmente, algo que poderia ser monótono, soa cheio de inflexões e tons, graças à voz rouca, vibrante, gritos e gemidos de Hooker. Destaques para as duas primeiras músicas, "Louise" e "High Priced Woman" onde Hooker é acompanhado no 2º violão [elétrico] pelo jamaicano (!) Eddie Kirkland [1928- ]. Detalhe curioso: ao ouvir música "Leave My Wife Alone" lembrei-me imediatamente de Alvin Lee [1944- ], guitarrista do "Ten Years After" [1967-74], tocando "I'm Going Home" no festival de Woodstock (1970). A música, lançada no segundo álbum deles "Undead" (1968), tem momentos (riffs) que são uma cópia deslavada de "Leave My Wife Alone". Como dizem, a imitação é a melhor forma de lisonja... Em "Walking The Boogie" a voz de Hooker é duplicada (overdubbed), parecendo estar fazendo um dueto consigo mesmo. Interessante, mas desnecessário. Segue-se "Sugar Mama", no velho estilo, recuperando a razão de Hooker. Na 2ª parte do álbum (o "Real Folk Blues") destaque para a rápida e dançante "Let's Go Out Tonight" e a cadência, um pouco mais lenta, de "Stella Mae". Tem também clássicos como "I'm in the Mood" e "One Bourbon, One Scotch, One Beer" (uma das favoritas de Hooker). Esta última, também vale a pena ouvir na versão muito bacana do George Thorogood & The Destroyers. Acompanha o álbum um livreto de 8 páginas, com bastante informações (liner notes de Leslie Fancourt) sobre o disco e as músicas. Uma discografia mostra os álbuns da Charly Records onde saíram as músicas. Se você deseja conhecer o velho blues, nas suas origens, não pode deixar de ouvir uma das suas vozes mais expressivas. John Lee Hooker, "The Man" (O Homem) já se foi, mas, nesta tarde nublada e chuvosa, pareceu-me ouvir as batidas do seu pé, lá em cima... Farewell, John! J.T. Cevallos, 27/06/2004. = JTC/jtc = |
6 de jul. de 2004
Ecos dos 80s
Após uma pausa de sete anos, um dos maiores poetas do rock inglês retorna em boa forma, sem muitas novidades musicais, mas com um trabalho atestando que o velho Mozz ainda não esqueceu a fórmula para criar pequenas pérolas pop, cheias de melancolia e ironia, apesar do tempo. As três primeiras faixas de You Are The Quarry (Attack, 2004) são as melhores do CD: America Is Not the World, Irish Blood, English Heart e I Have Forgiven Jesus, mas o conjunto de canções é equilibrado, com bons arranjos e a banda de apoio - já de longa data - demonstra coesão com a sonoridade de Morrissey. Para os órfãos dos Smiths é um lançamento imperdível.
22 de jun. de 2004
Aqui está mais um CD que me interessou exclusivamente pelo seu repertório. Até então, eu só havia ouvido falar da The Dirty Dozen Brass Band, mas nunca havia escutado seu trabalho. Formada basicamente por uma seção de metais (dois trumpetes, um trombone e dois saxofones), acompanhados por uma bateria, sousaphone (um instrumento similar em sonoridade à tuba e adaptado para bandas de desfile) e uma guitarra discreta, essa banda de New Orleans é reponsável por manter a tradição jazz característica dessa cidade, adicionando à sua música doses generosas de Rythm & Blues. Dando continuidade a uma carreira de notável qualidade, é com Funeral For A Friend (Ropeadope, 2004), seu décimo trabalho, que a DDBB recebeu um destaque especial do site AllMusic. O disco é dedicado à Anthony "Tuba Fats" Lacen, um dos fundadores da banda e falecido algumas semanas após a conclusão das gravações. No repertório, desfilam músicas tradicionais de funeral mesmo, a maioria oriundas do cancioneiro religioso, como What a Friend We Have in Jesus e Amazing Grace, agrupadas em 3 temas de modo a reatratar toda a cerimônia (o desfile, a chegada ao cemitério e o retorno prá casa). A escolha do repertório tem muito da influência espiritual que "Tuba" recebeu de seus pais ainda na infância. A página especial da banda no site da Ropeadope, traz maiores informações, confiram! |
15 de jun. de 2004
Em nome de uma causa nobre
Como já falei anteriormente, gravar um disco-tributo é uma tarefa muito arriscada. Se a intenção é homenagear um artista ou banda, em geral o resultado se torna frustrante e, na pior das hipóteses, nos leva ao velho chavão "fique com o original". Três motivos me levaram a "experimentar" o In The Name Of Love: Artists United For Africa, lançamento desse ano da Sparrow Records: 1º) ainda não saiu nenhum tributo decente ao U2; 2º) as bandas/artistas chamados para esse projeto são do mercado CCM, o qual sempre me atraiu; e 3º) parte da renda do CD está sendo revertida para uma causa social urgente: a luta contra a AIDS no continente africano.
Talvez por estarem menos preocupados em homenagear o U2, quanto em ajudar a causa defendida pelo vocalista da banda, Bono, o trabalho desses artistas tenha ficado acima da média em relação a outros tributos. Existem momentos de destaque, mas outros sem brilho algum. O Pillar, por exemplo, fez uma versão totalmente descartável para Sunday Bloody Sunday, carregando no peso das guitarras, mas esquecendo-se da emoção presente na letra da canção. Outros tiveram o mesmo resultado medíocre em suas tentativas de reinventarem as músicas do quarteto irlandês: Delirious?, com Pride; GRITS & Jadyn Maria com With Or Without You e ainda a inexplicável Where The Streets Have No Name, de Chris Tomlin, que ficou exatamente igual à versão do álbum The Joshua Tree, mas falha justamente por... não ser a a voz de Bono, claro.
No grupo daqueles que "quase" chegaram lá estão: Santus Real (Beautiful Day), Starfield (40), Michael Tait, do dc Talk (One) e Todd Agnew (When Love Comes To Town). São versões "bacaninhas", que podiam ter sido melhor trabalhadas, com mais personalidade, e não resistem a uma crítica mais severa.
Os louros vão para a versão de Gloria do Audio Adrenaline, de longe a melhor coisa nesse CD, por ter capturado tão bem a energia dessa canção da fase inicial do U2. Grace, com a voz quase sussurada de Nichole Nordeman também é uma grata surpresa, assim como Love Is Blidness, pelo Sixpence None The Richer, e seus arranjos etéros. Finalmente, o Jars Of Clay contribui com uma versão bluesy e inspirada para All I Want Is You, enquanto Toby Mac comparece com uma Mysterious Ways correta, abusando da batida hip-hop. Por essas cinco canções, o álbum já merecia estar na CDteca de qualquer um.
Maiores informações sobre o CD e o projeto, clique aqui.
Talvez por estarem menos preocupados em homenagear o U2, quanto em ajudar a causa defendida pelo vocalista da banda, Bono, o trabalho desses artistas tenha ficado acima da média em relação a outros tributos. Existem momentos de destaque, mas outros sem brilho algum. O Pillar, por exemplo, fez uma versão totalmente descartável para Sunday Bloody Sunday, carregando no peso das guitarras, mas esquecendo-se da emoção presente na letra da canção. Outros tiveram o mesmo resultado medíocre em suas tentativas de reinventarem as músicas do quarteto irlandês: Delirious?, com Pride; GRITS & Jadyn Maria com With Or Without You e ainda a inexplicável Where The Streets Have No Name, de Chris Tomlin, que ficou exatamente igual à versão do álbum The Joshua Tree, mas falha justamente por... não ser a a voz de Bono, claro.
No grupo daqueles que "quase" chegaram lá estão: Santus Real (Beautiful Day), Starfield (40), Michael Tait, do dc Talk (One) e Todd Agnew (When Love Comes To Town). São versões "bacaninhas", que podiam ter sido melhor trabalhadas, com mais personalidade, e não resistem a uma crítica mais severa.
Os louros vão para a versão de Gloria do Audio Adrenaline, de longe a melhor coisa nesse CD, por ter capturado tão bem a energia dessa canção da fase inicial do U2. Grace, com a voz quase sussurada de Nichole Nordeman também é uma grata surpresa, assim como Love Is Blidness, pelo Sixpence None The Richer, e seus arranjos etéros. Finalmente, o Jars Of Clay contribui com uma versão bluesy e inspirada para All I Want Is You, enquanto Toby Mac comparece com uma Mysterious Ways correta, abusando da batida hip-hop. Por essas cinco canções, o álbum já merecia estar na CDteca de qualquer um.
Maiores informações sobre o CD e o projeto, clique aqui.
14 de jun. de 2004
| Música de fundo (1992 Movieplay PRS-23002) Eu estava preparando esta semana alguns comentários sobre o álbum "Latin Jazz", uma coletânea de jazzistas sul americanos (Mongo Santamaría, Charlie Palmieri, Pepe Castillo e outros) quando fui surpreendido pela notícia da morte deste artista (no dia 10 - Corpus Christi) que foi um dos expoentes máximos da música americana e internacional. Refiro-me ao Sr. Ray Charles Robinson, mais conhecido como Ray Charles [1930-2004]. Quem não se lembra de "Georgia On My Mind" (Georgia, my sweet Georgia...)? Ray Charles era natural de Albany/GA (Georgia), e foi o maior responsável pela divulgação e desenvolvimento do que se chama "soul music". A "soul music" foi o resultado da urbanização e comercialização do R&B (Rhythm and Blues) nos anos 60. O termo "soul" veio a descrever uma série de estilos musicais baseados no R&B. Durante a primeira parte dos anos 60 o "soul" permaneceu aderente às suas origens no R&B. Entretanto, diversos músicos em diferentes regiões da América, produziram diferentes tipos de "soul". Em regiões como Nova Yorque, a música se concentrou em vocais e uma produção suave. Em Detroit, a Motown criou um som mais orientado ao Pop, formado por uma mescla de gospel, R&B e rock & roll. Ao sul dos EUA a música se tornou mais vigorosa, baseando-se em ritmos mais sincopados, vocais mais ásperos e metais estridentes. Todos estes estilos formaram o "soul", que dominou a musica negra dos anos 60. Depois dele veio o "funk", mas aí já é outra história. Ray Charles foi um pouco mais além. Misturando R&B dos anos 50 com canto gospel, mais umas pitadas de jazz contemporâneo e blues, criou uma nova forma de música pop negra. Em inglês, o termo "soul" significa alma; sentimento; e é este o espírito da música. Dono de um estilo único e imediatamente reconhecido, Ray Charles conseguia passar uma emoção e sentimentos profundos nas suas canções. Ele também era um exímio tecladista, arranjador e dirigente de orquestra (bandleader). A sua fase mais brilhante e produtiva vai de 1950 a 1960. Depois disso, gravou muitos álbuns, com poucos ou relativos sucessos. Trabalhou até os últimos instantes de sua morte ("Mess Around", uma coletânea dupla, foi lançado pelo selo Proper Pairs em Maio/2004). A sua infância é trágica. Cego aos 6 anos (glaucoma), Ray Charles estudou na St. Augustine School For The Blinds onde estudou composição e aprendeu a tocar piano e clarinete. Ainda jovem perdeu seus pais e foi para Seattle onde fez as suas primeiras gravações num suave estilo pop/R&B, derivado de Nat "King" Cole [1917-65] e Charles Brown [1922-99]. Durante os anos 50 Ray Charles gravou uma série de sucessos em R&B, que embora não fossem classificados como "soul", pavimentaram o caminho para o "soul" por apresentar uma forma de R&B que era sofisticada sem sacrificar seu caráter emocional. Eclético, Ray Charles trilhou o soul, blues, jazz e o pop. Conseguiu atingir a grande audiência pop a partir da famosa música "What d I Say" onde combinava o rock & roll com o fervor do seu canto de estilo religioso (o gospel). Em 1962 ele surpreendeu seus fãs do pop, lançando um álbum com músicas country e western (este último estilo - western [swing] - é uma forma mais eclética de country, incorporando melodias pop tradicionais, improvisação do jazz, blues e folk, originando uma música muitíssimo alegre, e que estabeleceu as bases para o rock & roll). O álbum, era o "Modern Sounds in Country and Western Music", lançado pelo selo ABC-Paramount. Este álbum foi um sucesso estrondoso, permanecendo nas paradas de sucesso por cerca de 3 meses e trazendo a fama internacional para Ray Charles. Considere-se que naquela época álbuns de R&B/Soul raramente alcançavam o topo das paradas de sucesso. Lançado em abril/62, logo depois (outubro/62) Ray Charles lança o volume 2, com igual sucesso. E assim chegamos ao nosso álbum de hoje: "Greatest Country and Western Hits". Lançado originalmente em 1988 (nos EUA), é uma excelente seleção feita a partir dos dois volumes do seminal "Modern Sounds in Country and Western Music", representando o essencial do essencial na música coutry-soul. As fitas originais, de 25 anos atrás, sofreram um bom trabalho de remasterização (ADD). É muito difícil dizer quais são as melhores faixas, mas podemos destacar pelo menos as nossas mais conhecidas (pelo menos dos seus fãs): "Your Cheatin' Heart", "Hey, Good Lookin'", "I Can't Stop Loving You", "I Love You So Much It Hurts" (esta era a favorita de Ray), "Oh, Lonesome Me", "No Letter Today" e "Don't Let Her Now". São belíssimas melodias e, pelos títulos vocês já podem ver o que significa a música "soul". Mas, calma, não chega a ser só músicas de "dor de cotovelo" (de dar inveja ao Lupicínio Rodrigues), algumas são bastante animadas (eu adoro "Hey, Good Lookin'"). Os créditos originais colocam Ray Charles (vocal, teclados e piano) e Hank Crawford [1934- ] (Sax Alto). A edição nacional (1992 Movieplay), por incrível que pareça tem 3 músicas a mais do que a edição americana (1988 DCC). Enquanto a americana tem 17 músicas, a "nossa" tem 3 músicas a mais, que não existiam nos dois volumes do "Modern Sounds in Country and Western Music", a saber: "Crying Time" [do álbum "Sweet & Sour Tears", de 1964], "Together Again" [do álbum "Genius 20 Greatest Hits", de 1988] e "Don't Let Her Now" [do álbum "Complete Country & Western Recordings 1959-1986", de 1998] são as nossas "faixas bônus". Alguém se passou nessa, pois a regra é que nós sempre recebemos "menos" e nunca "mais". Notas biográficas e créditos das músicas completam este excelente álbum (comprei - fev/2000 - de barbada na loja "Musimundo", que nem existe mais - era no centro de Porto Alegre, na rua José Montaury, 155). Se você tiver grana pode comprar o box importado com 4 CDs do "Complete Country & Western Recordings 1959-86", a mais ou menos R$ 250,00 na CDPoint ou 50 dólares + impostos, na Amazon.com. Se ainda encontrar este "Greatest ..." por aí, compre sem pestanejar! Ray Charles se foi, mas graças à tecnologia a sua música está preservada para todos os tempos. Descanse em Paz, Ray! J.T. Cevallos, 13/06/2004. = JTC/jtc = |
24 de mai. de 2004
| Música de fundo (2003[?] NBO Editora s/nº) Nesta 5ª feira (07/05/04) estava doente (gripe, resfriado) e não fui trabalhar. Aproveitei o tempo para ver o DVD "British Rock" que eu havia comprado nas Americanas na semana passada, junto com mais outros nas ofertas. O DVD foi uma grata surpresa. Fiquei tão entusiasmado (e tinha tempo...) que resolvi escrever alguma coisa sobre ele na nossa seção "Música de Fundo" do Diário do AME (embora, não tenha assistido durante a elaboração do Diário propriamente dito...). O filme é um documentário sobre um dos momentos mais importantes e influentes do rock britânico e internacional, com trechos dos principais representantes da época, a iniciar pelos Beatles [1960-70]. Na zona de Liverpool (Mersey) a influência do rock americano (Bill Haley & His Comets) [1925-81] levou à criação de inúmeras bandas. De todas, um grupo de quatro rapazes se destacou, eram os Beatles. O DVD mostra imagens raras (de arquivo) onde podemos ver um trecho dos Beatles no hoje famoso Tavern Club, onde tudo começou. Seguem-se apresentações de Gerry & the Pacemakers [1959-66], The Tremeloes [1958- ], The Hollies [1962- ] e muitos outros. Enquanto os rapazes de Mersey/Liverpool curtiam seu rock, a turma de Londres, mais intelectualizada (composta por universitários), curtia mais o blues americano. O documentário mostra seqüências no clube de Alexis Korner [1928-1984], onde tocaram e cantaram nomes com Howling Wolf [1910-76], Willie Dixon [1915-92] e Muddy Waters [1915-1983]. Sob influência do blues americano, os jovens londrinos começaram a formar suas bandas. É nessa época (anos 60) que surgem os Rolling Stones [1963-], com uma atitude mais agressiva e radical do que os Beatles. O filme mostra o jovem Mick Jagger [1943- ], nos primórdios de sua carreira. A curiosidade é ver ele cantando um cover dos Beatles, "I Wanna Be Your Man" e, é claro, de uma forma bem mais insinuante e maliciosa do que poderiam imaginar Paul McCartney [1942- ] e John Lennon [1940-80] (autores da música), que faziam, segundo Mick Jagger, uma música muito "sentimentalista". O sucesso dos Rolling Stones abriu caminho para outros conjuntos, como o The Animals [1964-68] (lembram de Eric Burdon cantando "The House of the Rising Sun" ?), The Raven [1963-64] que depois trocaram o nome para The Kinks [1964- ]. Enquanto isso, na América, a última mania era iniciada com um jovem da Filadélfia, Chubby Checker [1941- ], com o "Twist". Era 1963, e as músicas que chegavam ao topo do "hit parade" já não causavam nenhuma surpresa. A coisa andava monótona, até que ... Os Beatles chegam à América! Podemos ver a sua chegada triunfal na Rádio WEA e apoteose em suas apresentações (ao som de "I Saw Her Standing There"). Os Beatles invadiam as rádios americanas! Era o início da "Invasão Britânica" do rock. Vemos imagens das entrevistas dos quatro jovens cantores com os jornalistas da época. As imagens mostram o quanto John Lennon [JL] era debochado e o seu senso de humor, quando o repórter [R] lhe pergunta o nome: [R] Qual deles você é? [JL] Eric. [R] Eric?! [JL] Não querem falar comigo. Querem falar com Paul. Mas vou responder. (diz olhando para o que parece ser um outro grupo de repórteres. Aqui já aparece uma certa dose da rivalidade entre os dois). [R] Eric, esses são seus fãs americanos. [JL] Meu nome é John! [R] John? Bem, John, aqui estão os seus fãs. Quarenta milhões de telespectadores. [JL] Parece que tem somente um aqui... [R] Você está sendo filmado... [JL] Ah! É o câmera man" (sorrindo) [R] O que acha do público americano? [JL] São loucos mesmo! [R] Por quê? [JL] Bem, não sei direito. Hoje foi maravilhoso, mas também ridículo. Havia 8 mil pessoas gritando juntas... Tivemos que gritar mais que elas nos microfones e ainda assim não conseguimos. [fim da entrevista] Seguem-se apresentações de Gerry & the Pacemakers ("Ferry Cross the Mersey"), Freddie & the Dreamers [1961-68] [que hoje seriam caricatos com a sua coreografia], Manfred Mann [1962-71] ("Do Wah Diddy Diddy"). A chegada dos Rolling Stones no aeroporto (voando na já falecida PanAm), ao som de "Around, Around", para três semanas de turnê pelos EUA. São tão jovens ainda, tímidos ao responder ao repórter. Nem sonhavam que seriam uma dia um megasucesso e ter milhões de fãs em todo o mundo até os dias de hoje (são 40 anos de estrada...). Mick Jagger já era magérrimo e, com seus trejeitos no palco empolgava a platéia, cheia de mocinhas gritando enlouquecidas (as "tietes"). Ele nem imaginava que um dia teria um filho com uma brasileira... Na seqüência, vem os The Animals com "We've Gotta Get Out of This Place" e os Beatles com "Can't Buy Me Love". Consolidava-se a Invasão Britânica, e, em 1964, a música inglesa tornou-se conhecida internacionalmente. Além de seus próprios méritos, temos de reconhecer é claro, a ajuda do "trampolim" americano, com o "show bizz" e a sua máquina de fazer dinheiro. A reação americana também é mostrada no documentário, com os Herman's Hermits [1964-70] ("Mrs. Brown You've Got a Lovely Daughter"). Com a volta à Inglaterra, Londres era o reino da nova aristocracia Pop. São da época o Spencer Davis Group [1963-86] ("I'm A Man"), The Who [1964-83] ("Can't Explain"), com um cuidado especial nas roupas e nas músicas, Yardbirds [1963-68] ("Heart Full of Soul"). De novo os Beatles na sua 2ª tournê pela América ("She's a Woman"). A América gestou um novo grupo: The Monkees [1965-69], feitos sob medida para competir com os Beatles e, acima de tudo, ganhar dinheiro, muito dinheiro, com a Invasão Britânica do rock, que se espalhara pelo mundo todo (o pessoal um pouco mais ... "antigo" ... talvez se lembre que os Monkees tinham até um desenho na TV brasileira). Na Inglaterra, outra onda iniciava (não dão trégua...). Álbuns conceituais, solos extensos e instrumentos exóticos revolucionam o mercado. O álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos Beatles, Pink Floyd [1965-] com "The Piper At the Gates of Dawn", Cream [1966-69] com "Disraeli Gears", "Mr. Fantasy" do Traffic [1967-75], são grandes exemplos. Desta época aparece o Cream ("Tales of Brave Ulysses"), onde brilha um jovem Eric Clapton [1945- ], de bigodinho, e já mestre da guitarra. The Who [1964-83] ("My Generation") encerra o DVD e, durante os títulos finais ouvimos The Zombies [1962-67], com "She's Not There". Pelo final de 1967 a dominação inglesa do cenário americano e no britânico tinha chegado ao fim. Mas a contribuição da "Invasão Britânica" tornou o rock and roll uma onda de dimensões universais que jamais será esquecida. Novas tendências podem ir e vir, mas não haverá nenhuma que se compare, em inocência e vitalidade, com a original "Invasão Britânica". Este DVD é uma pérola abandonada nos cestos das promoções. Se você gosta de música e quer conhecer um pouco da sua história, este DVD é obrigatório. Pelo preço que paguei, R$ 9,99 (Lojas Americanas, de tijolo, centro de Porto Alegre) é uma verdadeira pechincha. Corra e compre o seu antes que acabe! J.T. Cevallos, 09/05/04. FICHA TÉCNICA DO DVD: Título: British Rock. Gravadora: NBO Editora. Escrito e dirigido por: Patrick Montgomery e Pámela Page. Narrado por: Michael York. Formato de tela: standard (tela cheia). Áudio: stereo 2.0 e Dolby 5.1 (não testei). Legendas: inglês (músicas de comentários); português/espanhol (comentários). Duração: 60 minutos. Extras (só texto): A Invasão Britânica. Discografia dos Beatles, Rolling Stones, Animals e The Who (não é a discografia completa; aparecem somente a imagem da capa dos principais álbuns da época). Imagem: como se trata de imagens de 40 anos atrás, sem nenhuma nova transferência ou melhoria, a qualidade não é das melhores. Entretanto, não são imagens ruins. Algumas aparecem com um certo desgaste ou [poucos] riscos, pontos brancos, outras são boas. Existem trechos em P&B e colorido. Não percebi nenhuma imagem nublada, difusa; no geral, as imagens são nítidas e podemos ver bem os artistas. Eu diria que existe uma boa qualidade. Não sou perito no assunto, mas já comprei muitos DVDs de banca, com imagem muitíssimo pior. MÚSICAS: She Loves You / The Beatles. (*) Rock Around The Clock / Bill Haley & His Comets. (*) Rit It Up / Ready Teddy. (*) Rock Island Line / Lonnie Donegan. Twist and Shout / The Beatles. It's Gonna Be All Right / Gerry and The Pacemakers. Do You Love Me / Brian Poole & The Tremeloes. Just One Look / The Hollies. I Just Wanna Make Love To You / Rolling Stones. I Wanna Be Your Man / Rolling Stones. House of the Rising Sun / The Animals. All Day and All The Night / The Kinks. I Saw Her Standing There / The Beatles. Ferry Cross The Mersey / Gerry and The Pacemakers. I1m Telling You Now / Freddie & The Dreamers. Do Wah Diddy Diddy / Manfred Man. Around and Around / Rolling Stones. We've Gotta Get Out of This Place / The Animals. Can't Buy Me Love / The Beatles. Mrs. Brown You've Got a Lovely Daughter / Herman's Hermits. I'm A Man / Spencer Davis Group. Can't Explain / The Who. Heart Full of Soul / Yardbirds. She's A Woman / The Beatles. (*) Theme From The Monkees / The Monkees. Tales of Brave Ulysses / Cream. My Generation / The Who. She's Not There / The Zombies (*) só trechos. J.T. Cevallos, 09/05/04. = JTC/jtc = |
22 de mai. de 2004
Mais rocker e menos gospel
O Third Day chega ao seu quinto trabalho de estúdio após uma investida muito bem sucedida em projetos de worship albums (Offerings, 2000 & Offerings II, 2003) – mercado que eles ajudaram a recuperar, pois vários artistas de CCM fizeram o mesmo na seqüência –, e de um disco orientado mais para o pop (Come Together, 2001). Pois em Wire (Essencial Records, 2004), eles voltam com força ao southern rock, estilo que os consagrou nos primeiros discos, e cuja a influência de bandas como Lyrnyrd Skynyrd, The Black Crowes e Hootie & The Blowfish é inegável.
Neste "retorno às origens" (desculpem-me pelo clichê), o quinteto de Atlanta, Georgia, chamou um novo produtor (Paul Ebersold) e Brendan O'Brien (que tem no currículo, entre outros, Pearl Jam e Aerosmith) para mixar o álbum. E sente-se a diferença logo aos primeiros acordes de 'Til The Day I Die ou Come On Back To Me, pois os dois souberam explorar bem a sonoridade da banda através dos ótimos arranjos das músicas.
As letras também refletem um pouco do "novo capítulo em sua carreira", segundo o próprio Third Day. Apesar do vocalista e principal compositor, Mac Powell, manter as tradicionais canções que enaltecem a fé e a redenção, outros questionamentos tomam espaço no disco, como o próprio status de celebridade alcançado pela banda (Rockstar e Billy Brown) e as dúvidas em relação a se depositar a confiança em Deus, como na faixa-título e em I Will Hold My Head High.
Assim, alternando rocks consistentes com baladas melódicas, o Third Day reassegura com Wire o seu lugar entre as melhores bandas de Contemporary Christian Music da atualidade, ao lado de Jars Of Clay e dcTalk.
Neste "retorno às origens" (desculpem-me pelo clichê), o quinteto de Atlanta, Georgia, chamou um novo produtor (Paul Ebersold) e Brendan O'Brien (que tem no currículo, entre outros, Pearl Jam e Aerosmith) para mixar o álbum. E sente-se a diferença logo aos primeiros acordes de 'Til The Day I Die ou Come On Back To Me, pois os dois souberam explorar bem a sonoridade da banda através dos ótimos arranjos das músicas.
As letras também refletem um pouco do "novo capítulo em sua carreira", segundo o próprio Third Day. Apesar do vocalista e principal compositor, Mac Powell, manter as tradicionais canções que enaltecem a fé e a redenção, outros questionamentos tomam espaço no disco, como o próprio status de celebridade alcançado pela banda (Rockstar e Billy Brown) e as dúvidas em relação a se depositar a confiança em Deus, como na faixa-título e em I Will Hold My Head High.
Assim, alternando rocks consistentes com baladas melódicas, o Third Day reassegura com Wire o seu lugar entre as melhores bandas de Contemporary Christian Music da atualidade, ao lado de Jars Of Clay e dcTalk.
13 de mai. de 2004
| Play the Blues... (1989 Epic 700.345/2-463395) Nascido em Dallas, Texas, Stevie Ray Vaughan [1954-90] foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores guitarristas de blues de todos os tempos. Um virtuoso no seu instrumento, SRV bebeu na fonte de "bluesmen" como Albert King, Otis Rush e Muddy Waters, rockeiros como Jimi Hendrix e Lonnie Mack, bem como guitarristas de jazz como Kenny Burrell. Aprendeu a tocar a guitarra ainda criança, influenciado pelo seu irmão mais velho, Jimie Vaughan [1951-]. SRV rompeu, como nenhum outro, a barreira entre o blues e o rock. Dono de um estilo único e peculiar, foi uma das grandes influências no blues e no rock and roll. Dez entre dez "bluesmen" brasileiros, são adeptos do "Texas blues" e querem tocar como ele. O grupo "Double Trouble" (nome de uma música de Ottis Rush) foi formado em 1978 e, além de Steve Ray Vaughan (guitarra e vocal), é composto por Reese Wynans (piano e teclados), Chris Layton (bateria) e Tommy Shannon (baixo). Lou Ann Barton (vocal) fazia parte do grupo original Triple Threat in de onde foi derivado o Double Trouble. Em 26/08/1990, encerrado um show (em East Troy, WI), depois de uma "jam session" que contou com grandes guitarristas do blues - Eric Clapton, Buddy Guy, Jimmie Vaughan e Robert Cray, SRV embarcou num helicóptero com destino a Chicago. Minutos depois de sua decolagem às 12:30, o helicóptero caiu, matando SRV e os outros quatro passageiros. Vaughan tinha somente 35 anos. "In Step" (1989 Epic/Legacy) é o álbum de maior sucesso de sua carreira e, segundo Ted Drozdowski, da Amazon, o primeiro que ele gravou sóbrio... (SRV havia recém saído de uma clínica de rehabilitação, onde havia se internado para curar-se do vício do álcool e das drogas). Com ele SRV ganhou um prêmio "Grammy" por "Melhor Gravação de Blues Contemporâneo" (Best Contemporary Blues Recording) e ganhou um Disco de Ouro após somente 6 meses de seu lançamento. O álbum é uma mistura de blues e rock, tocados com a energia e sentimento que lhe eram tão peculiares. A minha edição é a de 1989, mas este álbum já foi relançado em março/1999 (nos EUA) com som remasterizado e trilhas adicionais (bônus tracks). No Brasil, para variar, lançaram sem as trilhas adicionais... A saber: 1. The House Is Rockin' 2. Crossfire 3. Tightrope 4. Let Me Love You Baby 5. Leave My Girl Alone 6. Travis Walk 7. Wall Of Denial 8. Scratch `N' Sniff 9. Love Me Darlin' 10. Riviera Paradise E as "bônus tracks": 11. SRV Speaks - (previously unreleased) 12. The House Is Rockin' (previously unreleased, live) 13. Let Me Love You Baby - (previously unreleased, live) 14. Texas Flood - (previously unreleased, live) 15. Life Without You - (previously unreleased, live) O álbum inicia de forma estrondosa, com o boogie "The House Is Rockin", seguido de blues-rock, com "Crossfire" e "Tightrope". O bom e velho blues aparece em "Leave My Girl Alone" e na energia instrumental de "Travis Walk". Destaque também para o blues "Scratch-N-Sniff". O álbum encerra com chave de ouro (na minha edição, nacional). A instrumental "Riviera Paradise" está entre as mais belas músicas que ele compôs. Uma mistura de blues e jazz, de um lirismo e delicadeza que contrasta com a energia emenada em todo o resto do álbum. A melodia flui de seus dedos sem interrupção, num fluxo constante onde demonstra a sua virtuosidade no instrumento e a intimidade com aqueles momentos mais tristes do coração dos "bluesmen". O "Rei do Blues", B.B. King, disse numa entrevista que, enquanto os guitarristas de blues (ele inclusive) sempre ficam pensando no que vão fazer nas próximas notas, com SRV a melodia parecia fluir de seus dedos com uma facilidade incrível, sem pausas e sem esta necessidade de "pensar adiante". Ele era extremamente natural, construindo seus "fraseados" na guitarra sem um esforço aparente. Tal era a sua genialidade. Stevie Ray Vaughan morreu jovem, e só Deus sabe até onde chegaria no mundo do show business com a sua guitarra. Cada vez que ouço um de seus discos, os sentimentos são contraditórios e meio confusos, a alegria de ouvi-lo bate contra tristeza de não te-lo mais entre nós. Já disseram que a gente deve sentir saudade, mas não tristeza. Assim seja. Não nos resta mais nada a não ser consumir cada minuto de seu legado. R.I.P. [requiescat in pace], descansa em paz, Stevie! J.T. Cevallos, 02/05/2004. = JTC/jtc = |
28 de abr. de 2004
| Discoteca Básica (1982 Epic 700029) Uma piada perguntava: "O que é branco por fora, negro por dentro e adora criancinhas?". A resposta, hoje, entristece aqueles que como eu, foram (e ainda são) fãs dele. Entretanto, houve uma época que Michel Jackson [1958- ], nascido Michael Joseph Jackson, não era devorador de criancinhas e se firmou como o maior astro "pop" do planeta. É desta época o lançamento deste álbum. Lançado depois do admirável trabalho de "Off The Wall" (1979 Epic 746.029/2-450086), "Thriller" (1982 Epic) se tornou o disco mais vendido da história da música. São mais de 40 milhões (sim, 40.000.000!!!) de discos vendidos ao redor do planeta. O disco tem um pouco de tudo - funk, hard rock, baladas leves e soul music, o que serviu para que atingisse uma ampla audiência. Além disso, colaborou para o seu sucesso, o fato de ser lançado na época que a MTV estava em ascenção. MJ ajudou a rede não só sendo o seu primeiro "superstar", mas também por ser o primeiro astro negro a estreiar na rede MTV. Da mesma forma, a rede ajudou a divulgação do astro. São ao todo nove músicas excepcionais, sendo difícil selecionar algumas sem ser injusto com outras. A mão mágica de Quincy Jones e arranjos do não menos competente Rod Temperton, que o acompanha desde "Off The Wall", fizeram do álbum um sucesso sem precedentes, tal que no seu lançamento colocou sete das nove músicas no rol das "Dez Mais" (nos EUA). É difícil ouvir e avaliar Michael só pela voz e a música, pois ele é também um exímio dançarino. A sua voz se completa com a imagem (daí o enorme sucesso do clip de "Thriller", continuamente aclamado como o melhor vídeo de todos os tempos). Isto explica porque, para mim, "Billie Jean" e "Thriller" sejam duas das minhas preferidas e, provavelmente, das melhores coisas que ele já fez na vida (outra é "Smooth Criminal", do álbum "Bad" [1987 Epic 700.765/2-450290]). A apresentação de "Billie Jean" [16/05/1983, no especial da TV sobre o 25º aniversário da Motown], onde usa e abusa do "moonwalking" (que, na verdade é um "sliding") e o clip de "Thriller" são uma evidência da sua habilidade como dançarino e de quanto a música e a dança estão entrelaçadas em Michael. Destaques também para "P.Y.T. (Pretty Young Thing)", o dueto com Paul McCartney [1942- ] em "The Girl Is Mine" e a participação do virtuoso do "metal", Eddie Van Halen [1955- ] em "Beat It". Completa o álbum um belo encarte de 12 folhas, com as letras de todas as músicas e dois desenhos feitos por MJ, de qualidade duvidosa e que deveriam ter sido mandadados analisar por um psiquiatra há muito mais tempo. Talvez ele não chegasse a ficar tão encrencado como está hoje em dia. Este álbum foi relançado em 1999 em SACD (esta é imagem da capa que aparece neste texto) e em 2001, em som remasterizado e com duas "bônus tracks". A saber: Thriller [Bonus Tracks] [ORIGINAL RECORDING REMASTERED] 1. Wanna Be Startin' Somethin' 2. Baby Be Mine 3. Girl Is Mine 4. Thriller 5. Beat It 6. Billie Jean 7. Human Nature 8. P.Y.T. (Pretty Young Thing) 9. Lady in My Life 10. Interview with Quincy Jones [*] 11. Someone in the Dark [*] [*] Bônus tracks. Como eu digo: você sabe que está ficando velho quando os seus CDs começam a ser relançados como "edições comemorativas dos 20 anos", :-) ... J.T. Cevallos, 18/04/2004. = JTC/jtc = |
21 de abr. de 2004
| Em busca de paz?
momentos de sua carreira com os quais tive contato... o que é muito pouco, se considerarmos a sua extensa discografia. Mas não pude deixar de notar este CD, My Mother's Hymn Book, e falar um pouco dele. Esse lançamento póstumo fazia parte inicialmente do Unearthed, uma caixa contendo 5 CDs com material raro ou inédito do cantor, lançado após a sua morte em 2003. Felizmente, ele foi acondicionado em um CD à parte e recebeu um nome bem apropriado: "o livro de hinos da minha mãe", pois de outra forma eu provavelmente nunca teria conhecimento dele. Ao ouvir a voz grave e poderosa de Cash nessas 15 canções, acompanhada apenas pelo dedilhado de um violão, a identificação foi imediata. Hinos tradicionais evangélicos, muitos dos quais ouvi também na igreja durante a minha infância - assim como ele, ao explicar a inspiração destas gravações -, ganham interpretações carregadas de emoção, nostalgia, espiritualidade e devoção. Assim como Elvis, ele costumava gravar discos de música Gospel, ou incluir uma canção cristã nos seus trabalhos, mas com My Mother's Hymn Book, Cash parece pressentir o fim de sua carreira e a necessidade premente de rever momentos tão significativos de seu passado. Protagonista de uma vida marcada pelo uso de drogas e casamentos desfeitos, talvez Cash estivesse procurando por uma paz que ele sabia estar no coração de canções como When the Roll Is Called Up Yonder, In the Garden, Softly and Tenderly ou Just as I Am. Teria ele reencontrado essa paz novamente, antes de deixar este mundo? Somente Deus poderá responder... |
11 de abr. de 2004
| Play the Blues... (1999 Alligator / Caravelas 270.062) São mais de 200 anos de idade e mais de 100 anos de carreira, reunidos neste CD; o mais jovem (Walker) tem hoje 67 anos de idade. Lonnie Brooks [1933- ] (guitarra e vocal), Long John Hunter [1931- ] (guitarra e vocal) e Phillip Walker [1937- ] (guitarra e vocal), apesar da idade, ou melhor dizendo, graças à idade, exibem o seu talento numa série de músicas que mostram porque foram, nos seus melhores momentos, grandes nomes do blues. Lonnie Brooks (nascido Lee Baker Jr., em Louisiana), é um dos grandes representantes do "Chicago Blues". Você já deve ter ouvido alguma coisa dele, talvez com o nome de "Guitar Junior", como ele se apresentava. Long John Hunter, também de Louisiana, foi uma lenda local por muito tempo. Ainda na ativa (como os demais) é um grande representante do "Texas Blues". Seu contrato com a Alligator (1997 - Border Town Legend) e a Doc Blues (2003 - One Foot in Texas) podem ampliar a sua fama. Com uma carreira menos abundante que os demais, mas igualmente consistente, Phillip Walker também é considerado um dos grandes representantes do "Texas Blues" e "Louisiana Blues". Nascido ... adivinhe aonde?... em Louisiana, juntou-se às duas outras lendas vivas (Brooks e Hunter) para gravar, em 1999, este álbum. O álbum inicia com "Roll, Roll, Roll" um rock clássico, escrito nos anos 50 por Brooks, quando ele era "Guitar Junior". Ele mesmo continua com um boogie-woogie "Boogie Rambler". Existe um pouco de tudo, para agradar a qualquer um. Tem baladas ("A Little More Time"), rock ("Bon Ton Roulet", "You're Playing Hooky"), puro "Texas blues" como em "Feel Good Doin' Bad" (onde brilha a harmônica de Mark "Kaz" Kazanoff), "Alligators Around My Door" e "Street Walking Woman", "swamp pop" em "This Should Go On Forever", R&B ("I Can't Stand It No More"). Mais blues ("I Met The Blues In Person", "It's Mighty Crazy"). O álbum conta ainda com a participação especial de Ervin Charles (guitarra e vocal), em "Born In Louisiana" e "Two Trains Running", lamentos à la Muddy Waters. Acompanha o CD um belo livreto de 12 páginas, com anotações biográficas (por Michael Point) dos três músicos, créditos e informações sobre cada uma das músicas do CD (por Bruce Iglauer). Este é um encontro histórico de três lendas do blues. Só isto já seria suficiente. Acrescente o livreto com fotos e recheado de informações e você tem a desculpa perfeita para gastar mais uns trocados numa bela aquisição para a sua coleção de blues. Aproveite! J.T. Cevallos, 05/04/2004. = JTC/jtc = |
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